6 de agosto de 2026

Paz entre EUA e Irã depende de benefícios econômicos para a população, aponta economista

Um acordo duradouro entre Washington e Teerã exigirá mais do que garantias militares: será preciso aliviar sanções e criar empregos para evitar um novo 2015
Imagem: Pixabay

Acordo entre EUA e Irã depende da geração de empregos e retomada econômica para garantir estabilidade social.
Economista Salehi-Isfahani destaca que sanções financeiras afetam pequenas empresas e população, não só governo.
Paz duradoura exige benefícios econômicos amplos; sem apoio popular, acordo pode fracassar como o JCPOA de 2015.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Um eventual acordo de paz entre Estados Unidos e Irã não será sustentável apenas com garantias militares ou compromissos diplomáticos: a estabilidade vai depender da capacidade de transformar a reconstrução do país em ganhos para a população, principalmente por meio da geração de empregos e da retomada da atividade econômica.

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A afirmação é do economista Djavad Salehi-Isfahani, professor da Virginia Tech. Em artigo publicado no Project Syndicate, o especialista avalia que os erros cometidos durante o confronto entre Washington, Tel Aviv e Teerã partiram da expectativa de que a pressão militar poderia provocar o colapso do governo iraniano ou levar a uma rendição completa.

No entanto, para o Irã, instrumentos como o controle do Estreito de Ormuz continuam sendo vistos como mecanismos de defesa diante da possibilidade de novos ataques.

Para Salehi-Isfahani, a experiência histórica mostra que acordos políticos precisam estar acompanhados de projetos econômicos capazes de criar apoio social. Após a guerra Irã-Iraque (1980-1988), o governo de Ali Akbar Hashemi Rafsanjani apostou em um amplo programa de reconstrução, com investimentos em infraestrutura, saúde, educação e eletrificação rural.

A estratégia ajudou a reduzir a pobreza e expandir a classe média iraniana, transformando a reconstrução nacional em uma nova promessa política após anos de conflito. O argumento central do economista é que um processo semelhante seria necessário agora: a paz precisa ser associada à melhoria das condições de vida da população.

Sanções e empregos no centro de um possível acordo

O artigo destaca que a simples liberação de exportações de petróleo ou de ativos financeiros congelados teria impacto limitado sobre a população. Embora essas medidas fortaleçam as contas do governo iraniano, elas não necessariamente criam empregos ou ampliam oportunidades para trabalhadores comuns.

Segundo Salehi-Isfahani, a retirada das sanções financeiras teria um efeito mais amplo ao permitir que pequenas e médias empresas iranianas retomem relações com mercados internacionais. Com uma moeda desvalorizada e uma população altamente escolarizada, o Irã poderia ampliar exportações de bens e serviços, aumentando a demanda por mão de obra.

O economista argumenta que a falta de benefícios econômicos amplos foi um dos fatores que prejudicaram o acordo nuclear de 2015, conhecido como JCPOA. Embora tenha permitido algum alívio econômico, muitos iranianos perceberam que os ganhos ficaram concentrados em setores empresariais e grupos urbanos, enquanto a população de menor renda continuou enfrentando dificuldades.

Por isso, qualquer novo pacto entre Estados Unidos e Irã precisaria demonstrar resultados diretamente ligados ao cotidiano dos cidadãos. Caso contrário, a falta de apoio popular pode comprometer novamente a durabilidade do acordo.

Na visão do articulista, a paz não será mantida apenas pelo equilíbrio militar entre os países, mas pela criação de uma estrutura econômica que dê aos iranianos motivos concretos para defender sua continuidade. Sem empregos e desenvolvimento compartilhado, um novo acordo corre o risco de repetir os mesmos problemas do passado.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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