
Lula poderia dizer à PF, “Não precisamos de Dudunaros”
por Armando Coelho Neto
Uma semana depois do segundo turno das eleições presidenciais de 2022, Roberto Jefferson deu mais de 50 tiros de fuzil e jogou três granadas de luz e som contra os agentes da PF. Os federais estavam cumprindo ordem de prisão expedida pelo Supremo Tribunal Federal, contra o ex-parlamentar. Dois policiais ficaram feridos por estilhaços, e após resistir por 8 horas, o extremista foi preso. Os federais esqueceram.
Em dezembro do mesmo ano, extremistas de direita, vestidos de verde e amarelo, apoiadores do ex-capitão tentaram invadir a sede da Polícia Federal (DF), insatisfeitos com defenestração de seu candidato pelo voto popular. Aliás, um ato a mais, entre tantos, por meio do qual se pretendia desestabilizar a ordem social e justificar possível intervenção militar para o golpe frustrado. Federais esqueceram?
É protocolo oficial da PF trocar ocupantes de cargos, nas mudanças de governos. Mas, nunca tais mudanças foram tão visivelmente políticas quanto as que ocorreram no governo passado, inclusive para proteção de familiares do “ex-presidente” da República. Algumas, de tão sórdidas, geraram até atritos entre o ex-capitão e o juiz picareta da Farsa Jato, hoje homiziado no Senado Federal. Federais esqueceram?
A PF já foi da ditadura, do Sarney, do Collor… do Lula e do inominável. Institucional para o governo de plantão, mas para a oposição e a dita “grande mídia” vale a pecha de capitã do mato, guarda pretoriana. Reza a lenda que presos como o então juiz Nicolau dos Santos Neto, Paulo Maluf, Celso Pitta recebiam afagos e chocolates na carceragem da PF. “Oi? Já deu bom dia pro Dr. Paulo, hoje? ”. Já esqueceram?
Policiais federais não vêm de Marte. Os fenômenos sociais refletem na PF, inclusive a dissonância cognitiva. Eis a importância de exibir as cicatrizes deixadas na imagem da PF, por parte da direita e da extrema direita. Aliás, um contraste diante da indiscutível capacidade técnica, honestidade, boa-fé e humanismo de muitos. Como olvidar o profissionalismo de um certo Jorge Chastalo, atual segurança do Lula?
A dissonância cognitiva na PF é responsável pela antipatia reinante contra Lula em significativo contingente da instituição. O sentimento anti-Lula/PT espelha o ideário classe média da sociedade, que não sabe explicar sua antipatia. Respeitadas as exceções, um ranço vigente entre juízes, procuradores, auditores federais, Forças Armadas… no agronegócio e microempreendedores (falidos ou não).
Os setores acima são dos mais prestigiados por Lula, inclusive os falidos (se “enriquecem” é mérito próprio, se quebram, culpa do Lula). Trata-se de sentimento amorfo, difuso, indizível, incompreensível. Afinal, Lula não tinha experiência, diploma, faltava um dedo, até que a grande mídia conseguiu impor e colar o rótulo de corrupto, ladrão, sem que se consiga mostrar o ato ou o que foi roubado.
Lula sabe que a maioria da PF é contra ele. No entanto, dá a ela liberdade e independência que nenhum outro ousou. Mas, os federais, do alto da arrogância, conhecimento técnico e preconceito de classe contra Lula, nunca compreenderam o básico: a persecução penal é uma etapa importante do processo social, mas não se confunde com o próprio processo social, que é mais vasto e complexo.
O processo social se realiza politicamente. Quando se tentou atalhos moralistas, movidos por suas próprias convicções e preconceitos, fazer a redenção do País, deram espaço ao fascismo – derrotado pelo voto. A persecução penal continuará sendo respeitada, mas os policiais envolvidos em trapaça política, vestiram a carapuça, tisnaram o esforço abnegado das atuais e de outras gerações.
Essa fala vem a propósito de pilhérias terroristas de setores saudosistas de uma época que nunca existiu. Não importa se a catástrofe pregada no universo paralelo, prognósticos furados do mercado não se concretizem. Vale o medo do monstro imaginário: comunismo, Venezuela, BRICS… salários, aposentadorias em risco, quando quem congelou salários por quatro anos foi o ex-capitão! Esqueceram?
É inequívoco o respeito de Lula pela PF, até quando custodiado por 580 dias no prédio que construiu. Nunca odiou seus captores, algozes e carcereiros. É como se dissesse: eu os respeito, e nada espero de vocês, salvo o cumprimento do dever! Não matem inocentes em câmara de gás (camburão da PRF), não fujam do país para trair a Pátria, não glamourizem prisões, não suicidem reitores, não se matem!
Finalmente, Lula poderia dizer: estou no terceiro mandato, nada mais tenho a provar. Não expropriei propriedades, não mudei cor de bandeira… Quanto à PF, não fui eu que troquei cinco diretores-gerais num só mandato. Ah! Não precisamos de Dudunaros!
Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo
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Lênin & The Ullianovs
20 de agosto de 2025 9:44 amAi, ai, ai, “doutor” Armando (desculpe as aspas, porque título acadêmico não é pronome de tratamento, e não sei se o senhor tem doutorado).
Tenho 23 anos de polícia civil.
Tenho outros 40 de militância de esquerda, todos o PT, uma parte mais orgânica, outra, à distância.
Choro toda vez que leio um texto como esse.
O nível de desentendimento do papel da polícia é assustador.
No meu raso entender, cada uma delas (PF, PC, PM, PRF) se comporta de uma forma, mas o fato primordial e comum a todas é:
São instrumentos de controle de classes no modo de produção capitalista.
Ponto!
Tudo mais deriva daí.
Então não adianta romantizar a relação com Lula ou com qualquer outro governante com verniz mais ou menos progressista, e esperar um “senso corporativo” capaz de entender politicamente o governante.
Polícia só entende duas linguagens: autoridade e grana.
O seu erro analítico da questão é parecido, claro, com circunstâncias bem específicas de cada instância, a tese do pobre de direita ou da classe média do Jessé Souza, o novo Karnal da sociologia.
Ele acha que basta dar dinheiro ao pobre, e tentar inocular nele uma série de propagandas e sentimentalismos para criar um laço de solidariedade política duradouro, ou melhor, menos volátil, e quando o pobre e a classe média não o fazem, apesar dos governos do PT serem mais eficientes no atendimento às suas demandas, a “culpa” é deles!
Arf…dói ver tanto tempo e dinheiro de estudo desperdiçado, e pensar que esse sujeito já esteve a frente do IPEA.
Voltando à vaca fira.
Lula tentou dar grana e “autonomia” à PF, sem mostrar autoridade, porque tem, ao mesmo tempo, medo e ressentimento do aparato policial, e não sem certa razão, como toda a esquerda.
Ressentimento é um bom ativo, se você temperar ele com boa dose de capital intelectual e observação acurada…sem tais aditivos, vira burrice mesmo.
Lula tem medo de transformar a polícia naquilo que ela precisa ser, se ele quiser mudar a estrutura de desigualdade…
Será que Lula quer mesmo isso, ou só mitigar efeitos com paliativos?
Eu não saberia dizer o que Lula deseja, e o cão (a polícia) sente o cheiro da hesitação, e ora desobedece, ora ataca a mão de quem o alimenta.
A baboseira de que polícia não serve à política, ou não deve servir, é só ingenuidade de quem acredita nisso, e cinismo de quem diz isso para fazer o contrário.
Polis…o mesmo radical, e não por coincidência.
TODO, eu repito, TODO aparato do Estado capitalista é político, e se destina ao controle político das sócio reproduções do capital!!!!!
Falando da polícia como um todo, até porque minha vivência com a PF é superficial, o fato é que a esquerda nunca entendeu bem a polícia (e as FFAA também, mas isso é outro papo), porque a esquerda atual se esqueceu de sua natureza mais intrínseca, que é ser anticapitalista, e que mesmo que saibamos que temos que ponderar e compor as instituições nessa luta, porque não somos loucos vanguardistas, não podemos perder o eixo central:
– Viver e disputar espaço na (super)estrutura representativa e institucional é meio, e não fim em si mesmo!!!!
A polícia tem a cara da sociedade na qual ela está inserida, e não há como esperar uma polícia diferente dos valores impregnados nela.
A luta pela disputa ideológica é diária, e a esquerda se limita a pontuar as distorções (graves, sim, eu sei) da polícia, sem oferecer alternativa política para aqueles que ali estão dentro dela, e precisam de uma plataforma narrativa para defender outros valores.
A política de segurança do PT e de Lula é um grande nada, ou pior, uma repetição de chavões da direita amenizados, ou na radicalização oportunista desses chavões, quando em desespero.
Enfim, meu bom “doutor”, eu estou no fim da carreira, e vou embora sem ver nem a sombra daquilo que eu imaginei que seria possível.
Quando leio o senhor, que me parece ser um bem intencionado e uma pessoa com valores, digamos, corretos, me dá ainda mais desespero.
Tadeu Silva
12 de setembro de 2025 8:00 pmAlguém aí próximo pode puxar a cordinha…
Gustavo Schneider
20 de agosto de 2025 10:17 amExcelente texto. Parabéns, Dr. Armando.
Carlos
20 de agosto de 2025 1:05 pmDudunaros, dudunarcos, são tantos dudus e nenhum serve pra nada.
Mas tirem uma duvida: qual a parada deste avião? Mais gracinha de débeis mentais ou muito barulho propositadamente por nada?
Aeronave da Força Aérea dos EUA pousa em Porto Alegre e segue para SP.
Anac afirma não saber que merda há lá dentro.
Anônimo
20 de agosto de 2025 2:38 pmCaríssimo.
Esse avião pode ser o bebê reborn ou o morango do amor da vez.