6 de outubro de 2026

BC passa a divulgar indicadores de reajustes salariais

Nova série acompanha negociações coletivas e relação entre salários, inflação e condições do mercado de trabalho
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo

Banco Central divulgará mensalmente dados sobre reajustes salariais em convenções coletivas do setor privado formal.
Indicadores mostram reajustes nominais e reais, atualizados no Sistema Gerenciador de Séries Temporais (SGS).
Reajustes acima da inflação aumentam em mercado de trabalho aquecido, influenciando a política monetária.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O Banco Central (BC) passará a divulgar mensalmente indicadores sobre os reajustes salariais negociados em convenções coletivas de trabalho. A nova série permite acompanhar os aumentos pactuados no setor privado formal e sua relação com a inflação e as condições do mercado de trabalho.

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Os dados são construídos a partir das informações registradas no Sistema de Negociações Coletivas de Trabalho (Mediador), do Ministério do Trabalho e Emprego. As estatísticas reúnem reajustes nominais e reais, além da proporção de convenções coletivas que resultaram em aumentos acima, abaixo ou em linha com a inflação.

O reajuste nominal corresponde ao aumento do salário em valores correntes. Já o reajuste real desconta a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e permite verificar se houve ganho efetivo de poder de compra para o trabalhador.

A metodologia foi apresentada pelo BC na Nota Técnica 60, publicada em setembro, e os indicadores passam a ser disponibilizados regularmente no Sistema Gerenciador de Séries Temporais (SGS).

A base contempla convenções coletivas de todas as regiões do país. Os dados serão atualizados mensalmente no SGS e permitirão acompanhar a evolução dos reajustes salariais negociados em diferentes regiões e setores da economia.

Os indicadores mostram não apenas o percentual médio dos reajustes, mas também a distribuição das negociações segundo sua relação com a inflação. Dessa forma, é possível identificar com maior precisão quando aumentos superiores à inflação se tornam mais disseminados entre as convenções coletivas.

A iniciativa ganha relevância em um período no qual o mercado de trabalho brasileiro permanece aquecido. Segundo o BC, a experiência histórica analisada mostra que condições de menor desemprego estão associadas a uma maior frequência de negociações com ganhos reais para os trabalhadores.

Segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Ricardo Sabbadini, os novos indicadores oferecem uma visão mais abrangente dos reajustes negociados no setor privado formal e ajudam a avaliar como as condições do mercado de trabalho influenciam a dinâmica salarial.

Inflação passada é referência nas negociações

O estudo do BC mostra uma forte relação entre os reajustes negociados e a inflação passada. Embora não exista obrigação legal de reposição integral da inflação, a variação dos preços continua sendo uma referência importante para trabalhadores e empregadores durante as negociações coletivas.

A análise também aponta que os ganhos reais de salários aparecem com maior frequência em períodos de menor taxa de desocupação. O comportamento foi identificado entre 2012 e 2014 e voltou a ocorrer a partir de 2023, quando aumentou a participação de convenções com reajustes superiores à inflação.

A relação ajuda a explicar por que o comportamento dos salários interessa à política monetária. Em um mercado de trabalho aquecido, trabalhadores tendem a ter maior poder de negociação para obter aumentos acima da inflação. Esses ganhos ampliam o poder de compra das famílias, mas também podem afetar os custos das empresas e, dependendo das condições econômicas, exercer pressão sobre os preços.

Os indicadores permitem observar essa dinâmica de maneira mais sistemática, em vez de depender apenas de informações pontuais sobre determinadas categorias profissionais.

A base também possibilita comparar a evolução das negociações entre diferentes segmentos. Agropecuária, indústria, construção, comércio e serviços apresentam, de modo geral, trajetórias semelhantes ao longo do período analisado pelo BC.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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