13 de setembro de 2026

Documento detalha plano de exploração de terras raras dos EUA em eventual governo Flávio Bolsonaro

Memorando elaborado por André Marinho prevê parceria com os Estados Unidos para mineração, processamento e industrialização de minerais críticos no Brasil
Reprodução

Documento de André Marinho propõe parceria Brasil-EUA para minerais críticos em governo Flávio Bolsonaro, com foco em industrialização.
Marinho nega vínculo com campanha; estudo prevê US$ 100 bi em investimentos e redução da dependência chinesa no setor mineral.
Flávio Bolsonaro defendeu ideia similar em discurso nos EUA; ambos tiveram encontros com autoridades americanas em 2023.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Um documento elaborado em março deste ano pelo empresário e candidato do Novo ao governo do Rio de Janeiro, André Marinho, apresenta uma proposta de parceria entre Brasil e Estados Unidos para exploração de minerais críticos e terras raras em um eventual governo de Flávio Bolsonaro. O material, produzido em inglês, tem 22 páginas e traz na capa a identificação “Flávio Bolsonaro | 2026 Campaign”, além do slogan “Prosperity Partnership”.

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A autoria de Marinho consta nos metadados do arquivo e foi confirmada pelo próprio empresário. Segundo ele, porém, o estudo foi produzido por iniciativa pessoal e não teria relação com a campanha de Flávio. Marinho também afirma que o documento não foi apresentado a autoridades ou interlocutores americanos.

O material foi elaborado em 19 de março, cerca de duas semanas antes de Marinho viajar aos Estados Unidos para uma reunião com o vice-presidente J.D. Vance. Cerca de dois meses depois, em maio, Flávio Bolsonaro também esteve em Washington e se reuniu com Vance e com o presidente Donald Trump.

A família de Marinho mantém relações com integrantes do círculo trumpista. Sua irmã, a cantora Giulia Be, é casada com Conor Kennedy, filho de Robert Kennedy Jr., secretário de Saúde do governo Trump.

A campanha de Flávio Bolsonaro não informou se encomendou o estudo, se tinha conhecimento de seu conteúdo ou se concordava com as propostas apresentadas. Também não respondeu se o documento chegou a ser considerado para apresentação durante os encontros do senador com autoridades americanas.

Proposta prevê aproximação com os Estados Unidos

O memorando descreve uma estratégia para transformar o Brasil em um dos principais fornecedores e centros de processamento de minerais críticos alinhados aos países ocidentais. A proposta combina exploração mineral, industrialização, atração de investimentos estrangeiros e aproximação estratégica com os Estados Unidos.

De acordo com o documento, um eventual governo de Flávio Bolsonaro buscaria evitar que o Brasil permanecesse apenas como exportador de matérias-primas. Também teria como objetivo reduzir a dependência das cadeias de processamento dominadas pela China e integrar o país a uma cadeia de suprimentos considerada estratégica pelos Estados Unidos.

O estudo apresenta o chamado “Flávio Bolsonaro Way” baseado em três princípios: impedir que o Brasil continue exportando apenas matéria-prima, evitar uma dependência estrutural das cadeias chinesas de processamento e aproximar o país dos Estados Unidos na construção de uma cadeia alternativa de abastecimento.

Em contraposição, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é classificado no documento como “pró-China”. O texto critica o que chama de ambiguidade geopolítica, lentidão regulatória para o setor mineral, incertezas sobre a industrialização e uma postura considerada reativa na atração de investimentos.

Entre os riscos associados à continuidade do governo petista, o memorando cita a possibilidade de o Brasil se tornar apenas fornecedor de matérias-primas para a China, perder oportunidades de industrialização e deixar passar uma janela considerada estratégica para a reorganização das cadeias de abastecimento dos Estados Unidos.

A proposta para um eventual governo de Flávio é resumida pelo documento em uma frase: “Lula hesita, Bolsonaro executa”.

Plano prevê investimentos de até US$ 100 bilhões

Segundo as projeções apresentadas no estudo, a aproximação com os Estados Unidos poderia gerar, em um período de dez anos, entre US$ 50 bilhões e US$ 100 bilhões em investimentos em mineração, refino e processamento de minerais.

O documento estima ainda a criação de 500 mil a 1 milhão de empregos e um impacto de 1,5 a 2,5 pontos percentuais no Produto Interno Bruto (PIB).

Entre os objetivos estratégicos estão o avanço do Brasil na cadeia de valor dos minerais críticos, a atração de capital ocidental de longo prazo e a criação de empregos de maior qualificação na indústria. O país também seria apresentado como um dos três principais fornecedores globais de minerais críticos fora da China.

