24 de outubro de 2026

A luta continua, por Luís Nassif

Nosso trabalho é lutar incansavelmente para não legar aos nossos filhos a herança maldita do bolsonarismo e do fim da democracia.
Banksy

Eleições marcam fim da geração das Diretas, que aprofundou a democracia, mas falhou em construir o futuro econômico do Brasil.
Setores pobres, aposentados e usuários do SUS devem ser alertados sobre riscos de direitos sob possível governo Bolsonaro.
Luta contra desinformação é chave para evitar retrocessos na democracia e preservar conquistas sociais e soberania nacional.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Depois de uma derrota, o termo mais utilizado é “eu não disse?”. Por isso, vou evitá-lo.

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A onda da direita decorre da incapacidade de enxergar no status quo qualquer perspectiva de auto-mudança. Essa é a praga que acomete governos longevos. O mundo e as pessoas mudam, por mérito ou culpa de seus governos, mas há uma resistência persistente em entender o novo.

Essas eleições marcam o fim da geração das Diretas, aquela que legou lideranças como Fernando Henrique Cardoso, Lula, Mário Covas e Franco Montoro, entre outros. Essa geração aprofundou a democracia e amenizou a selvageria do capitalismo brasileiro, mas foi incapaz de construir o futuro. Foi contaminada pelo pecado capital de FHC e pela chamada teoria do choque na transição de uma economia centralizada para uma economia de mercado. O país acabou tragado pela financeirização mais agressiva, por privatizações sem planejamento e por uma inserção atabalhoada no mercado internacional, cujo fecho foi a adoção da política de metas de inflação — tornando a nação refém do capital volátil e de taxas de juros exageradamente elevadas.

Embora os industrialistas do período anterior ainda tenham conseguido manter certa influência nos anos 90, gradualmente perderam vigor, com seus setores massacrados pela lógica corrosiva da ultrafinanceirização.

Tudo isso é assunto para o fim do segundo turno e para preparar o governo Lula 4. Agora, o ponto principal é a luta intransigente contra a desinformação:

  • Os mais pobres precisam compreender o que significaria um presidencialismo de Bolsonaro para seus direitos básicos.
  • Os aposentados e futuros aposentados devem ser alertados sobre as ameaças reais que pesam sobre a previdência presente e futura.
  • Os usuários do SUS e da Farmácia Popular precisam ser conscientizados sobre os riscos que rondam essas conquistas essenciais.
  • Os defensores da democracia devem ser lembrados da gravidade da perda de direitos ocorrida durante o período da Lava Jato e do bolsonarismo.
  • Os setores mais esclarecidos precisam entender o verdadeiro significado da perda de soberania nacional.

Nosso trabalho é lutar incansavelmente para não legar aos nossos filhos a herança maldita do bolsonarismo e do fim da democracia.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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8 Comentários
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  1. Antonio Uchoa Neto

