
O governo brasileiro segue aberto a negociar questões comerciais em igualdade de condições, mas não está disposto a ser tratado como “subalterno”, segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Estamos dispostos a sentar na mesa em igualdade de condições, o que não estamos dispostos é sermos tratados como se fôssemos subalternos. Isso não aceitamos de ninguém. É importante saber que nosso compromisso é com o povo brasileiro”, afirmou o presidente na abertura da segunda reunião ministerial do ano.
“É importante que cada ministro faça questão de retratar a soberania desse país. Nós aceitamos relações cordiais com o mundo inteiro, mas não aceitamos desaforo, ofensas, petulância de ninguém. Se gostássemos de imperador, o Brasil ainda seria monarquia”, disse, em referência ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O encontro tem como principal pauta o alinhamento de estratégias e a avaliação do andamento das principais políticas públicas em curso no país.
“Uma das maiores traições”
Diante das tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros e da pressão do governo norte-americano em torno dos interesses das chamadas big techs, o presidente reforçou a disposição para negociação do país, mas sem abrir mão de princípios essenciais no diálogo entre nações democráticas.
“Somos um país soberano. Temos uma Constituição, uma legislação, e quem quiser entrar nesses 8 milhões e meio de quilômetros quadrados, no nosso espaço aéreo, no nosso espaço marítimo, nas nossas florestas, têm que prestar contas à nossa Constituição e à nossa legislação. É assim que tem que ser para que a gente possa construir e fortalecer esse mundo democrático, multilateralista que o Brasil faz questão de defender”, disse.
Lula também criticou o deputado federal Eduardo Bolsonaro por sua ação junto ao governo norte-americano na imposição de sanções ao Brasil, destacando que esta é uma das maiores traições cometidas por um brasileiro à própria pátria.
“O que está acontecendo hoje no Brasil com a família do ex-presidente [Jair Bolsonaro] e com o comportamento do filho dele nos Estados Unidos é, possivelmente, uma das maiores traições que uma pátria sofre de filhos seus”, disse.
“Um cidadão que já teria que ter sido expulso da Câmara dos Deputados insuflando com mentiras e hipocrisias um outro Estado contra o estado nacional do Brasil. Isso é inexplicável, e vamos ter que fazer disso uma batalha no campo da política, não é no campo do governo, para que a gente possa fazer com que esse País seja respeitado”.
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