5 de junho de 2026

A nova economia da defesa, por Luís Nassif

Chegou a hora das Forças Armadas pensarem seriamente no conceito de soberania nacional e acelerarem a parceria com institutos de pesquisa
Reprodução

Durante o regime militar, o principal desenvolvedor da energia nuclear no Brasil, Almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, conseguiu uma concessão admirável do Ministro da Marinha: não exigir atestado ideológico dos físicos civis convidados para desenvolver o programa. Físicos do IPEN (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares) foram essenciais para o desenvolvimento do programa brasileiro de enriquecimento de urânio.

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Chegou a hora das Forças Armadas pensarem seriamente no conceito de soberania nacional e acelerarem a parceria com institutos de pesquisa, visando o desenvolvimento de uma base tecnológica autônoma.

Hoje em dia, a FAB (Força Aérea Brasileira) continua com seu acervo de material de voo dependente dos Estados Unidos. A parte Amazônica do Sistema Brasileiro de Defesa e Proteção ao Voo, o chamado projeto SIVAM, depende fundamentalmente de material israelense com ligações umbilicais tecnológicas americanas, assim como equipamento naval de superfície.

Como aconselha José Amaro Ramos, com amplo histórico na indústria de defesa, está ocorrendo uma revolução tecnológica e é hora da Defesa Nacional se aproximar da Universidade, especialmente das áreas de Física da Universidade de São Paulo, Universidade Federal do Rio de Janeiro e Universidade Federal de Minas Gerais.

A tecnologia de defesa evoluiu para armas que, em outros tempos, pareciam fruto de ficção científica.

Por exemplo:

Armas de Energia Direcionada (DEWs), são sistemas que utilizam feixes concentrados de energia, em vez de projéteis convencionais, para neutralizar, danificar ou destruir alvos. Transferem energia diretamente para o alvo, na forma de raios laser.

Lasers de Alta Energia que são feixes de luz concentrados  que podem destruir ou incapacitar drones, foguetes e mísseis.  Sua principal vantagem é a interceptação instantânea com um custo por disparo drasticamente mais baixo em comparação com mísseis tradicionais.

Micro-ondas de Alta Potência (HPM): arma silenciosa que não destrói fisicamente, mas emite um pulso eletromagnético que “frita” os circuitos do adversário, desabilitando enxames de drones, veículos e sistemas de comunicação.

Armas Sônicas / Acústicas: ondas sonoras direcionadas, para controle de distúrbios e incapacitação não letal.

Feixes de partículas carregadas: prótons, elétrons ou íons acelerados, com potencial destrutivo contra eletrônicos ou blindagens.

Essas novas tecnologias mudam o cálculo financeiro das guerras. Com um “carregador” virtualmente infinito (dependendo apenas de energia) o custo para interceptar uma ameaça torna-se muito menor do que o custo do próprio ataque.

A busca por novos minérios, a febre por terras raras, tem como pano de fundo a própria indústria bélica. As principais potências militares, incluindo EUA, China, Rússia e Israel, e nações europeias, não dispõem da quantidade suficiente de minérios estratégicos, que o Brasil tem. Daí as pressões dos EUA sobre o Brasil, o jogo EUA-Ucrânia-Rússia, o lítio da Argentina, que, com 30% das reservas mundiais, estimulou Donald Trump e investir no pesadelo Milei.

É importante que, ao lado de uma legislação para terras raras, pense-se também em uma política industrial para o setor.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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10 Comentários
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  1. Paulo Dantas

    15 de agosto de 2025 7:26 am

    Este site é o único que discute estes assuntos e não trata Defesa como “gastança”.

    Se o Brasil quer um assento no CSNU precisa ter uma Defesa digna.

  2. Lênin and The Ulianovs

    15 de agosto de 2025 7:59 am

    Sem um projeto de desenvolvimento de armas nucleares, nada vai a frente.

    É sob esse biombo, ou atrás desse biombo que se desenvolvem outras tecnologias…

  3. Rui Ribeiro

    15 de agosto de 2025 8:37 am

    As Forças Armadas são golpistas e o objetivo delas é manter intacta a estrutura da sociedade. É o que diz George Orwel, no romance 1984.

    “A guerra é travada, pelos grupos dominantes contra seus próprios súditos, e o seu objetivo não é conquistar territórios nem impedir que outros o façam, porém manter intacta a estrutura da sociedade.”

    Por isso, a população armada é melhor. Claro que temos que desarmar os Bostonaristas patriotários.

    “A população armada é melhor
    Exército de Massas 15/03/2006 16:02

    É melhor ter cerca de 30 milhões de cidadãos com boa saúde física e mental, de ambos os sexos, com um fuzil guardado em casa do que Forças Armadas regulares.

    Se tentassem invadir o Brasil, cada quarteirão seria uma trincheira.

    Seria bom também que cada bairro das grandes cidades e cada cidade média do interior tivesse uma bateria anti-áerea e todos os cidadãos adultos fossem treinados para saberem utilizá-la para derrubar aviões e helicópteros inimigos.”

    http://www.brasil.indymedia.org/pt/green/2006/03/347918.shtml

    Vamos botar as FFAA para apagar incêndios florestais, despoluir os rios, limpar as ruas, etc. Eles têm que fazer algo mais do que apenas sugarem recursos públicos e planejarem e executarem golpes. Eles têm que fazer jus aos seus polpudos soldos, principalmente os militares de alta patente.

  4. JOTA!!!???

    15 de agosto de 2025 8:52 am

    NASSIF COMO ISSO?BOLSO.NAro CORROMPEU FÁCIL A TODOS COM SUA QUADRILHA APÁTRIDA MILITAT !!!???

  5. Naldo

    15 de agosto de 2025 1:35 pm

    Então, não seria o contrário seo Nassif? Os civis começarem a pensar em uma nova forças armadas? Por que essa que está aí adora ser apêndice dos estadunidenses, talvez muito filme de róliude seja culpado dessa mentalidade.

  6. Antonio Uchoa Neto

    15 de agosto de 2025 3:21 pm

    Há não muito tempo, Lula declarou que, com os bilhões que se gastam em armamentos, por ano, nesse mundo, ele acabaria com a fome, nesse mesmo mundo, mais de uma vez.
    Eu diria que, só com que os EUA gastam nesse setor, Lula acabaria com a fome nesse mundo, e ainda teria excedentes para acabar com ela em outros mundos.
    E o mundo aplaudiu o nosso presidente humanista, generoso, fraterno.
    O mesmo mundo que gasta – e, pelo visto, não pretende deixar de gastar – esses mesmos bilhões na indústria bélica.
    Guerra dá lucro; se não desse, a troco de que seriam gastos esses tais bilhões, todos os anos?
    Não é o caso de pensar em termos de: ‘queres a paz? Prepara-te para a guerra.”
    Não. Não se gastam os bilhões para garantir a paz, mas para garantir as próprias posições, e poder de persuasão (leia-se: de ameaça, de chantagem, etc.).
    A primeira vez que ouvi um tipo de comentário hoje famoso, por parte de comentaristas políticos, a saber: “Ah, isso aí é uma guerra que talvez dure dois meses”, foi no começo do conflito Irã-Iraque, lá pelo começo dos anos 80.
    Se não me falha a memória, durou oito anos.
    E durante oito anos, a indústria bélica faturou horrores. Nada melhor que vender armas e causar destruição nos países dos outros, ainda mais quando são habitados por gente de pele mais escura, feições mais grosseiras, e adeptos de religiões que são poços de fanatismo. Essas três condições, evidentemente, de nosso ponto de vista.
    Fora os subprodutos dessa situação, tipo Escândalo Irã-Contras. Afinal, somos todos filhos de Deus, fabricantes de armas, traficantes e intermediários aí incluídos. Todo mundo merece um quinhão dessa boquinha.
    Antes que me esqueça, no caso da guerra da Ucrânia, a frase foi: “Ah, isso aí é uma guerra que talvez dure três meses”
    Já são três anos e meio, e contando.
    A Casa Branca já tem, no bolso, um tratado de versalhes para a Ucrânia, e esta já tem um Vale do Ruhr para entregar aos americanos: suas imensas riquezas naturais.
    Do Tratado da Vestfália, em 1648, já lá se vão 377 anos. Se, dentre esses 377 anos, a humanidade tiver passado uns 30 anos sem guerras ou conflitos, invasões ou genocídios, e todo tipo de situação propícia aos mercadores de armas, eu visto saia.
    E nada disso ocorreu por maldade ou perversidade, mas pela necessidade de prosperar, e garantir segurança e vida boa. A própria, é claro, não a dos outros.
    Guerra dá lucro.
    Acabar com a fome, não. Afinal, são os outros que tem fome, não eles. Acorda Lula.
    PS: – ao que se sabe, quando criou o Exército Vermelho, Trótski construiu um muro novo com tijolos velhos. Ou seja, com o oficialato do Czar, aqueles que não se juntaram aos Brancos na Guerra Civil. Imagino que não terá conseguido isso convertendo esses velhos generais ao comunismo, com aulas teóricas e sermões. E como Lula vai fazer com esse nosso oficialato parasitário, eternamente preso às tetas generosas do governo? Chto Dielat, Lula?

  7. Guilherme Souto

    15 de agosto de 2025 4:56 pm

    Os nossos militares são preguiçosos demais, só que querem, e usam, mamata, povo fuleiro.

  8. Robert Red

    15 de agosto de 2025 7:48 pm

    A Questão Militar está atrelada ao péssimo orçamento que as FAs construiram com seu lobby ao longo da história. Sem resolver isso não dá pra tirar mais dinheiro do bolso dos brasileiros pra dar camarão pra festinha de General.

    1. Naldo

      16 de agosto de 2025 7:47 am

      Imagina se aquele exército fuleiro do filme “o rato que ruge” se juntasse ao de Brancaleone e resolvesse invadir o Brasil? Quem poderia nos salvar? O Chapolin Colorado? Talvez….

  9. +almeida

    17 de agosto de 2025 1:08 pm

    A IMBEL tinha um papel de destaque no passado e ainda poderá contribuir muito se for modernizada e integrada ao desenvolvimento tecnológico de equipamentos e armas bélicas de defesa e de ataque.

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