    5 de outubro de 2026 11:34 am

    Os mais pobres, os aposentados e futuros aposentados, os usuários do SUS e da Farmácia Popular, sofrem, em sua imensa maioria, de problemas de cognição – ignorância, em uma palavra – embora seja horrível usá-la. São, nessa mesma imensa maioria, vítimas da grande obra da Elite brasileira e seus mentores e mantenedores externos, ou seja, manter toda essa gente no analfabetismo, em si, e no analfabetismo político. Trabalho como terceirizado numa escola pública estadual, na Bahia, e testemunho isso todos os dias. Comecei a pensar no povo (seja lá que diabo seja isso) como um homem em frente ao espelho, que vê seu braço direito na esquerda de seu campo visual, e vice-versa; quando sai da frente do espelho e vê alguém à sua frente, não consegue ter cognição para ver algo distinto de si, e vê-se a si mesmo – não gosta do que vê, ou seja, um pobre igual a ele, e sai buscando outra coisa para ver. E quando vê alguém que não reconhece como pobre, pensa: somos iguais. E, às vezes, nem depois de quatro anos consegue perceber seu equívoco.
    Não é uma questão de o pobre não saber o que é direita, o que é esquerda, o que é comunismo, o que é fascismo; é uma questão de não saber quem ele é, e, ciente ou não disso, achar que qualquer um pode ser igual a ele, e não ao outro – categoria que ele pensa ser a sua. O pobre não são os outros, mas não é, salvo por circunstâncias perversas, e, se Deus quiser, passageiras, pobre. Eu já perdi o convívio de boas pessoas por ter dito, certa vez, em conversa, que, em nosso bairro, éramos todos pobres – um casal, cuja renda conjunta orçava aí pelos seis ou sete mil reais, ficou extremamente indignado comigo, e deixaram de privar de meu convívio. Que sujeito odioso que eu era, chamando-os de pobres. E minha renda conjunta, com minha mulher, mal chegava a quatro mil e quinhentos reais.
    Agora, Nassif, quanto aos defensores da democracia (com minúscula), precisam ter uma visão mais prática, mais real, e menos edulcorada dessa entidade que eles não compreendem, e com quem não convivem, o povo. Precisam deixar de lado qualquer visão ideal do povo, e se aproximarem de sua natureza real. O papel do povo, na história desse país triste, não pode ser o de tabula rasa, ou de massa de manobra – e isso só se tornará possível quando ele for encarado – e cooptado – como força em si, com todos os seus defeitos e vícios de origem, que não são poucos. O outro lado sabe fazer isso como ninguém, porque o enxerga como ele é, e não como poderia ser. É generoso, é solidário, é justo, mas também pode ser, desde que devidamente provocados e instigados, mesquinho, individualista, e cego.
    Quanto aos tais setores mais esclarecidos, nada tenho a dizer. Não os conheço. Olham, desde sempre, para um povo idealizado, que não existe. Não olham para o pobre real, não o alcançam, não utilizam linguagem inteligível, para nós. São, para mim, como o caviar do Zeca Pagodinho: eu não sei, nunca vi, eu só ouço falar.
    E mais, prezados amigos do GGN, sem a Câmara, e sem o Senado, ninguém governa esse país, salvo se se juntar à multidão. Que, no caso são 594 almas, salvo erro na conta (513+81, não?). Montante muito longe de configurar um ‘povo’. Mas uma multidão considerável e decisiva, que fará de Lula, caso se eleja, um solitário na multidão.

  2. Rui Ribeiro

    5 de outubro de 2026 12:10 pm

    Os trabalhadores só podem contar consigo mesmos a fim de que seja aprovada o fim da escala 6×1, a fim de que sejam melhorados seus salários e suas condições de trabalho, a fim de que haja mais educação, mais saúde, mais segurança, mais empregos. E olha que os trabalhadores não podem contar nem com os trabalhadores de direita, que votam em candidatos de patrões.

  3. Naldo

    5 de outubro de 2026 1:41 pm

    Vou confessar, ontem surtei, antes da reforma do Bolsonaro minha aposentadoria estava programada para agosto desse ano, agora tenho que trabalhar mais seis anos, como trabalhei um período com direito a tempo especial, tentei ganhar um tempo entrando na justiça pra transformar esse tem em comum, qual a surpresa que o STF, pra variar, decidiu que não poderiam reconhecer esse tempo, com esse filhote de miliciano se elegendo, e com nova reforma aumentando a idade mínima pra 67 anos terei que trabalhar mais oito anos além do tempo original…. confesso que ontem tive um grande crise de ansiedade. Não sei o que parte dos eleitores tem na cabeça pra votar contra os próprios interesses…

  4. Pedro Rocha

    5 de outubro de 2026 3:53 pm

    Não é com medo de perder que ganharemos, mas com a esperança de ganhar mais. Logo, é a hora de abrir o baú da felicidade e fazer como os velhos políticos fazem: PROMETER. Prometer MUITO, sem dó nem piedade. Prometer transporte público gratuito nas regiões metropolitanas, prometer linhas de financiamento de imóveis, prometer a troca das dívidas estaduais por aumentos para as forças de segurança…..e prometer TUDO o mais que a criatividade alcançar.

  5. Veritas

    5 de outubro de 2026 4:18 pm

    O objetivo publicamente divulgado da extrema direita era obter maioria no Senado. Conseguiram 51 senadores do total de 81, o suficiente para alterar a Constituição da maneira que quiserem e governarem o Brasil, interferindo na legislação de terras raras, no Executivo e seus projetos, no Judiciário e suas competências.
    O objetivo da extrema direita foi atingido nesta última eleição, utilizando estratégia militar. Jogaram bombas golpistas no STF, investigando o ministro Xandão, sem autorização do plenário, na Polícia Federal, destituindo o diretor, sem previsão legal, e imobilizando a PGR, afastando o PGR sem motivos suficientes das ações do caso Banco Master.
    Enquanto todos tentavam apagar estes três focos de incêndio institucional e a mídia para eles se voltavam, a campanha dos candidatos a senador de extrema direita, por meio das redes referidas, sem vergonha e sem cidadania, avançou e obteve êxito, propalando a necessidade de mudanças. Esta situação evidencia a enorme dificuldade atual de termos eleições verdadeiramente democráticas quando estamos diante destas máquinas de doutrinação e lavagem cerebral que muitos chamam de igrejas evangélicas e redes sociais, com apoio da mídia hegemônica.
    Através das suas igrejas de evangélicos capturados, de simpatizantes doutrinados com fake News diárias em suas redes sociais e do uso de agrados a determinados grupos, mediante a injeção de recursos públicos por meio de emendas parlamentares em projetos de interesse privado, não necessariamente público,(emendas parlamentares que já atingem 45 bilhões anuais), e possivelmente, por intermédio do uso de recursos afanados dos fundos do Master, os extremistas de direita atingiram a maioria do Senado.
    Dado o fato de que a bancada de extrema direita pode mudar a Constituição, sem nenhum poder de veto do Presidente da República, e legislar do modo que quiser sobre vários temas fundamentais, podemos dizer que a extrema direita, através desta maioria, governará o Brasil pelos próximos 8 anos. O Presidente da República, seja Flávio seja Lula, ou o sucessor do próximo presidente, será o garçon desta bancada em várias situações.
    Que a esquerda tente formar bancada de senadores desde já, para as eleições de renovação de 1/3 do Senado daqui a 4 anos e dos outros 2/3 daqui a 8 anos. Acabar com a escala 6×1, apontar para a neoindustrialização das terras raras, dos fármacos dos nossos biomas e dos frutos de nossa agroindústria, a desfinanceirização de nossa economia, e a descolonização de nossa política e desfeudalização de nossa sociedade para eleger Lula no segundo turno. Acabar com as emendas parlamentares exorbitantes é um segundo passo. Garantir um STF independente das hegemonias políticas do Congresso, é um terceiro passo para termos um Estado democrático de Direitos no Brasil. Agora está na hora de criar as redes nacionais desenvolvimentistas, de costurar a base social dinâmica e esperançosa do plano de metas que Nassif propôs. Esta rede nacional desenvolvimentista diluirá a rede alienada de viciados em redes sociais e em doutrinas evangélicas, em teologias da prosperidade e em igrejas neopentecostais e desfará amaioria de extrema direita do Senado. A construção desta rede dinâmica de desenvolvimento da nação, apontando para projetos concretos de esperança levantará do sofá os que não votaram ou se abstiveram. Sem ação no bem, só com palavras de alerta ou discursos mostrando denúncias e diferenças, não se comunica verdadeiramente.

  6. Jordan Fabrício Martins

    5 de outubro de 2026 8:20 pm

    Então declaradamente LN/GGN assumem que fazem “Jornalismo” parcial, pró PT/Lula.
    É isso?

  7. fabricio coyote

    5 de outubro de 2026 9:15 pm

    os grandes vitoriosos foram andré mendonça, que jogou o stf na eleição e pespegou o governo, boçalnaro, bets e o PL.

    a capacidade de transferência de votos no boçal é sintoma de que a Democracia tremula. mas não durará pois os boçais não possuem capacidade de formular utopias, senão distopias

    outros vitoriosos: Érika Hilton, Jones Manoel, Renato Freitas, a juventude preta resiste e temos de ter orgulho de suas vitórias. As mulheres aumentando as bancadas, tanto à direita quanto à esquerda, um solfejo de esperança.

  8. Rui Ribeiro

    8 de outubro de 2026 8:03 am

    Sobre o comentário de Veritas:

    Sua análise fecha o ciclo que você começou lá atrás, quando falou da materialidade. Você saiu do asfalto da vila e chegou no Senado. E a ligação entre os dois é direta.

    Vamos organizar o que você descreveu, porque tem parte que é fato institucional, parte que é diagnóstico político e parte que é projeto.

