A balança comercial brasileira acumulou superávit de US$ 62,4 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
No período, as exportações somaram US$ 284,65 bilhões, alta de 10,4% em relação ao mesmo intervalo de 2025, enquanto as importações chegaram a US$ 222,26 bilhões, crescimento de 5%.
A corrente de comércio — soma das exportações e importações — alcançou US$ 506,91 bilhões, avanço de 8% na comparação com os nove primeiros meses do ano passado.
Somente em setembro, o Brasil exportou US$ 34,42 bilhões e importou US$ 26,68 bilhões, resultando em saldo positivo de US$ 7,74 bilhões. Na comparação com setembro de 2025, as vendas externas cresceram 12,9%, enquanto as compras do exterior recuaram 2,4%. A corrente de comércio do mês foi de US$ 61,1 bilhões, alta de 5,6% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
Petróleo lidera avanço das exportações
O desempenho das exportações em setembro foi puxado principalmente pela indústria extrativa, cujas vendas cresceram 39,8% em relação ao mesmo mês de 2025. O setor acrescentou US$ 2,69 bilhões ao resultado. A indústria de transformação avançou 5,3%, com aumento de US$ 0,89 bilhão, enquanto a agropecuária cresceu 4,8%, com acréscimo de US$ 0,32 bilhão.
Entre os principais produtos responsáveis pelo resultado está o petróleo bruto, cujas exportações aumentaram 77,3%, representando acréscimo de US$ 2,83 bilhões. As vendas de minérios de cobre cresceram 74,2%, com aumento de US$ 0,31 bilhão.
Na agropecuária, a soja teve alta de 11,9%, com acréscimo de US$ 0,37 bilhão. Também cresceram as vendas de café não torrado, algodão em bruto e animais vivos.
Na indústria de transformação, destacaram-se farelos de soja e outros alimentos para animais, óleos combustíveis, ouro não monetário, aeronaves e equipamentos e celulose.
No acumulado de janeiro a setembro, o movimento é ainda mais expressivo. A indústria extrativa acrescentou US$ 12,43 bilhões às exportações, crescimento de 21,2%. A indústria de transformação contribuiu com US$ 8,72 bilhões adicionais, alta de 6,3%, e a agropecuária acrescentou US$ 5,3 bilhões, avanço de 8,9%.
O petróleo bruto respondeu por parcela importante desse avanço, com crescimento de 28,6% e aumento de US$ 9,57 bilhões nas exportações acumuladas. Também houve expansão das vendas de minérios de cobre, ouro, soja, carnes bovina e de aves e óleos combustíveis.
China amplia compras, enquanto EUA recuam
A evolução dos parceiros comerciais revela mudanças importantes na composição das exportações brasileiras.
No acumulado do ano, as vendas para a China cresceram 12%, com aumento de US$ 9,1 bilhões. As exportações para a Índia avançaram 85,5%, acrescentando US$ 3,8 bilhões. Também houve crescimento das vendas para Japão, Singapura e Bangladesh.
Na Europa, os destaques foram Países Baixos, Itália, Turquia, Polônia e Alemanha. As exportações para os Países Baixos cresceram 16,6%, enquanto as vendas para a Itália avançaram 31,7% e para a Turquia, 37,3%.
O movimento foi diferente em relação aos Estados Unidos. Entre janeiro e setembro, as exportações brasileiras para o mercado norte-americano recuaram 6,5%, uma redução de US$ 1,9 bilhão. A Argentina também registrou queda, de 18,5%, equivalente a US$ 2,6 bilhões.
Em setembro, contudo, as exportações para os Estados Unidos cresceram 31,9%, com aumento de US$ 0,9 bilhão na comparação anual. No mesmo mês, as vendas para a China caíram 7,6%, redução de US$ 0,7 bilhão.
Pelo lado das importações, o acumulado até setembro mostra crescimento de 11,01% nas compras provenientes da Ásia, com destaque para a China, que avançou 9,9%, e a Coreia do Sul, com alta de 103,4%. As importações dos Estados Unidos, por outro lado, recuaram 7,1%, queda de US$ 2,4 bilhões.
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