
O Itamaraty é uma instituição cautelosa, firme em seus princípios de não alinhamento e de respeito à autodeterminação dos países.
Depois da atitude altiva contra os esbirros de Donald Trump, é compreensível que procure responder rapidamente a episódios que possam denotar mudança de comportamento dele.
Mas me parece que a aprovação à proposta de paz, em Gaza, foi muito precipitada.
Nada indica que irá para a frente.
É só analisar a cronologia dos fatos:
Trump chama Netanyahu e anuncia o plano de paz. As condições são curiosas:
- Israel se compromete a sair de Gaza.
- O Hamas aceita depor as armas, com garantia de anistia e de possibilidade de se mudar para outros países.
- Seria constituída uma junta, presidida por Tony Blair, para assegurar a reconstrução de Gaza.
- Deu 4 dias de prazo para o Hamas aceitar os termos.
No dia seguinte, Netanyahu declarou que não assumiu nenhum compromisso de sair de Gaza. Faz mais. Anuncia que cada habitante de Gaza que se recusar a abandonar a região será tratado como terrorista.
Alguém, em sã consciência, acha que o Hamas aceitaria depor armas, e devolver os reféns, confiando apenas na palavra de Trump – desmentido no dia seguinte por Netaniahu? Alguém, em sã consciência, acha que Netanyahu abriria mão da ocupação total de Gaza?
É evidente que não.
Tem-se, então, apenas uma proposta fundada na palavra de um presidente, Donald Trump, conhecido por atropelar contratos, acordos, mudar de ideia a cada semana.
Por tudo isso, a declaração do Itamaraty deveria vir acompanhada de condicionalidades, exigindo medidas adicionais para garantir a seriedade da proposta.
Dando um cheque em branco para um estelionatário político, não contribui em nada para a busca de uma saída real para o conflito.
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Luiz
2 de outubro de 2025 3:51 pmCertamente, a vingança desproporcional do Sr. Bibi nos faz lembrar de episódios históricos semelhantes com os guetos e as câmaras há 83 anos, final da década de 30, que vitimou seu povo. O bufão de cabelo amarelão (sem trocadilho com o Taco, entendido?) que agora tem um “exercito seu” – a farsa se repete na matriz – se acha a última bolacha do pacote. Portanto, confiar em ambos é a mais rematada tolice dos europeus e outros ocidentais. Bem faz o Império do Meio que não se verga, decorridos mais de cinco mil anos de história, com personagem como Sun Tzu, um general, estrategista e filósofo chinês e principal nome relacionado à escola militar de filosofia chinesa.
Fábio de Oliveira Ribeiro
2 de outubro de 2025 6:33 pmDiscordo. O Brasil decidiu deixar Donald Trump errar sozinho. O plano é dele e ambos (Trump e seu plano falido) devem afundar juntos por causa da evidente disposição de Israel continuar o genocídio em Gaza provocando uma nova guerra contra o Irã.
Johnsé Lennon
2 de outubro de 2025 6:56 pmNão pode dar carta branca à Cintia para me censurar,AFF !!!
emerson57
4 de outubro de 2025 11:31 amProvavelmente a “declaração do Itamaraty” foi patrocinada pelo mesmo cidadão que vetou a entrada da Venezuela nos BRICS não reconhecu a vitória de Maduro nas eleições presidenciais.
Creio que o visto deste NÃO foi cassado pelo Trump.
Spartacus
5 de outubro de 2025 4:25 pmO histórico das relações entre a classe dominante brasileira e a plutocracia estadunidense explica essa “cautela” — Artigo publicato ontem, dia 4 de setembro, no Sputnik: “Encontro de Trump com Lula faz Planalto colocar lei anti-sanções em banho-maria”. A possibilidade desse encontro (che Alckmim considera um avanço) fez com que o governo brasileiro adotasse uma postura “cautelosa” (!) Por sua vez Trump declara guerra econômica a quem entender e que venha beijar-me o cu (kiss my ass). /////// A recém formada República, encarnada no ditador Marechal Floriano Peixoto, não exitara em pedir ação dos militares estadunidenses contra seus próprios cidadãos civis e militares. Esse Marechal tentou erguer uma estátua a Monroe como sinal de reconhecimento (esse fato faz lembrar o Bolsonaro, Presidente da República, autêntico representante de entreguistas e lesa-pátria, batendo continência à bandiera estadunidense numa clara demonstração de subserviência). Para Eduardo Prado a amizade dos ocupantes da Casa Branca era pura conversa fiada. Ele percebera a brutalidade deles. Segundo Dunshee de Abranches, Prado foi autor do primeiro protesto contra a alienação do Brasil e contou com o apoio de Rui Barbosa. Importantes escritores denunciaram o Brasil caudatário sem-vergonha dos EUA. Para Lima Barreto os políticos estadunidenses eram os mais ignóbeis possíveis; “quando falam em Paz é porque premeditam ladroeira e agressão; paira sobre eles o espírito da brutalidade, do monstruoso e arquigigantesco”. /////// De lá pra cá muita coisa aconteceu mas a linha contínua da vassalagem permanece. Intacta. Nos ambientes do Itamaraty são visíveis imagens do Barão do Rio Branco mas eu aposto que na escrivaninha do diplomata “de carreira” é presente a foto do ex-Chanceler Otávio Mangabeira, então deputado da UDN em 1946, beijando publicamente a mão do gen. Eisenhower, num gesto espetacular de submissão e prostração da elite ao imperialismo estadunidense. Trump foi avisado pelo Secretário de Estado que podia contar com o cheque em branco do Chanceler Vieira: “DON’T CHASE HOUSE CHICKEN. YOU DON’T RUN AFTER A HOME CHICKEN, MR. PRESIDENT” (galinha de casa não se corre atrás). /////// O futuro de Gaza, como é de domínio público, será entregue a um governo tecnico presidido por Trump e amigos como Blair, com a missão de transformar aquela Terra numa formidável ocasião para investidores internacionais. O programa é criar um grande centro imobiliario de luxo e um hub para transito de gás e petrolio mas segundo os bem informados, com uma diferença em relação ao projeto originario: os palestinese que permanecerem não serão obrigados a fugir porque serão mão de obra com retribuição irrisória ou inexistente. O projeto Gaza Resort não deverá preoccupar-se em importar trabalhadores porque vai contar com os palestinos que aceitarem as condições impostas.
