A Inteligência Artificial, longe de ser uma inteligência genuína, é um mero modelo matemático e estatístico, com origem militar e que envolve a precarização do trabalho de classificação de dados no Sul Global. Para se desenvolver adequadamente no Brasil, ela ainda precisa superar muitos desafios e uma urgência de investimento em pesquisa de base e infraestrutura para que o Brasil desenvolva sua própria tecnologia.
Estas são algumas das impressões dos pesquisadores Nahema Falleiros e Pedro Kritski, especialistas em tecnologia, no quarto episódio da série especial “Soberania Digital”, do Projeto Brasil, uma conversa sobre a Inteligência Artificial (IA). Falleiros é doutora em Ciência da Informação pelo IBICT (Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia) e pela UFRJ, e Kritski é doutorando em filosofia, teoria do conhecimento, filosofia da ciência pela Universidade de São Paulo (USP).
Nesta aula, os pesquisadores apontam que o desenvolvimento tecnológico do Brasil, especialmente no campo da Inteligência Artificial (IA), apresenta tanto desafios complexos quanto oportunidades significativas para alcançar a soberania digital.
Entre os desafios, eles listam a dependência e o acesso limitado à pesquisa de base, em áreas como matemática pura, física, química e computação no Brasil; o posicionamento do Brasil na cadeia global de IA, sendo predominantemente um mero usuário de tecnologias de IA, e não um designer, projetista ou criador desses modelos; a exploração da mão de obra precarizada do Sul Global para o tratamento humano de dados; a infraestrutura material e tecnológica do país que ainda é deficiente, incluindo a deterioração da rede elétrica nacional devido a privatizações, e a necessidade de políticas que regulamentem questões trabalhistas para formar a nova mão de obra de tratamento de dados e regulações sérias sobre o uso de dados (como a LGPD).

Apesar dos desafios, eles expõe que o Brasil tem a capacidade de criar inteligências artificiais soberanas. A exemplo de uma equipe do ITA que desenvolveu um software de simulação de voo e uma IA que pilota aeronaves militares brasileiras e supera pilotos humanos, demonstrando que é possível ir pelo “caminho soberano” ao programar do zero e proteger informações estratégicas.
Eles também defendem que para que o Brasil se torne um país tecnologicamente soberano e um protagonista na transformação digital, é necessário um investimento robusto e estratégico em pesquisa de base, valorização do conhecimento, capacitação humana e desenvolvimento de infraestrutura e políticas próprias, afastando-se da mera posição de usuário e mão de obra precarizada.
Paulo Dantas
21 de agosto de 2025 7:05 pmA Inteligência Artificial, não é uma inteligência , é modelo matemático e estatístico, com origem militar e civil que bem usada e em certos casos pode ser útil.
O foco inicial é entender inglês as demais linguas mostram deficiências, questão de grana mesmo.
Experiência própria , me quebrou alguns galhos* mas também deu resposta dignas no Rolando Lero em uns casos**.
Não está preocupada com o Sul Global, creio.
*Corrigiu um bug em um código de computador que gerava problemas em alguns casos e uma equipe não identificava o erro.
**Gerou um código tão estaparfúdio que parecia piada.
Mas no fim é um aglomerado de sistema de equações de forma simplista.
José de Almeida Bispo
22 de agosto de 2025 7:31 amOntem eu necessitei de um modelo de redação, a que não estava familiarizado, e, como se trata de peça administrativo-financeira recorri ao contador, que por sua vez consultou a “inteligência” artificial. Foi rapidinho. As correções demoraram mais que o texto fornecido. Bem… não me impressionou. Salvo pelo fato de trazer de imediato algo que eu teria que procurar nos manuais de redação, específica, o que tornaria mais penoso, nada de novo sob o sol. Salvo, como disse a celeridade – e sua natural possibilidade de erro. Mas a propaganda, como todas as que vieram antes, é pra se comprar o céu.
Dante Romano
26 de agosto de 2025 5:04 amExcelente debate.
Investimento em capacitação de brasileiros em tecnologia, precisa igualar a importância nos nossos recursos naturais em terras raras.