5 de junho de 2026

Sebrae aposta nos pequenos negócios como força motriz do novo desenvolvimento brasileiro

Presidente do Sebrae, Décio Lima, defende que PMEs são o caminho para o crescimento sustentável, a inclusão social e a consolidação da democracia
Crédito: Divulgação

No momento em que o país discute novas diretrizes para a política industrial e a transição tecnológica, o presidente do Sebrae, Décio Lima, destaca que a verdadeira revolução econômica brasileira virá das micro e pequenas empresas. Em entrevista ao Projeto Brasil, ele defendeu que esse segmento é o grande motor da geração de empregos, da distribuição de renda e da reconstrução de um modelo de desenvolvimento inclusivo.

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“Essa pequena economia é a grande distribuidora de riqueza, é a grande massa da economia que, inclusive, recentemente tirou novamente o Brasil do mapa da fome e da miséria, dos quais, de forma muito triste, assistimos recentemente, depois de termos superado esta crueldade de um país rico como o nosso, conviver por um grande período com pessoas passando fome, miséria, numa condição injustificável do ponto de vista da nossa economia”, afirmou.

Segundo Lima, 95% dos CNPJs do país pertencem a micro e pequenas empresas, responsáveis por 30% do PIB nacional e mais de 1,3 milhão de novos empregos só em 2024.

Pilar da democracia

Décio Lima aponta que o fortalecimento dos micro e pequenos negócios ultrapassa a dimensão econômica. “Então, o pequeno organizado é um fator de crescimento da economia, é um fator de geração de emprego, é um fator de consolidação da democracia e é um terreno a ser disputado efetivamente por aqueles que planejam um país melhor”, disse. Para ele, o setor reúne valores caros tanto à direita — o empreendedorismo — quanto à esquerda — a organização social e a inclusão produtiva.

Ele lembra que programas criados nos governos anteriores, como o Supersimples e o MEI, foram decisivos para formalizar milhões de brasileiros. “Hoje o Sebrae tem uma valoração de R$ 33,9 bilhões e se transformou na quarta marca de maior credibilidade do povo brasileiro. Por quê? Porque é a porta dos sonhos, e sonhos que se realizam nesta pujança extraordinária e transformadora do modelo econômico, mesmo numa sociedade capitalista, que permitiu pulverizar grande parte da economia”, afirmou.

Desenvolvimento territorial

Com presença nos 27 estados e milhares de municípios, o Sebrae tem papel estratégico no apoio aos pequenos empreendedores locais. O programa Cidade Empreendedora, por exemplo, atua diretamente na estruturação de economias municipais, promovendo capacitação, gestão e inovação.

“Somos uma entidade que nascemos para ser parceiros. Não somos aqueles que realizamos protagonismos próprios e individualizados. Somos os parceiros dos municípios, somos os parceiros dos Estados, somos os parceiros da academia brasileira para poder fazer com que a gente dê musculatura, no sentido de desenvolver as economias que estão espalhadas no território brasileiro”, explica Lima. O objetivo, segundo ele, é fortalecer economias regionais e garantir que cada território expresse seu potencial produtivo.

A transformação tecnológica e a ascensão da inteligência artificial também estão no radar do Sebrae. Décio Lima define as big techs como “os novos latifúndios”, mas acredita que o Brasil tem vantagens comparativas. “É difícil encontrar um povo mais criativo do que o brasileiro.”

Ele destaca o avanço do empreendedorismo digital no Nordeste, região que hoje é o segundo polo mais criativo de startups do país, atrás apenas de São Paulo. Eventos como o Neon Nordeste reúnem mais de 20 mil jovens, que já apresentam soluções inovadoras com impacto social e econômico. “Aquela criatividade do artesanato vindo para a área digital é fantástico”, diz.

Negócios digitais

Entre as iniciativas de destaque, Décio Lima cita o Innova Amazônia, programa que estimula o desenvolvimento sustentável a partir dos recursos do bioma amazônico. “Não adianta querer começar uma economia que seja agressiva ao meio ambiente”, afirma.

Atualmente, 98% dos pequenos empreendedores têm acesso à internet, e 73% já estão inseridos na economia digitalizada. Essa transformação, segundo Lima, é acompanhada de políticas de formalização e capacitação, garantindo inclusão produtiva e inserção global.

O artesanato brasileiro, setor que reúne 8,5 milhões de trabalhadores — em sua maioria mulheres —, é exemplo dessa conexão entre tradição e inovação. “É incrível como uma mulher artesã está vendendo já no outro lado do mundo, participando de feiras, estando nas plataformas, nas vendas hoje, através de plataformas comerciais”, celebra o presidente, citando parcerias entre Sebrae e ApexBrasil para impulsionar exportações de pequenos negócios.

Um dos maiores desafios da pequena economia ainda é o acesso ao crédito. Para enfrentar esse problema, o Sebrae, em parceria com o governo federal, criou o programa Acredita, que oferece linhas de crédito com fundo garantidor — especialmente voltado para mulheres empreendedoras.

“Só nós do Sebrae tínhamos aqui um programa de crédito que atingia em torno de R$ 1 bilhão de crédito por ano. Nesse momento, nós estamos caminhando para chegar ao final do ano a R$ 12 bilhões de crédito para a pequena economia”, afirma. O fundo garantidor do programa pode alcançar até R$ 30 bilhões, cobrindo 100% do risco para mulheres e reduzindo juros ao atuar como avalista institucional. “Quando eu dou a garantia para o sistema financeiro, cai o risco. Cai o risco, caem os juros”, explica.

Além do crédito, o Sebrae oferece acompanhamento técnico, garantindo que o recurso seja aplicado de forma eficiente e sustentável. “Nós também produzimos um crédito assistido. Nós não deixamos o pequeno ir lá pegar um X de dinheiro e não saber aplicar aquele dinheirinho com a segurança de ele melhorar o seu negócio, de ele fazer escala na sua economia”, resume.

Confira a entrevista na íntegra:

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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1 Comentário
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  1. Rui Ribeiro

    5 de outubro de 2025 11:50 pm

    Por falar em Sebrae, me pergunto: considerando a presunção relativa de que o sócio se beneficia da atividade da empresa, caso esse sócio não responda pela dívida trabalhista da empres insolvente, ele estaria enriquecendo ilicitamente, pois se beneficiou, ainda que não diretamente, do fruto do trabalho do operário

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