    ### O fato institucional que você aponta: 51 senadores

    Se confirmado, 51 de 81 muda tudo, mas não exatamente do jeito que parece.

    Para PEC, o Brasil exige *3/5 em dois turnos nas duas Casas*. 49 no Senado e 308 na Câmara. Então 51 no Senado dá folga para aprovar no Senado, mas ainda precisa construir maioria na Câmara. Por isso você viu movimento duplo: PEC da Blindagem passando na Câmara e PEC que tira competência criminal do STF avançando no Senado. Uma precisa da outra.

    O que 51 garante sozinho, sem Câmara:

    – Aprovar ou barrar impeachment de ministro do STF – precisa de 54 votos para condenar, 51 já é quase lá e cria pressão
    – Aprovar indicações para STF, PGR, diretoria do Banco Central, agências
    – Barrar qualquer projeto do Executivo que precise do Senado

    É por isso que você usa a metáfora do “garçon”. Não é que o Presidente não governe. É que para qualquer projeto que envolva terras raras, marco de fármacos dos biomas, ou mudança na escala 6×1, ele vai ter que negociar cada vírgula com essa maioria. Sem isso, não passa.

    E sim, emenda à Constituição não tem veto presidencial. Uma vez que Senado e Câmara aprovam, promulga.

    ### A estratégia militar que você descreve

    Você listou três frentes como “bombas”: investigação do Xandão sem aval do plenário, destituição do diretor da PF, e afastamento do PGR no caso Master.

    Do ponto de vista institucional, isso foi lido como a tática clássica de *criar múltiplos focos de crise para dividir a atenção*. Enquanto a imprensa e o governo apagavam incêndio no STF, na PF e na PGR, a campanha territorial dos senadores – com a máquina de emendas de R$ 45 bi, igrejas e redes – correu solta, sem contraditório nacional.

    É a mesma lógica da vila: enquanto todos olham para o barulho na praça central, a retroescavadeira trabalha no bairro.

    Sobre igrejas e redes que você chama de “máquina de doutrinação”: o dado material por trás é o tempo de exposição. Pesquisa eleitoral não mede, mas o eleitor de igreja neopentecostal tem 4 cultos por semana + grupo de WhatsApp diário. Nenhum partido de esquerda tem capilaridade equivalente hoje. A esquerda tinha isso com sindicato e CEBs nos anos 80. Hoje não tem.

    ### Seu projeto: o que é viável nos próximos 8 anos?

    Você propõe 4 eixos, e vale separar por horizonte:

    *1. Curto prazo – salvar o STF e as emendas*
    Acabar com emendas exorbitantes e garantir STF independente é pauta que une até parte da direita fisiológica, que também está sendo investigada. É a janela onde Dino ganhou tração. É onde 51 vs 49 menos importa, porque é pauta de Supremo.

    *2. Médio prazo – rede desenvolvimentista*
    O que você e o Nassif chamam de “rede nacional desenvolvimentista” é a tentativa de refazer a base material de esperança. Não adianta falar “vamos desfinanceirizar” ou “neoindustrializar terras raras” como slogan. Precisa ser projeto concreto na vila: aqui vai ter fábrica de potássio, aqui vai ter laboratório de fármaco da Amazônia, aqui acaba a 6×1 porque a fábrica vai trabalhar em 3 turnos.

    Isso tira gente do sofá porque cria interesse material, não só denúncia. É o oposto do asfalto que foi levado embora – é o asfalto que fica porque tem fábrica no fim dele.

    *3. Longo prazo – Senado*
    Você está certo no calendário: daqui a 4 anos renova 1/3, 27 cadeiras. Daqui a 8 anos, 2/3, 54 cadeiras. Quem tem 51 hoje pode cair para 35 se não entregar. Por isso a esquerda precisaria começar agora a plantar candidatos a senador ligados a esses projetos territoriais, não a nomes nacionais.

    Sem isso, seu diagnóstico final se confirma: o presidente, seja Lula ou Flávio, governa como síndico de um condomínio cuja maioria do conselho é de oposição. E o condomínio dura 8 anos.

    Você já viu na sua vila o que acontece quando quem tem a retroescavadeira perde e leva embora. Agora imagina isso em escala nacional, com R$ 45 bi por ano de retroescavadeira.

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