2 de outubro de 2026

Entidades civis ajuízam ação para suspender licenças de mineradoras de terras raras em MG

Órgão exige laudo radiológico federal para resíduos em projetos que ameaçam comunidades tradicionais no Sul de Minas
Terras raras - Poços de Caldas

▸ MPF de Poços de Caldas pede suspensão do licenciamento ambiental de projetos de terras raras da Viridis e Meteoric em MG.

▸ Ação contesta ausência de laudo técnico federal e alerta para risco radioativo acima do limite da CNEN nos projetos.

▸ MPF defende proteção de comunidades tradicionais e alega que licenciamento é competência exclusiva da União e do Ibama.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Associações e outras entidades civis e coletivas sediadas no entorno de Poços de Caldas (MG) acionaram a Justiça para suspender o licenciamento ambiental de dois grandes projetos de exploração de terras raras no Sul do estado. A medida atinge as mineradoras australianas Viridis e Meteoric, responsáveis, respectivamente, pelos projetos Colossus, em Caldas, e Caldeira, em Poços de Caldas. As informações foram divulgadas pela jornalista Tânia Malheiros em seu blog.

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A ação civil pública contesta a condução do processo pelo governo estadual e aponta riscos de contaminação radioativa e impacto social sobre populações tradicionais da região.

Falta de laudo técnico federal e risco radioativo

O ponto central da contestação é a atuação da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN). O órgão ministerial exige que a autarquia federal apresente um parecer técnico conclusivo, e não meramente preliminar, sobre a atividade radiológica total dos resíduos e efluentes gerados pelas operações.

Estudos apresentados no processo indicam que o método de lixiviação usado para separar as terras raras manipula minérios com presença de urânio (U-238) e tório (Th-232). Em amostras do projeto da Meteoric, a atividade radiológica registrou até 13,74 Bq/g, valor que ultrapassa o limite nacional de controle estabelecido pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).

A ação criticou a postura da ANSN de abrir mão de sua competência regulatória em prol do sistema ambiental mineiro (Semad), uma vez que a autarquia incorre em contradição ao emitir notas que isentam os projetos de controle radiológico estrito ao mesmo tempo em que admite a necessidade de estudos complementares no futuro. Consequentemente, essa atitude “transfere indevidamente o risco da atividade nuclear para a coletividade“.

Impacto social e vício de competência

Além dos riscos radiológicos, a ação busca garantir a proteção do Quilombo de Barreirinhos, de famílias ciganas do Povo Calon e de comunidades indígenas da região, assegurando que não ocorram danos ambientais e sociais irreparáveis.

O coletivo defende ainda a paralisia do licenciamento por vício de competência. Como os empreendimentos manipulam material radioativo e geram impactos hídricos que podem ultrapassar as divisas estaduais, o órgão entende que a atribuição de licenciar a atividade é exclusiva do Ibama e da União, e não do governo estadual.

A ação foi protocolada em conjunto com diversas entidades da sociedade civil, incluindo o Instituto Guaicuy, a Federação das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais (N’Golo), a Aliança em Prol da APA Pedra Branca, a Associação Poços Sustentável, o Planeta Solidário, a Associação Anjos de Focinho de Vargem Grande do Sul e a Bikers Mogiana.

Parecer

O Ministério Público Federal (MPF) em Divinópolis, que também atua perante a Subseção Judiciária de Poços de Caldas, manifestou-se no Mandado de Segurança Coletivo nº 6003300-50.2025.4.06.3826 na condição de fiscal da ordem jurídica, com base no art. 5º, §1º da Lei 7.347/85. No parecer, o órgão pede que a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) apresente um diagnóstico técnico conclusivo sobre a atividade radiológica total dos resíduos e efluentes dos projetos Colossus, da Viridis, em Caldas, e Caldeira, da Meteoric, em Poços de Caldas. Segundo o MPF, esse levantamento exaustivo é indispensável para que se possa eventualmente deslocar a competência ambiental do licenciamento do âmbito estadual para o federal.

O parecer não afirma que o licenciamento deva passar a ser conduzido pelo Ibama, nem aponta falhas identificadas no processo que tramita hoje no âmbito estadual. A preocupação do MPF está centrada na ausência de um diagnóstico técnico completo por parte da ANSN quanto à isenção de controle radiológico atestada até agora apenas de forma preliminar. Para o órgão, é necessário confirmar se os índices de radioatividade das atividades das mineradoras ficarão, de fato, dentro dos limites estabelecidos pela legislação.

Com base no princípio da precaução, o MPF defende que a incerteza técnica sobre esse ponto exige cautela até que dados mais precisos estejam disponíveis. O parecer argumenta que, havendo dúvida técnica fundamentada e pendência de atos fiscalizatórios confirmatórios pela própria ANSN, cabe à regulação nuclear se pronunciar de forma definitiva antes que o licenciamento avance.

Por essas razões, o MPF se manifestou pela suspensão do licenciamento até que a ANSN realize as fiscalizações necessárias para comprovar que os níveis de elementos radioativos gerados pela extração e pelo beneficiamento de terras raras estão dentro dos padrões de segurança. O parecer conclui que somente um posicionamento técnico conclusivo, definitivo e motivado sobre o enquadramento radiológico do material estocado e processado permitirá definir a questão central do caso: a quem cabe a competência para o licenciamento dos projetos.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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3 Comentários
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  1. baader

    9 de setembro de 2026 7:02 am

    Bom dia, podia relacionar as “associações e outras entidades civis e coletivas”, podia fazer matérias mostrando caminho de ações como estas que conseguiram intento de frear poder econômico, pelo país afora. Grato.

    1. Lourdes Nassif

      9 de setembro de 2026 10:48 am

      “A ação foi protocolada em conjunto com diversas entidades da sociedade civil, incluindo o Instituto Guaicuy, a Federação das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais (N’Golo), a Aliança em Prol da APA Pedra Branca, a Associação Poços Sustentável, o Planeta Solidário, a Associação Anjos de Focinho de Vargem Grande do Sul e a Bikers Mogiana.”

  2. Cidadão sem cidadania

    13 de setembro de 2026 12:44 pm

    Essas entidades sabem que a justiça vai dizem não , mas essas entidades podem falar pro presidente lula cancelar a vendas, mas as entidades sabem que lula é um entreguistas e nada fará, porque lula continua a entrega do pré sal, minérios variados, está desendustrialização o país e etc , a esquerda é tão entreguistas quanto a direita, mas nós nacionalista de verdade sabemos.

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