A proposta estabelece seis pilares para a parceria com os Estados Unidos: acelerar reformas na legislação minerária e nos processos de licenciamento; garantir demanda americana pelos minerais brasileiros e maior estabilidade de preços; ampliar o processamento e a industrialização no próprio país; combinar capital americano com ativos brasileiros; integrar o Brasil a uma cadeia de fornecimento alinhada aos Estados Unidos; e tratar os minerais críticos como ativos estratégicos de segurança nacional.

O documento também prevê a formação de um grupo de países aliados dos Estados Unidos em torno da cadeia de minerais críticos.

Na mensagem final destinada, segundo o estudo, a “interlocutores americanos”, Marinho sustenta que o Brasil não buscaria assistência financeira, mas ofereceria escala territorial e geológica. Em contrapartida, o país precisaria de garantia de demanda, capital e uma parceria estratégica.

O texto conclui que os Estados Unidos necessitariam de uma fonte de abastecimento confiável e independente da China e apresenta o Brasil como solução para esse objetivo.

Ideias aparecem também em discurso de Flávio

Nove dias depois da elaboração do documento, em 28 de março, Flávio Bolsonaro fez um discurso na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), em Dallas, no Texas, no qual defendeu uma ideia semelhante.

Na ocasião, o senador afirmou que o Brasil poderia ser decisivo para os Estados Unidos reduzirem sua dependência da China em relação aos minerais críticos, especialmente as terras raras.

A proximidade temporal entre o discurso e a elaboração do documento é um dos elementos que chamam atenção no material, embora Marinho negue que o estudo tenha sido produzido para a campanha de Flávio.

Marinho teve encontros com autoridades americanas

No início de abril, aproximadamente três semanas depois da elaboração do memorando, André Marinho viajou aos Estados Unidos e se reuniu com o vice-presidente J.D. Vance. O encontro teria sido articulado por Robert Kennedy Jr.

Segundo Marinho declarou na época, a conversa com Vance tratou principalmente do avanço do crime organizado no Rio de Janeiro e das conexões entre facções brasileiras e redes internacionais.

Em maio, foi a vez de Flávio Bolsonaro se encontrar com Trump e Vance. Em Washington, o senador afirmou ter discutido com o presidente americano temas como tarifas comerciais, terras raras e a possibilidade de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.

No dia seguinte ao encontro com Trump, Flávio também se reuniu com Vance e com o secretário de Estado americano, Marco Rubio.

Relação com a Rockbridge

André Marinho também aparece em outro episódio envolvendo o círculo político trumpista. O empresário já admitiu ter estudado a possibilidade de instalar no Brasil uma célula da Rockbridge Network, grupo de investidores e apoiadores ligados ao trumpismo.

Foi ainda Marinho quem aproximou o empresário Pedro Sang da Rockbridge. Sang é citado pelo presidenciável Renan Santos, do Missão, como possível intermediário de supostos repasses de recursos americanos para a campanha de Flávio Bolsonaro.

Até o momento, não foram apresentadas provas que comprovem os supostos repasses. A acusação, no entanto, ganhou relevância por causa da legislação eleitoral brasileira, que proíbe partidos e candidatos de receberem, direta ou indiretamente, recursos de entidades ou governos estrangeiros.

O novo documento acrescenta outro elemento à discussão ao mostrar que o mesmo empresário que atuou na aproximação com a Rockbridge elaborou um plano detalhado sobre como um eventual governo de Flávio poderia atender a interesses estratégicos dos Estados Unidos no setor de minerais críticos.

O que diz André Marinho

Em resposta, André Marinho afirmou que o estudo foi produzido exclusivamente por iniciativa própria e que não possui relação com a campanha de Flávio Bolsonaro.

Segundo ele, o arquivo estava armazenado em seu dispositivo e circulou sem sua autorização. Marinho também negou ter apresentado o conteúdo a autoridades americanas ou discutido o assunto durante sua viagem aos Estados Unidos.

O empresário afirmou ainda que seu pai não teve acesso ao material e que não houve qualquer solicitação ou orientação da campanha de Flávio para a elaboração do estudo.

Marinho também negou ter tratado ou presenciado negociações envolvendo recursos estrangeiros destinados a campanhas eleitorais brasileiras.

*Com informações do Amado Mundo.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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1 Comentário
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  1. Cidadão sem cidadania

    13 de setembro de 2026 12:52 pm

    Vamos lá , o solo é da união, ou seja o presidente pode barrar, lula é o presidente, lula pode cancelar a venda a hora que ele quiser , mas a mina de terras raras em Goiás vai ficar nas mãos de EUA, lula não pegou de volta a vale doou a csn , está doando o pré sal , minérios variados, mas claro Flávio , também vai doar , vide o pai dele que também doou , são todos entreguistas, a direita sente prazer na entrega, a esquerda entrega e finge vergonha, mas nós nacionalistas de verdade sabemos são todos entreguistas.

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