
Comentário de Spartacus ao artigo “Cheque em branco do Itamarati a Trump“
O histórico das relações entre a classe dominante brasileira e a plutocracia estadunidense explica essa “cautela” — Artigo publicado no dia 4 de setembro, no Sputnik: “Encontro de Trump com Lula faz Planalto colocar lei anti-sanções em banho-maria”. A possibilidade desse encontro (che Alckmim considera um avanço) fez com que o governo brasileiro adotasse uma postura “cautelosa” (!) Por sua vez Trump declara guerra econômica a quem entender e que venha beijar-me o cu (kiss my ass).
A recém formada República, encarnada no ditador Marechal Floriano Peixoto, não hesitara em pedir ação dos militares estadunidenses contra seus próprios cidadãos civis e militares. Esse Marechal tentou erguer uma estátua a Monroe como sinal de reconhecimento (esse fato faz lembrar o Bolsonaro, Presidente da República, autêntico representante de entreguistas e lesa-pátria, batendo continência à bandeira estadunidense numa clara demonstração de subserviência).
Para Eduardo Prado a amizade dos ocupantes da Casa Branca era pura conversa fiada. Ele percebera a brutalidade deles. Segundo Dunshee de Abranches, Prado foi autor do primeiro protesto contra a alienação do Brasil e contou com o apoio de Rui Barbosa. Importantes escritores denunciaram o Brasil caudatário sem-vergonha dos EUA. Para Lima Barreto os políticos estadunidenses eram os mais ignóbeis possíveis; “quando falam em Paz é porque premeditam ladroeira e agressão; paira sobre eles o espírito da brutalidade, do monstruoso e arqui gigantesco”.
De lá pra cá muita coisa aconteceu mas a linha contínua da vassalagem permanece. Intacta. Nos ambientes do Itamaraty são visíveis imagens do Barão do Rio Branco mas eu aposto que na escrivaninha do diplomata “de carreira” é presente a foto do ex-Chanceler Otávio Mangabeira, então deputado da UDN em 1946, beijando publicamente a mão do gen. Eisenhower, num gesto espetacular de submissão e prostração da elite ao imperialismo estadunidense. Trump foi avisado pelo Secretário de Estado que podia contar com o cheque em branco do Chanceler Vieira: “DON’T CHASE HOUSE CHICKEN. YOU DON’T RUN AFTER A HOME CHICKEN, MR. PRESIDENT” (galinha de casa não se corre atrás).
Trump ameaçou usar a força militar para obter o controle do canal de Panamá. Nem todos sabem mas essa iniciativa tem um motivo pessoal : forçar o governo do Panamá a cancelar impostos não pagos pela Trump Organization. Em 2017 uma investigação da Reuters-Nbc revelou que o Trump Hotel and Tower de Panamá City servia de cobertura para lavagem de dinheiro ligado ao narcotrafico.
O futuro de Gaza, como é de domínio público, será entregue a um governo técnico presidido por Trump e amigos como Blair, com a missão de transformar aquela Terra numa formidável ocasião para investidores internacionais. O programa é criar um grande centro imobiliario de luxo e um hub para trânsito de gás e petróleo mas segundo os bem informados, com uma diferença em relação ao projeto originário: os palestinenses que permanecerem não serão obrigados a fugir porque serão mão de obra com retribuição irrisória ou inexistente. O projeto Gaza Resort não deverá preocupar-se em importar trabalhadores porque vai contar com os palestinos que aceitarem as condições impostas.
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