4 de junho de 2026

Uma meta hollywoodiana no script do G20

Jornal GGN – Uma meta de geração de US$ 2 trilhões de dólares em cinco anos. Assim, otimistas, as maiores economias do planeta fecharam suas atividades esta semana em Sydney, Australia, em reunião do G20. Além das cifras altas, os ministros e líderes financeiros das nações mais poderosas do mundo também falaram em alta geração de empregos, sinalizando que os temores são coisas do passado.

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Mas são mesmo? Conversamos com José Roberto de Araújo Cunha Junior, professor da Fia (Fundação Instituto de Administração) e membro do PROCEB – Programa de Comércio Exterior Brasileiro para entender melhor as mensagens do grupo ao mundo com seu documento final, bem como os agitados bastidores da reunião.
 
O senhor acredita na meta de US$ 2 trilhões nos próximos anos?
 
O clima é, de fato, mais ameno, mais confiante. O pior da crise realmente passou. Mas ainda assim, as cifras surpreendem. De qualquer maneira, o G20 responde por 85% da economia global, é natural que desejem passar uma mensagem positiva e confiante ao mercado.
 
Não foi estipulada nenhuma cota de projeção de crescimento aos países participantes do grupo. Isso não pode causar uma certa confusão, futuramente?
 
Houve uma falha no passado com a imposição de acordos fiscais e alguns objetivos que sequer foram cumpridos, desde que firmados. Talvez por isso, e até para conseguir acumular este capital proposto em cinco anos, as nações estejam mais livres para apostar seus investimentos em prol do crescimento global, sem a pressão de números a serem atingidos.
 
Países como o Brasil e outros Brics foram citados de maneira negativa, como “decepções do FMI”. Mas outras nações também não decepcionaram com seus resultados tímidos?
 
O grande problema é que nosso prestígio anda em baixa lá fora, especialmente porque nossa política externa preza menos contato internacional. Mas sim, outros países também não deixaram o Fundo Monetário Internacional satisfeito, dadas suas porcentagens de crescimento bastante modestas.
 
O secretário do tesouro norte-americano causou polêmica em Sydney ao afirmar que os países emergentes precisavam de uma política monetária própria e mais eficiente para se proteger das oscilações de mercado. O senhor concorda com isso?
 
A diplomacia nunca foi um ponto forte dos Estados Unidos, devemos concordar. Mas num ponto, eles têm razão: os países emergentes precisam, sim, se uma estratégia definida para que se defendam e protejam suas moedas das mudanças de humor do mercado e principalmente do dólar. Talvez a maneira como isso foi colocado não tenha sido das mais elegantes. No entanto, ele tem razão quando cita a fragilidade dos países em desenvolvimento e suas economias.
 
O Brasil participou ao final desta semana de mais um desdobramento do G20 sobre corrupção nas economias do mundo. Poderemos tirar algum fruto real disso?
 
Naturalmente, são discussões de longo prazo, em que nem todos os países que participam acabam cumprindo métricas e acordos ali fechados. Mas é preciso sempre anunciar que sim, tiraremos lições e aplicaremos – mesmo que elas não tenham nenhuma efetividade ou aplicação dentro de nossa realidade política e econômica.
 
E para quando podemos esperar um Brasil realmente atuante no G20?
 
A pequeno e médio prazos, acho difícil que o Brasil consiga ter algum poder de influência no G20. Nossa política internacional ficou menos ativa, menos intensa pós-governo Lula, bem como nossos números não têm correspondido às expectativas do mercado. Essa, infelizmente, é a pergunta mais fácil de responder. Precisaremos de uma política monetária diferenciada para voltarmos a encher os olhos do mundo outra vez.
 
Na reforma do FMI, o poder de voto do Brasil vai subir de algo como 1,8% para 2,3%. No entanto, ela precisa ser aprovada pelo Congresso americano. Segundo especialistas, quem terá e tem influência de fato é a China, pelo tamanho da economia e importância geopolítica. A reforma do Conselho de Segurança da ONU, ainda segundo os analistas consultados pela Agência Dinheiro Vivo, deve demorar muito tempo. O Brasil terá aos poucos mais influência, o que ainda deve demorar muito e será seguido de limitações.
 

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

2 Comentários
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  1. DUDE

    3 de março de 2014 5:46 pm

    CRESCER É POSSÍVEL, MAS E A SUSTENTABILIDADE?

    Parece que o PIB é uma obsessão interminável, máxime na visão capitalista e consumista que domina o mundo atualmente.

    O importante, no entanto, é o IDH, pois temos que manter as condições de vida e desenvolvimento de todos nós, humanos, e a vida vegetal e animal que existe em nosso planeta.

    Essas metas são ridículas,quando a pegada ecológica do EEUU é de 9,5, quando o máximo que o planeta pode aguentar é de 1,7. Ora, até o Brasil, por aqui, já bate em 2,4. E a média o mundo, graças a países como o Tio Sam e a China, é de 2,1.

    Não vejo com bons olhos metas de crescimento, sem sustentabilidade.

    Crescer e amontoar riquezas é um festival besterol que não nos leva a risos, mas a uma tristeza com o traçado dos destinos da humanidade.

    Hoje, já sentimos, com o calor que está fazendo aqui no sudoeste, a ausência de chuvas, o grave problema do risco pelos horizonetes do fim da perenidade dos rios, como será nosso futuro insustentável.

    Crescer com sustentabilidade é este o desafio. No demais, convém mesmo até encolher.

     

  2. Miguel A. E. Corgosinho

    6 de março de 2014 3:04 pm

     “Uma meta de geração de US$

     “Uma meta de geração de US$ 2 trilhões de dólares em cinco anos. Assim, otimistas, as maiores economias do planeta fecharam suas atividades esta semana em Sydney, Australia, em reunião do G20”

    Na representação de US$ 2 trilhões de dólares não há números reais que podem ser fundados separadamente em uma espécie de ser dos contextos de geração de dólares. Portanto, como é possível fazer a forma existencial do G20? 

    Essa inversão só de modo derivado, e não como emergentes de potência econômica.

    “Não foi estipulada nenhuma cota de projeção de crescimento aos países participantes do grupo. Isso não pode causar uma certa confusão, futuramente?”

    Há uma resposta previsível? introduzirão estes países sobre a genese histórica de países a serem falidos pelo valor do mercado financeiro.

    Para incluir na mensagem que se passa para o crescimento do G20, sugiro os países que atualmente se destacam com esse contexto jornalistico, a propósito de exemplos de valor da produção quantificada, e que geram um caminho comum para se encontrarem nesse meio empírico de reproduzir a subsistência com a divida anexa: Grecia, Portugal, Espanha, Argentina, Venezuela, Ucrânia – Fantam alguns que entrarão em evidência.

    Alias, o capitalismo como base de toda história dos países não faz guerra e não faz nada, só possui as riquezas. O homem casual e os criticos é que fazem as guerras para alcançar a reprodução de sua existência física e derrubam os chefes de governos endividados.

    Acredito que uma crescente massa de pessoas confiam em tudo que diz a mídia, e o modo de exprimir as suas vidas passará despercebido, afinal o que elas são como meio de realizar a sua origem de crescimento coincide com o modo que o capital externo regula a sua necessidade e a exploração do Estado.

    Para o G20: “Uma meta de geração de US$ 2 trilhões de dólares em cinco anos”.

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