6 de outubro de 2026

Democratas atraem voto republicano em disputas ao Senado dos EUA

Pesquisas apontam que entre 9% e 16% dos eleitores republicanos podem votar em candidatos democratas em estados decisivos nas eleições de meio de mandato
Plenário do Senado dos Estados Unidos. Foto: Wikipedia

Democratas ganham até 16% do voto republicano em estados-chave para o Senado, segundo pesquisas recentes nos EUA.
No Kansas, democrata Adam Hamilton empata com o republicano Roger Marshall com 45% das intenções de voto.
Voto anti-MAGA entre republicanos pode ser decisivo, com democratas atraindo até 21% desse grupo em disputas senatorias.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Candidatos democratas estão conquistando parcelas significativas do eleitorado republicano nas principais disputas pelo Senado dos Estados Unidos, segundo pesquisas recentes. O movimento aparece com maior intensidade em estados tradicionalmente republicanos e pode se tornar decisivo nas eleições de meio de mandato de 3 de novembro.

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Pesquisas do New York Times em parceria com o Siena College, divulgadas no fim de semana, mostraram que entre 9% e 16% dos eleitores republicanos considerados prováveis votantes declararam preferência pelo candidato democrata em cinco estados estratégicos: Alasca, Iowa, Kansas, Ohio e Texas.

Levantamento da CNN sobre as pesquisas disponíveis em cada estado mostra que candidatos democratas conquistam mais de 10% do voto republicano em quatro das principais disputas pelo Senado. Nas dez corridas consideradas mais importantes, os democratas obtêm, em média, pelo menos 9% dos votos entre eleitores republicanos em sete delas.

O fenômeno é especialmente relevante porque ocorre em um momento de dificuldades de popularidade do presidente Donald Trump entre sua própria base, segundo os levantamentos citados pela CNN.

Um dos casos mais expressivos está no Kansas, estado que Trump venceu por 16 pontos percentuais em 2024 e que tradicionalmente é considerado um território seguro para os republicanos.

A pesquisa do New York Times-Siena mostrou o democrata Adam Hamilton empatado com o senador republicano Roger Marshall, ambos com 45% das intenções de voto entre os eleitores prováveis. O candidato libertário aparece com 5%.

Hamilton teria conseguido atrair 16% dos republicanos registrados e 10% dos eleitores que se identificam como republicanos. Marshall, por sua vez, recebeu apenas entre 2% e 3% dos democratas, de acordo com o levantamento.

O movimento não se restringe ao Kansas – e já é visto em estados como Iowa, Alasca, Geórgia, Carolina do Norte, Ohio, Texas e, com menos intensidade, em New Hampshire, Maine e Michigan.

Voto anti-MAGA pode ser decisivo

Uma parcela particularmente importante para os democratas é formada pelos republicanos que não se identificam com o movimento MAGA, associado a Trump.

Pesquisas da Fox News que separam os eleitores republicanos entre MAGA e não-MAGA mostram que quatro candidatos democratas estão conquistando pelo menos 21% do segundo grupo – o que chama atenção porque o desempenho dos democratas entre republicanos nas disputas pelo Senado é significativamente superior ao registrado na chamada “cédula genérica”, pesquisa nacional que pergunta ao eleitor se prefere um candidato democrata ou republicano sem apresentar nomes específicos.

Nos levantamentos nacionais recentes de maior qualidade, os democratas conquistam em média cerca de 4% do voto republicano nessa disputa genérica.

O movimento também remete às eleições de meio de mandato de 2018, quando os democratas conquistaram parcelas de dois dígitos do eleitorado republicano em vários estados. Naquele ano, os democratas receberam 17% dos votos republicanos na Virgínia Ocidental, 12% no Arizona, 11% em Ohio e na Pensilvânia e 10% em Wisconsin, segundo pesquisas de boca de urna.

Apesar de terem conquistado mais de 40 cadeiras na Câmara e se beneficiado de um ambiente eleitoral favorável no primeiro midterm do governo Trump, os democratas perderam duas cadeiras no Senado em 2018, porque disputavam vagas em estados fortemente republicanos.

Contudo, a CNN norte-americana faz uma ressalva: pesquisas das últimas eleições presidenciais nos Estados Unidos frequentemente subestimaram o apoio aos republicanos.

Uma das possíveis explicações é que os institutos tenham conseguido estimar corretamente a proporção total de republicanos na amostra, mas não tenham alcançado eleitores suficientemente alinhados a Trump. Ainda assim, a transferência de votos republicanos para candidatos democratas pode ser um dos elementos centrais para explicar uma eventual derrota republicana em disputas consideradas competitivas.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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