4 de junho de 2026

EUA, a extrema direita e a crise na Ucrânia

Sugerido por Diogo Costa

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Do Outras Palavras

 
POR MAX BLUMENTHAL

Obcecada com vitória geopolítica na Europa Oriental, Washington envolveu-se com grupos que defendem “supremacia branca” e atacam comunistas, anarquistas e judeus

Por Max Blumenthal, no Alternet | Tradução Cauê Seignemartin Ameni

Quando os protestos na capital da Ucrânia chegaram a um desfecho, este fim-de-semana, as demonstrações de extremistas fascistas e neo-nazistas assumidos tornaram-se evidentes demais para serem ignoradas. Desde o início dos protestos, quando manifestantes lotaram a praça central para combater a polícia ucraniana e exigir a expulsão do corrupto presidente pró-russia Viktor Yanukovich, as ruas estavam cheias de pelotões de extrema-direita, prometendo defender a pureza étnica de seu país.

Bâners dos partidários da “supremacia branca” e bandeiras dos confederados norte-americanos [escravocratas] foram fixadas dentro da prefeitura de Kiev ocupada. Manifestantes içaram bandeiras da SS nazista e símbolos do poder branco sobre a estátua tombada de Lenin. Depois que Yanukovich fugiu do palácio estatal de helicóptero, os manifestantes destruíram a estátua dos ucranianos que morreram lutando contra a ocupação alemã durante a Segunda Guerra Mundial. Saudações nazistas e o símbolo do Wolfsangel tornaram-se cada vez mais comuns na praça Maiden. Forças neo-nazi estableceram “zonas autonômas” em torno de Kiev.

Um grupo anarquista chamado União Ucraniana Antifascista tentou juntar-se aos manifestantes de Maiden, mas encontrou dificuldades, com ameaças de violência das gangs neo-nazis itinerantes da praça. “Eles disseram que os anarquistas são gente como judeus, pretos e comunistas. E nem havia comunistas entre nós, foi um insulto”, ”, disse um integrante do grupo.

“Está cheio de nacionalistas aqui — incluindo nazistas”, continuou o antifascista. “Eles vieram de toda Ucrânia, e são cerca de 30% dos manifestantes.”

Um dos “três grandes” partidos políticos por detrás dos protestos é o ultra-nacionalista Svoboda, liderado por Oleh Tyahnybok, que clama pela “libertação” de seu país da “máfia judaico-moscovita”. Após a condenação, em 2010, de John Demjanjuk, um vigilante dos campos de extermínio que teria participado da morte de 30 mil pessoas no campo de extermínio nazista de Sobibor, Tyahnybok propôs à Alemanha  declará-lo um herói que “lutou pela verdade”. No parlamento ucraniano, onde o Svoboda detém inéditos 37 assentos, o vice de Tyahnybok, Yuiy Mykhalchyshyn, cita com frequência Joseph Hoebbels. Ele próprio fundou um thinktank originalmente chamado de Centro de Pesquisa Política Goebbels. Segundo Per Anders Rudling, acadêmico especialista em movimentos neofascista na Europa, o auto-intitulado “nacional socialista” Mykhalchyshyn é o principal elo entre a ala oficial do partido Svoboda e as milícias neonazistas, como o Right Sector.

 

Right Sector é um grupo nebuloso, que se auto-intitula “nacionalista autônomo”. Seus membros são identificados pelo jeito skinhead de trajar, estilo de vida ascético e fascínio pela violência nas ruas. Armado com escudos e porretes, o grupo ocupou as linhas de frente das batalhas nas manifestações deste mês, enchendo o ar com seu tradicional canto: “A Ucrânia, acima de tudo!”. Em um vídeo-propaganda recente [veja abaixo], o grupo prometeu lutar “contra a degeneração e o liberalismo totalitário, pela tradição moral nacional e os valores familiares.” Com o Svoboda ligado a uma constelação de partidos neofascistas internacionais por meio da Aliança dos Movimentos Nacionais Europeus, o Right Sector promete levar seu exército de jovens desiludidos a “uma grande Reconquista Europeia”.

As políticas abertamente pró-nazistas do Svoboda não impediram o senador americano John McCain, de falar num comício do partido, ao lado de Tyahnybok; nem evitaram que a secretária-assistente do Estado, Victoria Nuland, desfrutasse de um encontroamigável com o líder do Svoboda, em fevereiro. Ansioso por se defender de acusações de anti-semitismo, o dirigente hospedou recentemente o embaixador israelense da Ucrânia. “Eu gostaria de pedir aos israelenses que respeitassem também nossos sentimentos patriotas”, Tyahnybok observou. “Provavelmente, todos os partidos do Knesset [parlamento de Israel] são nacionalistas. Com a ajuda de Deus, deixe-nos ser assim também.”

Numa conversa telefônica vazada com o embaixador dos EUA na Ucrânia, Geoffrey Pyatt, Nuland revelou seu desejo de que Tyahnybok permaneça “do lado de fora”, mas que se consulte com Arseniy Yatsenyuk, o preferido dos EUA para substituir Yanukovich, “quatro vezes por semana.” Em 5 de dezembro de 2013, na Conferência da Fundação EUA-Ucrânia, Nuland destacou que Washington havia investido 5 bilhões de dólares para “desenvolver habilidades e instituições democráticas” na Ucrânia, embora não tenha acrescentado nenhum detalhe.

“O movimento da praça Maiden incorporou os princípios e valores que são os pilares de todas as democracias livres”, proclamou Nuland.

Duas semanas depois, 15 mil membros do Svoboda realizaram uma cerimôniacom tochas na cidade de Lviv, em homenagem a Stepan Bandera, colaborador nazista da Segunda Guerra Mundial e então líder da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN-B), pró-fascista. Lviv tornou-se o epicentro das atividades neo-fascistas na Ucrânia, com os dirigentes eleitos do Svoboda liderando uma campanha para renomear o aeroporto (em homenagem ao líder fascista) e a antiga Praça da Paz. Isso, eles já conseguiram. Ela honra, agora, o Batalhão Nachtigall, rememorando um grupo, ligado à OUN-B, que participou diretamente do Holocausto. “Paz’ é um resquício dos estereótipos soviéticos”, explicou um deputado do Svoboda.

Reverenciado pelos nacionalistas ucranianos como legendário lutador da liberdade, a verdadeira história de Bandera foi infame, na melhor das hipóteses. Depois de participar da campanha para assassinar ucranianos que defendiam a pacificação com os poloneses, durante a década de 1930, as forças de Bandera determinaram-se a  limpar etnicamente a Ucrânia ocidental dos poloneses, entre 1943 e 1944. No processo, mataram mais de 90 mil poloneses e muitos judeus, a quem o seguidor  mais destacado de Banderas, o “primeiro ministro” Yaroslav Stetsko, estava determinado a exterminar. Bandera aferrou-se à ideologia fascista mesmo nos anos do pós-guerra, defendendo uma Europa etnicamente pura e totalitária, enquanto o Exército Insurgente Ucraniano (UPA), ligado a ele, travava uma luta armada sem futuro contra a União Soviética. O banho de sangue só cessou quando agentes da KGB o assassinaram em Munique, em 1959.

As conexões da Direita

Muitos membros sobreviventes da OUN-B fugiram para a Europa Ocidental e para os EUA – por vezes, com ajuda da CIA –, onde forjaram silenciosamente alianças políticas com elementos da direita. “Você tem que entender, nós somos uma organização subterrânea. Nós passamos anos em silêncio, alcançando posições de influência”, disse um membro ao jornalista Russ Bellant, que documentou o ressurgimento do grupo nos Estados Unidos, em seu livro de 1988, Velhos nazistas, Nova Direita, e o Partido Republicano.

Em Washington, a OUN-B reconstitui-se sob a bandeira do Comitê do Congresso Ucraniano para os EUA [Ukrainian Congress Committee of America (UCCA)], uma organização composta por “frentes 100% OUN-B”, segundo Bellant. Em meados da década de 1980, o governo Reagan ligou-se a membros da UCCA. O líder do grupo, Lev Dobriansky, serviu como embaixador nas Bahamas, e sua filha, Paula, teve um posto no Conselho de Segurança Nacional. Reagan recebeu pessoalmente Stetsko, o líder banderista que supervisionou o massacre de 7 mil judeus em Lviv, na Casa Branca, em 1983.

“Seus problemas são nossos problemas”, disse Reagan para o colaborador nazista. “Seu sonho é o nosso sonho.”

Em 1985, quando o Departamento de Justiça lançou a cruzada para capturar e processar os criminosos de guerra nazistas, a UCCA agiu rapidamente, pressionando o Congresso a travar a inciativa. “A UCCA também tem desempenhado um papel de liderança na oposição de investigações federais dos supostos criminosos de guerra nazistas, desde o início da relação entre as entidades, no final dos anos 1970″, escreveu Bellant. “Alguns membros da UCCA têm muitas razões para se preocupar. Elas remontam a 1930.”

Ainda hoje uma força lobista ativa e influente em Washington, a UCCA não parece ter abandonado sua reverência pelo nacionalismo banderista. Em 2009, no 50º aniversário da morte de Bandera, o grupo proclamou-o “um símbolo de força e justiça para seus seguidores”, que “continua inspirando a Ucrânia hoje em dia”. Um ano depois, o grupohomenageou o 60º aniversário da morte de Roman Shukhevych, o comandante do Batalhão Nachtigall da OUN-B, que massacrou judeus em Lviv e Belarus, chamando-o de “herói” que “lutou pela honra e justiça…”

De volta a Kiev em 2010, o então presidente Viktor Yuschenko concedeu a Bandera o título de “Herói Nacional da Ucrânia”, marcando o ponto culminante dos seus esforços para construir uma narrativa nacional anti-russa capaz de “higienizar” o fascismo da OUN-B. (A esposa de Yuschenko, Katherine Chumachenko, atuou no governo Reagan e foi ex-funcionária da Heritage Foundation, claramente identificada com a direita “neoconservadora”). Quando o Parlamento Europeu condenou a proclamação de Yuschenko como uma afronta aos “valores europeus”, a afiliação ucraniana da UCCA no Congresso Mundial reagiu com indignação, acusando a UE de “reescrever a história da Ucrânia na Segunda Guerra Mundial”. Em seu site, a UCCA tentou rotular os registros históricos da colaboração de Bandera com os nazistas como “propaganda soviética”.

Após a derrubada de Yanukovich neste mês, a UCCA ajudou a organizar comícios em todas as cidades dos EUA, em apoio aos manifestantes. Quando centenas destes marchavam pelo centro de Chicago, alguns agitavam bandeiras da Ucrânia, enquanto outros orgulhosamente carregavam as bandeiras vermelhas e pretas da UPA e OUN-B. “Os EUA apoiam a Ucrânia!” eles gritavam.

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16 Comentários
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  1. Alberto Porem Jr.

    28 de fevereiro de 2014 11:37 am

    Frase do dia.

    “Quem planta vento colhe tempestades”

  2. alfeu

    28 de fevereiro de 2014 11:55 am

    O Espetáculo em Kiev − A Revolução Marrom na Ucrânia

    Redecastorphoto

    http://redecastorphoto.blogspot.com.br/ 24/2/2014, [*] Israel Shamir − Counterpunch“The Spectacle in Kiev − The Brown Revolution in Ukraine”Traduzido por João Aroldo  Kiev “by night”- Opera HouseEu sou um grande fã de Kiev, uma cidade afável de caráter burguês agradável, com seus abundantes pequenos restaurantes, ruas arborizadas limpas e bonomia dos seus beer gardens. Cem anos atrás, Kiev era predominantemente um resortrusso, e algumas áreas centrais mantiveram este sabor. Agora Kiev é patrulhada por bandidos armados da Ucrânia Ocidental, por combatentes do Setor Direita (Pravy Sektor) neonazista, descendentes de Stepan Bandera, soldados traidores ucranianos e por seus camaradas-em-armas locais de caráter nacionalista.   Membro da ABWEHR alemã Stepan Bandera (centro) com uniforme alemão, com a 
    patente de Tenente-Comandante, a ordem alemã da “Cruz de Mérito de 2ª classe com 
    espadas “. Essa ordem alemã era concedida àqueles que exibiam bravura pessoal, sem participar diretamente das hostilidades.Após um mês de confronto, o presidente Viktor Yanukovitch cedeu, assinou a rendição preparada pela UE − e escapou da dura justiça revolucionária por um triz.   Os deputados do partido governista [Partido das Regiões] foram surrados e dispersos, os comunistas quase linchados, a oposição tem o parlamento só para eles, e nomeou novos ministros e tomou conta da Ucrânia. A Revolução Marrom ganhou na Ucrânia. Este grande país do leste europeu de cinquenta milhões de habitantes seguiu o caminho da Líbia.   Os EUA e a UE venceram nesta rodada, e empurraram a Rússia de volta para o leste, exatamente como eles pretendiam.   Resta saber se os bandidos neonazistas que venceram a batalha vão concordar em entregar os doces frutos da vitória para os políticos, que são, Deus sabe, desagradáveis o suficiente. E mais importante, resta saber se as parte leste e sudeste onde se fala russo vão aceitar o domínio Marrom de Kiev, ou vão se separar e seguir seu próprio caminho, como o povo de Israel (segundo a Bíblia) após morte do rei Salomão se rebelou contra o seu herdeiro, dizendo “para as suas tendas, ó Israel!” e proclamou a independência do seu feudo (I Reis 12:16).   Enquanto isso, parece que o desejo da parte leste de preservar a integridade do Estado ucraniano é mais forte do que sua antipatia pelos Marrons vitoriosos. Apesar de terem reunido os seus representantes para o que poderia ser uma declaração de independência, eles não se atrevem a reivindicar o poder. Essas pessoas pacíficas têm pouca resistência para conflitos.   O seu grande vizinho, a Rússia, não parece abertamente preocupada com esse desenvolvimento ameaçador. Ambas as agências de notícias russas, TASS e RIA, nem sequer colocam as terríveis notícias ucranianas no topo, como a Reuters e BBC fazem: para eles, os Jogos Olímpicos e o biatlon eram de maior importância, como você pode ver nessas telas:    A seguir a imagem aumentada:     Esta atitude “avestruz” é bastante típica da mídia russa: sempre que eles se encontram em uma posição embaraçosa, eles escapam mostrando o balé “O Lago dos Cisnes” na TV. Isso é o que eles fizeram quando a União Soviética entrou em colapso em 1991. Desta vez foram as Olimpíadas, em vez do ballet.   A oposição anti Putin na Rússia aprovou entusiasticamente o golpe ucraniano.   Ontem Kiev, amanhã Moscou, cantavam. Maidan (a praça central de Kiev, o local das manifestações antigoverno) é igual a Bolótnaya (uma praça em Moscou, o local das manifestações antigoverno em dezembro de 2012) é outro slogan popular.   A maioria dos russos ficou irritada, mas não surpresa. A Rússia decidiu minimizar seu envolvimento na Ucrânia algumas semanas atrás como se quisessem demonstrar ao mundo sua não interferência. Seu comportamento beirou a imprudência.   Enquanto ministros do exterior de países da UE e seus aliados se reuniam em Kiev, Putin enviou Vladimir Lukin, um emissário de direitos humanos, um político mais velho de baixo escalão com muito pouca influência, para lidar com a crise ucraniana. O embaixador russo, Sr. Zurabov, outra não entidade, desapareceu completamente de vista. (Agora ele foi chamado de volta a Moscou).   Putin não fez nenhuma declaração pública sobre a Ucrânia, tratando-a como se fosse a Líbia ou o Mali, não um país vizinho tão perto do interior da Rússia.   Esta abordagem de não intervenção se poderia esperar: a Rússia não interferiu nas desastrosas eleições ucranianas de 2004, ou nas eleições georgianas que produziram os governos extremamente antirrussos.   A Rússia se envolve apenas se houver uma verdadeira batalha em campo, e um governo legítimo pede ajuda, como na Ossétia, em 2008, ou na Síria, em 2011. A Rússia apoia aqueles que lutam por sua causa, caso contrário, a Rússia, de maneira um pouco decepcionante, fica de lado.   O Ocidente não tem tais inibições, e seus representantes foram extremamente ativos: a representante do Departamento de Estado dos EUA, Victoria “Foda-UE” Nuland passou dias e semanas em Kiev, dando biscoitos aos insurgentes, entregando milhões de dólares contrabandeados para eles, se encontrando com seus líderes, planejando e traçando o golpe. Kiev foi inundada com os mais novos dólares americanos que saíram da prensa (de um tipo nunca visto em Moscou, me contaram amigos russos).   Victoria NulandA embaixada dos EUA espalhou dinheiro ao redor como um texano embriagado em um night club. Cada jovem disposto a lutar recebeu quinhentos dólares por semana, um lutador qualificado – até mil, um comandante de pelotão, dois mil dólares – um bom dinheiro para os padrões ucranianos.   Dinheiro não é tudo. Pessoas também são necessárias para um golpe bem-sucedido. Não havia uma oposição a Yanukovitch, que ganhou eleições democráticas e, consequentemente, três partidos perderam eleições. Os defensores dos três partidos poderiam reunir um monte de gente para uma manifestação pacífica. Mas eles lutariam na hora da verdade? Provavelmente não. Idem para os recipientes de generosos subsídios dos EUA e da UE (Nuland estimou o valor total de investimento americano na “construção da democracia” em cinco bilhões de dólares). Eles poderiam ser chamados para irem à praça principal para uma manifestação. No entanto, os beneficiários das ONGs são pessoas tímidas, não é provável que arriscassem o seu bem-estar. E os EUA precisavam de melhores combatentes para remover o presidente democraticamente eleito do poder.   Os Ovos da Serpente   No oeste da Ucrânia, eclodiram os ovos da serpente: os filhos e netos de colaboradores nazistas que absorveram o ódio aos russos com seu leite materno.   Seus pais formaram uma rede sob Reinhard Gehlen, o chefe espião alemão. Em 1945, enquanto a Alemanha era derrotada, Gehlen jurou obediência aos EUA e entregou suas redes à CIA. Eles continuaram sua guerra de guerrilha contra os sovietes até 1956. Sua crueldade era legendária, porque eles tinham como objetivo aterrorizar a população até a total obediência. Notoriamente, eles estrangulavam ucranianos suspeitos de serem amigáveis aos russos com suas próprias mãos.   Reinhard Gehlen – General do Exército alemão – Chefe da Inteligência A confissão terrível de um participante fala de suas atividades em Volyn:   Uma noite, nós estrangulamos 84 homens. Nós estrangulamos adultos, já as crianças, segurávamos suas pernas, balançávamos e quebrávamos suas cabeças em um batente. Duas crianças bonitas…, Stepa e Olya, 12 e 14 anos de idade… nós retalhamos o mais jovem em duas partes, e não precisamos estrangular sua mãe Julia, ela morreu de ataque cardíaco, e assim por diante.   Mataram centenas de milhares de poloneses e judeus, mesmo o terrível massacre Baby Yar foi feito por eles, com a conivência alemã, um pouco semelhante a conivência de Israel nos massacres de Sabra e Chatila de palestinos pelos fascistas libaneses da Falange.   Os filhos desses “Stepan Bandera” assassinos foram criados para odiar o comunismo, os soviéticos e russos, e na adoração dos atos de seus pais. Eles formaram a ponta de lança dos rebeldes anti-governamentais pró-EUA na Ucrânia, o Pravy Sektor (Setor Direita) liderado pelo fascista descarado Dmytro Yarosh. Dmytro Yarosh   Eles estavam prontos para lutar, morrer e matar. Tais unidades atraem potenciais rebeldes de diferentes origens: seu porta-voz é um jovem russo que se tornou nacionalista ucraniano, Artem Skoropadsky, um jornalista do diário mainstream de propriedade de oligarcas, Kommersant-UA.   Há jovens russos similares que se juntam às redes salafistas e se tornam homens-bomba nas montanhas do Cáucaso – jovens cujo desejo de ação e sacrifício não poderiam ser satisfeitas na sociedade de consumo. Esta é uma al-Qaeda eslava – tropas reais de assalto neonazistas, um aliado natural dos EUA.   E eles não lutam apenas pela associação com a UE e contra aderir ao acordo com a Rússia. Seus inimigos são também os russos na Ucrânia, e ucranianos étnicos de língua russa. A diferença entre os dois é discutível. Antes da independência, em 1991, cerca de três quartos da população preferiu falar russo. Desde então, os sucessivos governos têm tentado forçar as pessoas a usar o ucraniano. Para os ucranianos neonazistas, quem fala russo é um inimigo. Você pode comparar isso com a Escócia, onde as pessoas falam inglês, e os nacionalistas gostariam de forçá-los a falar a língua de Robert Burns.   Atrás da ponta de lança do Setor Direita, com seus lutadores anticomunistas e antirrussos fervorosos, há uma organização maior: a neonazista Liberdade (Svoboda), de Tyagnibok. Alguns anos atrás, Tyagnibok chamava para uma luta contra os russos e judeus, agora ele tornou-se mais cauteloso em relação aos judeus.  Ele ainda é tão antirrusso como John Foster Dulles. Tyagnibok foi tolerado, ou mesmo encorajada por Yanukovitch, que queria tomar uma página do livro do presidente francês, Jacques Chirac. Chirac venceu o segundo turno das eleições contra o nacionalista Le Pen, enquanto, provavelmente, teria perdido contra qualquer outro adversário. Do mesmo modo, Yanukovitch desejou Tyagnibok para tornar-se o seu adversário a ser derrotado no segundo turno das eleições presidenciais.   Os partidos parlamentares (o maior deles é o partido de Yulia Timoshenko, com 25% dos assentos, o menor, o partido de Klitschko, o boxeador, com 15%) apoiariam a turbulência como uma forma de ganhar o poder que perderam nas eleições.   Vitali Klitschko e John McCain em Kiev União dos nacionalistas e liberais   Assim, uma união de nacionalistas e liberais foi formada. Esta união é a marca registrada de uma nova política dos EUA na Europa Oriental. Ela foi testada na Rússia, há dois anos, onde os inimigos de Putin são compostos por estas duas forças, liberais pró-ocidentais e seus novos aliados, os nacionalistas étnicos russos, neonazistas suaves e os mais radicais.   Os liberais não vão lutar, eles são impopulares com as massas, que incluem um percentual acima da média dos judeus, gays, milionários e colunistas liberais; os nacionalistas podem incitar as grandes massas quase tão bem quanto os bolcheviques, e vão lutar. Este é o coquetel anti Putin preferido pelos EUA.   Essa aliança, na verdade, levou mais de 20% dos votos nas eleições da cidade de Moscou, depois de sua tentativa de tomar o poder por golpe foi rechaçada por Putin. A Ucrânia é sua segunda ação conjunta, bem-sucedida.   Tenham em mente: os liberais não precisam apoiar a democracia. Eles fazem isso somente se eles estão souberem que a democracia vai proporcionar o que eles querem. Caso contrário, eles podem unir forças com a al Qaeda, como agora na Síria, com os extremistas islâmicos, como na Líbia, com o Exército, como no Egito, ou com neonazistas, como agora na Rússia e na Ucrânia.   Historicamente, a aliança liberal-nazista não funcionou, porque os velhos nazistas eram inimigos dos banqueiros e do capital financeiro, e, portanto, antissemitas.   Este obstáculo poderia ser evitado: Mussolini foi amigável com judeus e tinha alguns ministros judeus em seu governo, ele contestou a atitude antissemita de Hitler dizendo que “os judeus são úteis e amigáveis”. Hitler respondeu que se ele permitisse isso, milhares de judeus iriam entrar para seu partido. Hoje em dia, este problema desapareceu: os neonazistas modernos são amigáveis com os judeus, os banqueiros e os gays.   O assassino norueguês Breivik é uma amostra exemplar de um neonazista simpático aos judeus. Assim são os ucranianos e russos neonazistas.   Enquanto os bandidos originais de Bandera matavam todos os judeus (e poloneses) que cruzavam seu caminho, seus herdeiros modernos recebem algum apoio judeu valioso.   Os oligarcas de origem judia (Kolomoysky, Pinchuk e Poroshenko) os financiam, enquanto um proeminente líder judeu, presidente da Associação das Organizações Judaicas e Comunidades da Ucrânia, Josef Zissels, apoiou-os e os justificou.   Há muitos apoiadores de Stepan Bandera em Israel, pois eles geralmente afirmam que Bandera não era um antissemita, porque ele tinha um médico judeu (assim como Hitler). Os judeus não se importam com nazistas que não os incomodem.   Os russos neonazistas atacam trabalhadores imigrantes tadjiques, e os ucranianos neonazistas atacam os falantes de russo.   Revolução: Esboço   A revolução pode ser descrita em poucas linhas: Yanukovitch não foi um presidente tão ruim, prudente, mas fraco. Ainda assim, a Ucrânia chegou à beira do abismo financeiro. (Você pode ler mais sobre isso no meu artigo anterior). Ele tentou salvar a situação, aliando-se à UE, mas a UE não tinha dinheiro de sobra. Em seguida, ele tentou fazer um acordo com a Rússia, e Putin ofereceu-lhe uma saída, sem sequer exigir dele que a Ucrânia se juntasse ao grupo liderado pela Rússia. Isto provocou a resposta violenta da UE e dos EUA, já que estavam preocupados que isso iria fortalecer a Rússia.   Yanuk, como as pessoas o chamam, tinha poucos amigos. Oligarcas poderosos ucranianos não ficaram impressionados por ele. Além das razões de costume, eles não gostavam dos hábitos predatórios do filho de Yanuk, que rouba as empresas dos outros. Aqui eles podem ter razão, porque o líder da Bielorrússia, o valente Lukashenko, disse que as formas não ortodoxas de aquisição de empresas do filho de Yanuk causaram desastre.   O eleitorado de Yanuk, as pessoas falantes de russo da Ucrânia (e eles são a maioria no país, como os escoceses que falam inglês são maioria na Escócia) ficaram desapontados com ele porque ele não lhes deu o direito de falar e educar seus filhos em russo.    Yulia TimoshenkoOs seguidores de Yulia Timoshenko não gostavam dele porque ele prendeu sua líder (ela mereceu: contratou assassinos, roubou bilhões de dinheiro do Estado ucraniano em conluio com um ex-primeiro-ministro, fez um acordo escuso com a Gazprom às custas dos consumidores ucranianos, entre outras coisas).   Os nacionalistas radicais o odiavam por ele não erradicar o idioma russo. O ataque ao presidente eleito orquestrado pelos EUA seguiu as instruções de Gene Sharp para um golpe, a saber:   (1) tomar uma praça central e organizar uma manifestação pacífica, (2) falar sem parar do perigo da dispersão violenta, (3) se as autoridades não fizerem nada, provocar derramamento de sangue, (4) acusar assassinato, (5) a autoridade fica horrorizada e estupefata e (6) é removida e (7) novos poderes assumem.   O elemento mais importante do sistema nunca foi expressado pelo astuto Sharp, e é por isso que o movimento Occupy Wall Street (que folheou o livro) não conseguiu alcançar o resultado desejado. Você tem que ter os Mestres do Discurso™, isto é, a mídia ocidental, do seu lado. Caso contrário, o governo vai esmagar você como fizeram com o Occupy e muitos outros movimentos similares. Mas aqui, a mídia ocidental ficou totalmente do lado dos rebeldes, porque os eventos foram organizados pela embaixada dos EUA.   No início, eles reuniam algumas pessoas conhecidas para uma manifestação pacífica na Praça da Independência (ou “Praça Maidan”): beneficiários de subvenções da USAID através da rede de ONGs, escreveu um especialista ucraniano, Andrey Vajra, redes de oligarca fugitivo Khoroshkovski, neonazis do Setor Direita e radicais de causa comum.   A reunião pacífica foi ricamente entretida por artistas, alimentos e bebidas foram servidos gratuitamente, sexo livre foi encorajado − era um carnaval no centro da capital, e começou a atrair as massas, como aconteceria em todas as cidades do universo conhecido. Este carnaval foi pago pelos oligarcas e pela embaixada dos EUA.   Sergey LevochkinMas o carnaval não poderia durar para sempre. De acordo com (2), rumores de dispersão violenta foram espalhados. As pessoas ficaram com medo e se afastaram. Apenas uma pequena multidão de ativistas permaneceu na praça. Provocação de acordo com (3) foi fornecida por um agente ocidental dentro da administração, o Sr. Sergey Levochkin. Ele escreveu sua carta de demissão, a enviou e ordenou à polícia dispersar violentamente a manifestação. A polícia chegou e dispersou os ativistas. Ninguém foi morto, ninguém ficou gravemente ferido – hoje, depois de cem mortos, é ridículo sequer mencionar essa surra – mas a oposição acusou que houve mortes na época.   A mídia mundial, essa poderosa ferramenta nas mãos dos Mestres do Discurso, denunciou “Yanukovitch massacrador de crianças”.   A UE e os EUA ameaçaram sanções, diplomatas estrangeiros vieram, todos alegando que queriam proteger os manifestantes pacíficos, enquanto, ao mesmo tempo melhorar a multidão de Maidan com homens armados e combatentes do Setor Direita.   Nós citamos Gene Sharp, mas a Maidan teve uma influência adicional, o de Guy Debord e seu conceito de Sociedade do Espetáculo.   Não era uma coisa real, mas um faz-de-conta muito bem-feito, como foi o seu antecessor, o golpe de Moscou de agosto de 1991. Yanukovitch fez de tudo para formar a resistência Maidan: ele enviava a polícia de choque para dispersar a multidão, e depois que eles faziam apenas metade do trabalho, ele os chamava de volta, e ele fez isso todos os dias. Após esse tratamento, mesmo um cão muito tranquilo mordia.   A qualidade irreal de espetáculo dos eventos de Kiev foi enfatizada pela chegada do belicista imperial, o filósofo neo-com, Bérnard-Henri Levy. Ele foi a Maidan como foi à Líbia e à Bósnia, reivindicando direitos humanos e ameaçando sanções e bombardeios. Sempre que ele aparece, a guerra está por vir. Espero estar longe de todos os países que ele pretenda visitar.   Bernard-Henri “Lévyshenko”As primeiras vítimas da Revolução Marrom foram os monumentos – os de Lenin, porque eles odeiam o comunismo em todas as formas, e os da IIª Guerra Mundial, porque os revolucionários se solidarizam com o lado derrotado, os nazistas alemães.   A história nos dirá até que ponto Yanukovich e seus assessores entenderam o que eles estavam fazendo. De qualquer forma, ele incentivou o fogo de Maidan por seus ataques ineficientes por uma força policial desarmada. Os neonazistas de Maidan usaram snipers (franco-atiradores) contra a força policial, dezenas de pessoas foram mortas, mas o presidente Obama mandou Yanukovich desistir, e ele desistiu.   Após novo tiroteio, ele enviava a polícia novamente. Um diplomata UE ameaçava com o tribunal de Haia, e ele chamava sua polícia de volta. Nenhum governo pode funcionar em tais circunstâncias.   Eventualmente, ele caiu, assinou na linha pontilhada e partiu para destino desconhecido.   Os rebeldes tomaram o poder, proibiram o idioma russo e começaram a saquear Kiev e Lvov. Agora, a vida das pessoas tranquilas de Kiev foi transformada em um verdadeiro inferno: assaltos diários, espancamentos, assassinatos.   Os vencedores estão preparando uma operação militar contra as áreas de língua russa no sudeste da Ucrânia. O espetáculo da revolução ainda pode ficar realmente sangrento.   Alguns ucranianos esperam que Yulia Timoshenko, recém-libertada da prisão, será capaz de controlar os rebeldes. Outros esperam que o presidente Putin vá prestar atenção aos eventos da Ucrânia, agora que seus Jogos Olímpicos, felizmente, terminaram.   O espetáculo não acabou até que a gorda senhora (ref. à Russia) cante, mas ela vai cantar – sua canção será vista e ouvida._________________ [*] Israel Shamir é um escritor, colunista da e jornalistaantissionista. De origem russa, ele nasceu em Novosibirsk, na Sibéria, e emigrou para Israel em 1969. Lá, trabalhou como jornalista e tradutor. Seus artigos sobre a ocupação da Terra Santa pelo sionismo estão reunidos no sítio eletrônico e em três livros: Galilee Flowers, Cabbala of  Power e Masters of  Discourse, também disponíveis em francês, espanhol, italiano, alemão e russo. Em 2004, ele abraçou a fé cristã ortodoxa, sendo batizado na Igreja Ortodoxa de Jerusalém e Terra Santa pelo arcebispo Theodosius Attalla Hanna.  Shamir. Vive atualmente em Jaffa e viaja frequentemente a Moscou e Estocolmo. 

     

  3. vera lucia venturini

    28 de fevereiro de 2014 12:24 pm

    Deus me livre.
    Cadê os

    Deus me livre.

    Cadê os valores americano? Agora dá para entender porque “os protestos” ucranianos tiveram repercussão na mídia mundial. Sustentado pela direita americana e pela CIA, estes nazistas devem ter saido dos protestos com os bolsos cheio de dólares americano. O resto dos manifestantes serviram de massa de manobra. Acabaram com  um país violento,  destroçado e falido nas mãos. E com grande possibilidade de se dividir.

     

     

     

  4. edsontadeu

    28 de fevereiro de 2014 12:40 pm

    enquanto  esses  povos  de

    enquanto  esses  povos  de naçoes como a  Ucrania   se aproximar  de israel  e  dos  EUA  eles nao vao ter paz.  cabe  a  Ucrania  como um todo  procurar  seguir os caminhos  dos  países  escandinavos, pois  sao o que  ha de melhor  em  regime  democratico/social.  Qualquer  país que queira   insurgir-se  tendo como apoio os  EUA/ISRAEL, vai se dar muito mal. Eles nao visam  o bem de uma  naçao  em convulsao, pelo contrario o que eles mais querem  é que o país  entre  em colapso  total, e que  com isso  eles  tirem  proveito. mesmo porque  a intençao  da casa  branca é  se aproximar  da Russia, quanto  mais perto chegar  melhor para eles. Mas  acho muito dificil  a  Russia  permitir  tal intromissao,  ja que é  muito  arriscado para a soberania  Russa.  

  5. MarcoPOA

    28 de fevereiro de 2014 12:46 pm

    Velhas estrategias!

    Nada de novo, os fins justificam os meios!

    “La II Guerra Mundial, la mafia, los yankees y la Guerra Fría”

    http://goo.gl/GGAwGW

    “Operación Bajo Mundo: la negociación de Estados Unidos con la mafia italiana”

    http://goo.gl/QIiiIC

  6. jns

    28 de fevereiro de 2014 1:14 pm

    A Guerra Teleguiada na Ucrânia

    A guerra fria não acabou e a Ucrânia está sendo usada como um campo de batalha para lutar uma guerra por procuração entre o Oriente e o Ocidente.

    michaelsnyder   Michael Snyder | 24 de fevereiro de 2014

    O povo ucraniano está capturado no meio de um massivo cabo de guerra travado entre o Oriente e o Ocidente e está pagando um grande preço por isso.

    Em última análise, a Ucrânia vai acabar por ser dominada pela Rússia (um mau resultado) ou pela União Europeia e os Estados Unidos (um outro resultado ruim). 

    Os ucranianos só querem ser livres e serem capazes de construir um futuro melhor, mas é extremamente improvável que eles serão capazes de escapar do fantasma da dominação estrangeira. 

    Enquanto isso, a violência na Ucrânia está plantando as sementes para um conflito potencialmente muito maior no futuro. 

    Os protestos em Kiev nas imagens do satélite (NYTimes)

    Os dias de ‘relações amistosas’ entre os Estados Unidos e a Rússia estão agora desaparecidos. 

    A Rússia foi confrontada pela provocação dos EUA ao alimentar uma revolução violenta em sua própria fronteira e isso é algo que as autoridades russas não vão esquecer por um tempo muito longo. 

    Em troca, as autoridades americanas estão tomando uma postura cada vez mais dura em relação à Rússia. 

    No final, as sementes que estão sendo plantadas agora poderiam finalmente florescer em uma guerra civil declarada entre as duas superpotências nos anos vindouros.

    Que não haja engano: os Estados Unidos está fortemente envolvido no que está acontecendo na Ucrânia. Mesmo o NYTimes admite isso. O embaixador dos EUA para a Ucrânia e a secretária de Estado adjunto foram capturados, em diálogos hackeados, discutindo os próximos passos na obtenção de um novo governo aliado a ser instalado na Ucrânia.

    Além disso, várias organizações não governamentais, dentro dos Estados Unidos, estão, supostamente, ajudando e organizando a revolução na Ucrânia há muito tempo e algumas dessas organizações têm laços com George Soros.

    Algumas das ONGs ‘progressistas’, que foram acusadas ​​de alimentar a revolução violenta na Ucrânia, incluem a National Endowment for Democracy, Freedom House, e as Fundações Open Society (anteriormente conhecida como Open Society Institute).

    A Ucrânia está sendo usada como um campo de batalha para lutar uma guerra por procuração entre o Oriente e o Ocidente. 

    Protesto Anti governo na Ucrânia

    Foto da líder da oposição ucraniana, Yulia Tymoshenko, exibido durante um comício em Kiev (The Guardian).

    Agora que a oposição obteve ganhos, não parece que as autoridades russas irão reconhecer o ‘novo governo’.

    O primeiro-ministro Dmitry Medvedev na segunda-feira disse que a Rússia tinha sérias dúvidas sobre a legitimidade de quem está no poder na Ucrânia, após a expulsão do presidente Viktor Yanukovich, dizendo que o reconhecimento da sua destituição por alguns paises foi uma ‘aberração’.

    Medvedev também afirmou que ele tem ‘muitas dúvidas sobre a legitimidade de uma série de órgãos do poder que agora estão funcionando lá.’

    Última sexta-feira, um acordo foi assinado pelos dois lados na Ucrânia, que iria, supostamente, trazer uma solução pacífica para a situação. 

    Mas os revolucionários renegaram o acordo, derrubaram o governo e, desnecessário será dizer, a Rússia foi afrontada com esta ação insurgente.

    O Ministério das Relações Exteriores da Rússia criticou o Ocidente por fechar os olhos para o que Moscou descreveu como um ato unilateral da oposição que renegou o acordo assinado sexta-feira para formar um governo de unidade, com o objetivo de “suprimir a dissidência em várias regiões da Ucrânia de forma ditatorial e, às vezes, até mesmo usando métodos terroristas . “

    Manifestações pró-Rússia na Crimeia.

    [video:http://youtu.be/LzmGH-nnSJ8%5D

    O que a Rússia planeja fazer é a grande pergunta que todo mundo está colocando.

    Ela não está fazendo muita coisa ainda, mas tem havido rumores  de que poderia ser deflagrada alguma retaliação econômica.

    A União Aduaneira Rússia pode limitar, temporariamente, as importações de alimentos, aumentando os risco de convulsão da Ucrânia, dado os temores de controle de segurança frouxa, disse Sergei Dankvert, chefe do Rosselkhoznadzor, o serviço de fiscalização veterinária e fitossanitária da Rússia.

    ‘Meu colega bielorrusso e eu estamos extremamente preocupados com a situação na Ucrânia. Nós não descartamos uma frenagem que poderia ser introduzida nas importações de produtos de alto risco veterinários e fitossanitários da Ucrânia’, afirmou, por telelfone, à Interfax Dankvert, após conversações com o seu homólogo bielorrusso, Yury Pivovarchik em Bryansk, o vice-ministro da Política Agrária da Ucrânia, Ivan Bisyuk.

    É claro que o governo dos EUA está mais preocupado com as ações militares que a Rússia possa tomar.

    A Conselheira de Segurança Nacional, Susan Rice, diz que o que aconteceu na Ucrânia reflete ‘a vontade do povo ucraniano e os interesses dos Estados Unidos e da Europa’, e que seria um ‘erro grave’ para a Rússia se envolver militarmente.

    Mas aconteça o que acontecer ao longo dos próximos dias, ninguém deve pensar que os russos irão, simplesmente, abandonar os seus interesses na Ucrânia. 

    A Rússia tem uma base militar muito importante no sul da Criméia Crimeia e a metade oriental do país é aliada da Rússia.

    Manifestações pró-Europa em Kiev.

    [video:http://youtu.be/jjHpWpmpZZ%5DA

    Assim, a luta entre o Oriente e o Ocidente, provavelmente, continuará  a acontecer por algum tempo na na Ucrânia. 

    As considerações seguintes são um excerto de um artigo recente do WND:.

    A questão com a Ucrânia é se ela vai aderir à UE ou a União Eurasiana de Putin. 

    O país está dividido sobre esta questão na Ucrânia oriental e ocidental. 

    A porção oriental quer permanecer com a Rússia, enquanto o lado ocidental quer se aproximar do Ocidente.

    No sul da Ucrânia, onde a Criméia está localizada, a influência russa permanece forte.

    Os manifestantes, que querem ver a Ucrânia se inclinar para o oeste, foram encorajados pelo sucesso imediato alcançado na deposição de Yanukovich, tornando mais difícil chegar a um acordo com qualquer tipo de compensação que possa reunificar o país.

    Moscou tem uma grande instalação militar naval em Sebastopol, na Criméia, e recebeu recentemente uma extensão do arrendamento por 25 anos, até 2042, com outra opção de renovação de cinco anos, até 2047. 

    Em troca, a Ucrânia recebeu um contrato vantajoso, de vários anos, com desconto no preço do gás natural russo, tão necessário.

    Mapa da Ucrânia destacando a região da Criméia (Ucrani Online).

    Economicamente, a metade oriental pró-russa do país é, na verdade, a mais forte das duas e isso provavelmente vai complicar as coisas para a UE e os EUA, na tentativa de trazer a Ucrânia para a sua esfera de influência.

    Sete das 10 maiores empresas privadas da Ucrânia, em termos de receita, possuem sede ou a maioria de suas operações estão no leste da Ucrânia. 

    Estas empresas são de propriedade de alguns dos indivíduos mais ricos e mais influentes da Ucrânia. 

    Três destas 10 corporações – dos ramos de mineração, siderurgia e energia – estão baseadas na cidade industrial oriental de Donetsk e são propriedade do homem mais rico da Ucrânia, Rinat Akhmetov.

    A Interpipe, uma das maiores empresas privadas na Ucrânia, controla 10 por cento da quota de rodas ferroviárias do mercado mundial e mais de 11 por cento da quota de mercado mundial de ferro ligas de manganês, está baseada em Dnipropetrovsk e pertence ao empresário e político Victor Pinchuk.

    Os empresários mais importantes do país estão instalados no leste, onde as suas empresas fazem contribuições desproporcionalmente elevadas para a economia da Ucrânia e o orçamento nacional.

    Apoio ao estreitamento dos laços com a Rússia, em Sevastopol, na Crimeia (Washington Post)

    No final, esta guerra por procuração entre o Oriente e o Ocidente, deixou a Ucrânia com uma economia em colapso e a beira da guerra civil , causando danos permanentes na relação entre os Estados Unidos e a Rússia.

    A complexidade da situação da Ucrânia é maior do que a maioria das pessoas imagina e – isso não vai acontecer de imediato – mas, no futuro, os EUA podem acabar amargamente arrependidos de antagonizar ‘o grande urso russo’.

    O autor do texto original faz referências a publicações do NYTimes, End Of The Americam Dream, Reuteurs, Washington Post, Interfax, The Guardian, Zero Hedge, WND e Bussiness Week.

    ***

    Nota

    As imagens ilustrativas são das fontes acima.

    Os vídeos não foram sugeridos no texto original.

  7. aliancaliberal

    28 de fevereiro de 2014 1:45 pm

    Voz da Russia

    Observo que com frequência todos passam a replicar o mesmo conteudo, assim como no livro 1984 o partido coordena rudo.

    Você “lê” por exemplo, a voz da Russia,  http://portuguese.ruvr.ru/ e depois o mesmo conteudo esta em toda midia sulamericana. 

     

     

      

    1. Jorge Nogueira Rebolla

      28 de fevereiro de 2014 1:51 pm

      Aliança abra os olhos

      Os primeiros artigos que li sobre o espírito democrático dos manifestantes ucranianos foram no Jerusalem Post e no Haaretz. Que os “heróis” da revolução são imitações das SAs não resta dúvida. A Ucrânia, ou melhor, os ucranianos étnicos estão vendendo a alma para tentar se livrar da sombra da Rússia.

      P.S. Sinceramente torço para que a região oriental do país, de maioria étnica russa, separe-se da Ucrânia e se transforme numa região autônama da Federação Russa.

      1. Alessandre de Argolo

        28 de fevereiro de 2014 2:45 pm

        Jorge Nogueira (que eu acho ser o Rebolla)

        Entendo a sua preocupação, quandos se fixa ao problema que representa os ultra-nacionalistas (neofascistas ou neonazistas, alguns dizem). No entanto, creio que você se equivoca quando pretende enxergar uma “diferença” político-ideológica entre parte considerável do cenário russo e do que acontece atualmente na Ucrânia. O ultra-nacionalismo russo ressurgiu com força total nos últimos anos. Os grupos que hoje assumem o poder na Ucrânia, com o apoio dos ultra-nacionalistas locais, também existem e são muito fortes em sua versão russa. O que estamos vendo na Ucrânia são apenas diferenças geopolíticas, ligadas a uma hegemonia pretendida sobre a Ucrânia, mas que não fazem exatamente menção a uma diferença político-ideológica. São os ultra-nacionalistas russos lutando contra os ultra-nacionalistas ucranianos pela hegemonia na Ucrânia. Cada um luta por seus interesses. Mas as práticas e as visões de mundo, em muitos e numerosos aspectos políticos, são bastante semelhantes entre os dois grupos.

        Em suma, muitos dos grupos ultra-nacionalistas russos, em suas mais variadas vertentes, também podem ser classificados, eventualmente, como adeptos de ideias neofascistas ou até mesmo neonazistas. Qualquer coisa longe disso é ingenuidade.

        1. Jorge Nogueira Rebolla

          28 de fevereiro de 2014 3:12 pm

          Claro que na Rússia existem loucos furiosos…

          …basta ver as marchas que realizam. Muitos deles são neonazistas mesmos, porém em termos políticos são extremamente minoritários, grupelho sem influência ao contrário do Svoboda, que seria a face menos radical do ultranacionalismo ucraniano, e mesmo assim é nazista… traduza o programa político deles… você vai ver que o indivíduo que não possui como língua materna o ucraniano, mesmo sendo cidadão do país, é tratado como estrangeiro e apátrida… que termo horroroso…

          P.S. O russo neonazista para mim é mais profunda prova da idiotia possível num indivíduo, é a mesma coisa que um negro ingressasse na KKK.

          J. N. Rebolla

           

    2. Daytona

      28 de fevereiro de 2014 3:18 pm

      É tudo uma grande

      É tudo uma grande conspiração. Os neonazistas ucranianos são, na verdade, adeptos da escola austríaca, e vivem participando, junto com seus colegas americanos da KKK, dos seminários promovidos pelo prof. Hans-Hermann Hoppe – nazista-liberal que é um dos principais gurus do Aliança – para discutirem temas caros aos adeptos da escola austríaca, como “qualidade populacional”, ou para estudar as ideias do prof. walter Block, do Instituto Mises, sobre como os negros são geneticamente menos inteligentes que os brancos.

      Aliás, já perguntei várias vezes ao aliança se ele concorda com o prof. Block, mas ele nunca respondeu. Deve ter vergonha de suas próprias ideais, por isso se auto-censura!

  8. Paulo F.

    28 de fevereiro de 2014 2:58 pm

    Levados no bico

    Os EUA não aprendem com a história.

    Foram ludibriados por Chiang Kai-shek (conhecido por cash my check) e agoram embarcam na mesma furada.

    Antes a China Comunista (terror da familia Luce ; http://en.wikipedia.org/wiki/Henry_Luce) agora a Russia de Putin.

  9. Filipe Rodrigues

    28 de fevereiro de 2014 4:03 pm

    Gostaria de saber a opinião

    Gostaria de saber a opinião do governo de Israel, alguém sabe se eles manifestaram alguma opinião?

    1. Nick

      28 de fevereiro de 2014 9:17 pm

      Nenhuma, desde que eles

      Nenhuma, desde que eles apoiam isso. Atual,emnte a Victoria Nuland é casada com um radical Neocon com cidadania Israelense.. Se você ler o industria do Holocausto do Norman Filkenstein, você entenderá o porquê.

  10. morallis

    28 de fevereiro de 2014 5:03 pm

    Nada de novo no “front, a

    Nada de novo no “front, a velha metodologia americana que mais uma

    vez vai ferrar a todos. Alguem saberia dizer qual a capacidade nuclear

    da Ucrânia? Barbas de molho  Mr.Sam, um erro  pode trazer um prejuizo

    razoável. Nem tudo se bloqueia.

  11. lclbotelho

    1 de março de 2014 2:41 am

    Prezado Nassif
    No mundo pós

    Prezado Nassif

    No mundo pós 2008 , (a data do verdadeiro início do sec21) , tudo é diferente .Aparentemente padrôes duplos na política internacional não se sustentam mais . Preservar a integridade da Ucrania ? . E Twain em relação a China .E a Guiana Francesa em relação  aos “Países Livres da América do Sul “… ?.Penso que a sofreguidão de “Nuvens de Gafanhotos”  por Mercados em Países Emergentes   esbarrou nos interesses geopolíticos vitais , no caso da Ucrania . (altamente pertinentes para Estados Nações de dimensâo continentais) .Os eventos tomaram o seu lugar . Que a Diplomacia esclarecida salve a presente distensâo militar na Europa pós queda Muro de Berlin .

    E os USA sabem melhor do que nenhum outro Estado Nação que a Ucrania não é a Alemanha Oriental pós 1989 .Mas candidata a ser uma nova  a Chechenia ….(pelas implicações ao surgimento do  separatismo violento das outras repúblicas militarizadas da ex-URSS, hoje CEI)

    Que o Departamento de Estado dos USA e OTAN comece seriamente a considerar a intervenção militar maciça da Ucrania .E que os Ucranianos e “Aliados” de última hora não reagem se a tragèdia se abater ..

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