21 de junho de 2026

Estudos apontam impacto da exposição a microplásticos, mas não há acordo global para reduzir poluição

Pesquisas apontam presença de resíduos no cérebro, sangue, pulmões, leite materno, placenta, fígado, baço, cólon, saliva, entre outros
Crédito: Alexander Stein/ Getty Images

A médica e pesquisadora Thais Mauad, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, aponta que o microplástico se tornou praticamente onipresente no planeta. É possível encontrar o resíduo desde a Antártida, no deserto e nas montanhas.

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No corpo humano, um estudo constatou a presença de microplásticos no cérebro, especificamente no bulbo olfativo, estrutura cerebral responsável pelo processamento inicial das informações relacionadas ao olfato.

Foi encontrado resíduos ainda no sangue, pulmões, leite materno, placenta, fígado, baço, cólon, saliva, fezes, urina, testículos e sêmen.

“É uma partícula inerte, que não consegue ser degradada pelas nossas células. Ela fica lá e não consegue ser eliminada. Ela carrega dentro dela, além do próprio polímero, os aditivos do plástico, que são um capítulo à parte de extrema gravidade. Carregam bactérias que se grudam nela no caminho e metais pesados. Todos os estudos em animais e estudos mais experimentais mostram que isso suscita um processo inflamatório”, alerta Thais.

Pesquisas que comprovem o impacto do microplástico na saúde humana ainda estão em andamento, mas os resultados iniciais apontam que a presença da micropartícula está associada a estresse oxidativo, problemas cardiovasculares, desregulação endócrina e imunológica, além de comprometimento da memória e do aprendizado.

Testes indicam ainda que os microplásticos podem causar danos e morte de células, induzir a transformação de células saudáveis em cancerígenas e desencadear reações alérgicas.

Ainda assim, a poluição por plástico segue como um problema sem solução ou mesmo iniciativas para combatê-la.

Em agosto, representantes de 185 países se reuniram na Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, a fim de debater formas de pôr fim à poluição por plástico durante dez dias. Ainda assim, não chegaram a nenhum acordo global ou mesmo um texto base para um compromisso.

Em contrapartida, a poluição por plástico segue em ascensão. Apenas em 2020 foram despejados no meio ambiente 2,7 milhões de toneladas de plástico, de acordo com a ONU, volume que pode dobrar até 2040.

“Não vamos conseguir acabar com o plástico, mas temos que acabar com o plástico não essencial”, continua Mauad. “De tudo o que está no oceano, 40% são plásticos descartáveis, que têm uma vida útil muito curta. Pensar que para você tomar uma água em um copinho de plástico e jogá-lo fora em 30 segundos, alguém teve que ir lá no meio do oceano tirar petróleo, extrair, refinar, moldar, transportar, não tem a menor lógica. É uma irracionalidade absurda que foi nos imposta pela indústria.”

*Com informações da Fiocruz.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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