15 de junho de 2026

“Careca do INSS” será intimado por meio policial à CPMI; entenda seu envolvimento no esquema

O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), confirmou a dificuldade em encontrá-lo e determinou intimação formal

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) autorizou a Polícia Legislativa a localizar e intimar o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, para depor na próxima semana. O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), confirmou a dificuldade em encontrá-lo e determinou intimação formal para garantir sua presença na oitiva.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

“Nós buscamos primeiramente contato com os advogados de defesa para que eles pudessem marcar, inclusive, o dia que viriam. Mas como os advogados também não responderam, a intimação foi enviada por meio policial”, explicou Viana.

A CPMI aprovou ainda requerimentos para obter da Câmara e do Senado informações sobre quantas vezes Antunes frequentou o Congresso entre 2019 e 2025, incluindo gabinetes ou outras dependências, com o objetivo de rastrear seu grau de influência institucional.

Quem é o “Careca do INSS”?

Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, foi identificado pela Polícia Federal como operador central da “Operação Sem Desconto”, deflagrada em abril de 2025, que revelou um esquema bilionário de descontos indevidos em aposentadorias e pensões.

Segundo as investigações, Antunes teria recebido ao menos R$ 53 milhões de associações e entidades intermediárias e repassado cerca de R$ 9,3 milhões a servidores e ex-diretores do INSS, como Virgílio Filho, André Fidelis e Alexandre Guimarães. Os pagamentos eram feitos por meio de empresas ligadas ao lobista, que atuava como “facilitador” para entidades que firmaram acordos de cooperação técnica com o instituto.

Ele aparece como sócio de 21 empresas, das quais 19 foram abertas a partir de 2022. Pelo menos quatro delas estariam diretamente ligadas à chamada “farra do INSS”, de acordo com a PF. A apuração também identificou que Antunes mantinha uma offshore nas Ilhas Virgens Britânicas, possivelmente para blindar seu patrimônio. Em maio de 2025, a PF apreendeu, além de joias, veículos de luxo em endereços ligados a ele.

De acordo com estimativas da PF e da CGU, o esquema pode ter desviado até R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024, atingindo mais de 4,1 milhões de beneficiários.

Andamento da CPMI

Na última segunda-feira (1/9), o relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar, pediu ao STF a prisão preventiva de 21 investigados, entre eles Antunes, o empresário Maurício Camisotti, o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto e o ex-procurador-geral do órgão Virgílio Oliveira Filho. O requerimento foi aprovado por unanimidade pela comissão.

Além de Antunes e Camisotti, que devem depor na próxima semana, estão confirmadas duas oitivas:

  • 8 de setembro (segunda-feira): Carlos Lupi, ex-ministro da Previdência (2023–2025);
  • 11 de setembro (quinta-feira): José Carlos Oliveira, ex-ministro do Trabalho e Previdência (2022).

Após a aprovação dos requerimentos, a CPMI ouviu, nesta quinta-feira, a diretora de Auditoria de Previdência da Controladoria-Geral da União (CGU), Eliane Viegas Mota. Ela relatou que os primeiros sinais de descontos irregulares surgiram ainda em 2019, de forma pontual, envolvendo quatro associações. Na época, após recomendação do Ministério Público ao INSS, os contratos foram suspensos.

Segundo Eliane, entre 2020 e 2023 não houve auditorias específicas sobre o tema. Apenas em 2024, quando as irregularidades voltaram a ser detectadas e comunicadas ao INSS, começou um trabalho conjunto com a Polícia Federal. Para ela, houve omissão do órgão, então presidido por Alessandro Stefanutto — exonerado em abril, no mesmo dia em que foi deflagrada a Operação Sem Desconto. Stefanutto também figura entre os alvos de prisão preventiva solicitada pela comissão.

A CPMI aprovou ainda a convocação de Enzimar Vieira dos Santos, uma das vítimas dos descontos ilegais.

Desde abril, todos os acordos de cooperação técnica que permitiam descontos em folha por associações e entidades foram suspensos. A Câmara aprovou um projeto de lei proibindo a prática, e uma força-tarefa de ressarcimento às vítimas foi criada. Até o momento, mais de 2 milhões de beneficiários aderiram ao acordo.

O caso está sob a relatoria do ministro André Mendonça, no Supremo Tribunal Federal (STF), após o ministro Dias Toffoli ter deixado o caso.

Abaixo, a lista completa a ser encaminhada ao STF:

1. André Paulo Fidelis;
2. Eric Douglas Fidelis;
3. Cecília Rodrigues Mota;
4. Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho;
5. Thaisa Hoffmann Jonasson;
6. Maria Paula Xavier da Fonseca Oliveira;
7. Alexandre Guimarães;
8. Antônio Carlos Camilo Antunes;
9. Rubens Oliveira Costa;
10. Romeu Carvalho Antunes;
11. Domingos Sávio de Castro;
12. Milton Salvador de Almeida Junior;
13. Adelinon Rodrigues Junior;
14. Alessandro Antônio Stefanutto;
15. Geovani Batista Spiecker;
16. Reinaldo Carlos Barroso de Almeida;
17. Vanderlei Barbosa dos Santos;
18. Jucimar Fonseca da Silva;
19. Philipe Roters Coutinho;
20. Maurício Camissotti;
21. Márcio Alaor de Araújo.

Com informações da Agência Brasil e da Agência Senado

Leia também:

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados