4 de junho de 2026

Som brasileiro, afro-indígena e erudito, por Aquiles Rique Reis

João Marcondes nos brinca com trabalho de referência a demonstrar e aproximar da música erudita a pluralidade de nossas raízes ancestrais.

Som brasileiro, afro-indígena e erudito

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por Aquiles Rique Reis

O compositor João Marcondes nos traz agora o álbum Afro-Brazilian Suite Ancestrality for Harp, Cello and Clarinet (selo Azul Music). Um trabalho de referência a demonstrar e aproximar da música erudita a pluralidade de nossas raízes ancestrais. Álbum que é a sequência de um projeto simplesmente admirável de Marcondes.

A gravação conta com duas formações instrumentais: uma, com harpa (Sole Yaya), violoncelo (Marialbi Trisolio) e clarinete (Ovanir Buosi), interpretando cinco das nove peças do repertório: “Overture: The Ant’s Intertwined Step for Harp, Cello and Clarinet”; “Waltz: Golden Ancestry Pt. 1 for Harp, Cello and Clarinet”; “Cadence: Golden Ancestry Pt. 2 for Harp, Cello and Clarinet”; “Largo Trivial: Invisible Feeling For Harp, Cello and Clarinet” e “Waltz and Cadence: Golden Ancestry for Harp, Cello and Clarinet”.

Outra,com harpa (Sole Yaya), violoncelo (Marialbi Trisolio) e violino (Leandro Dias), tocando “Briefs for Harp, Cello and Violin”; “What Was Essential to Me: For Harp, Cello and Violin”; “Contemplative for Harp, Cello and Violin” e “Short Time for Harp, Cello and Violin”.

Como se nota, houve tão-somente uma única troca de instrumentos entre as duas formações instrumentais. Todavia, o engenho de João Marcondes soou de tal forma que a mudança timbrística do clarinete para o violino, creiam, proporciona uma diferença formidável da sonoridade de uma formação para a outra.

Agora eu realçarei uma peça de cada formação instrumental – dois exemplos claros da destreza de Marcondes. Da primeira, “Waltz: Golden Ancestry Pt. 1 for Harp, Cello and Clarinet”, quando o clarinete se ajunta ao violoncelo, resultando numa emissão de frases com sons graves, intensos e de profunda formosura. Logo o dedilhar da harpa se encarrega de acrescentar ainda mais poder de encantamento à melodia e ao ritmo. E a ancestralidade se impõe, garantindo que presenciamos algo único.

Em “Short Time for Harp, Cello and Violin”,da segunda formação, destaco o violino que toca o tema em pizzicato e segue se valendo de acordes em compassos intercalados. Logo a harpa abre a cama para que o violino se valha do arco e o violoncelo se ajunte a eles para construírem um novo som instrumental. Alguns acordes à frente, o violino volta ao pizzicato. Logo também a harpa retoma sua leveza, enquanto o violoncelo volta à cena com seu som robusto.

Os sons que emanam de Afro-Brazilian Suite Ancestrality for Harp, Cello and Clarinet demonstram que vale muito ouvir o álbum arrebatador.   

Como já disse anteriormente, repito e despeço-me: hoje reavi amostras do quanto o erudito não é antagônico ao popular. Ao contrário, são complementares em seus requintes; contrastantes em seus acordes; plurais em suas harmonias.

Aquiles Rique Reis

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Ficha técnica: gravação, mixagem e masterização: Adonias Souza Jr. (Estúdio Arsis) 

Ouça o álbum:

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Aquiles Rique Reis

Músico, integrante do grupo MPB4, dublador e crítico de música.

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