Spartacus
5 de outubro de 2025 4:27 pmO Ministério das Relações Exteriores é ciente das inúmeras razões para recusar qualquer tipo de assenso à poderosa organização assassina e terrorística dos tempos atuais que é USA-Israel. Elenco alguma dessas razões: 1 /// Trump é promotor e garante dos crimes de Netanyahu (que conta com aprovação de 73% da população israelenses para o programa da solução final dos palestinos): extermínio programado de um povo da propria terra, destruição total de Gaza e colonização predatória da Cisjordania. Nos planos da famiglia Trump é presente o “Gaza Trump Riviera and Islands”. 2 /// Trump apoia a estrategia de matar pela fome os palestinos sobreviventes de Gaza : ele impediu seu embaixador na ONU de firmar a declaração que denunciava a carestia como violação do direito internacional. 3 /// Trump permitiu o bombardeio de Doha. O Qatar protestou. Barak David, sionista do Unidade 8200, escreveu que Witkoff telefonou avisando o Trump mas já era tarde porque as bombas já tinham caído. 4 /// Trump reivindicou para si os falsos méritos diplomáticos de mediação entre Azerbaijão e Armenia, Ruanda e República Democrática do Congo, India e Paquistão. Exerceu pressões ao Nerenda Modi para que lhe atribuisse o mérito da resolução do recente conflito com o Paquistão. Modi recusou esquecendo que Trump é um brega narcisista patológico. Trump ofendeu-se: sacou do pincel atômico e autorizou a tariffa de 50% sobre tudo, sem preocupar-se de abrir uma crise diplomatica com um partner comercial importante. 5 /// Trump deu ordens de atacar os sitos nucleares iranianos numa violação grave do direito internacional e logo em seguida declarou que a capacidade atomica iraniana desaparecera do mappa. No seu discurso à Nação, declarou : “Quero agradecer e congratular-me com Netanyahu. Fizemos um perfeito traballo de equipe para cancelar uma horrível ameaça a Israel. Agradeço aos militares israelenses. Sobretudo quero congratular-me com os grande patriotas americanos que pilotaram aquelas máquinas fantásticas e com todas as Forças Armadas dos EUA. Não existe outro exército no mondo que possa fazer o que fizemos essa noite. Quero agradecer a Deus em particular. Quero dizer a ele que nós te amamos, Deus, e que amamos nossos grandes militares”. O chefe da Agencia para a Energia Atomica desmentiu-lhe e disse que a capacidade atômica do Iran continua de pé; Trump não gostou e deu-lhe um pé na bunda por justa causa. Sem emprego, foi praticar o “birdwhatching”. 6 //// Trump hipotizou ação militar para anexar a Groenlandia, territorio autônomo da Dinamarca e parte da OTAN. 7 /// Trump ameaçou usar a força militar para tosar o canal de Panamá. Nem todos sabem mas essa iniciativa tem um motivo pessoal : forçar o governo do Panamá a cancelar impostos não pagos pela Trump Organization. Em 2017 uma investigação da Reuters-Nbc revelou que o Trump Hotel and Tower de Panamá City Serbia de cobertura para lavagem de dinheiro ligado ao narcotrafico. 8 /// Trump reivindicou o Canadá, outro membro da OTAN, sem excluir a opção militar, desencadeando alarme em Ottawa e nos governos ocidentais. 9 /// Trump desmantelou a USAID, ativa desde 1961 contra, entre outras coisas, fome e doenças.
SPARTACUS
7 de outubro de 2025 10:23 amERRATA CORRIGE ———— A recém formada República, encarnada no ditador Marechal Floriano Peixoto, não hesitara em pedir ação dos militares estadunidenses contra seus próprios cidadãos civis e militares. ———— 7 /// Trump ameaçou usar a força militar para obter o controle do canal de Panamá. Nem todos sabem mas essa iniciativa tem um motivo pessoal : forçar o governo do Panamá a cancelar impostos não pagos pela Trump Organization. Em 2017 uma investigação da Reuters-Nbc revelou que o Trump Hotel and Tower de Panamá City servia de cobertura para lavagem de dinheiro ligado ao narcotrafico.
SPARTACUS
6 de outubro de 2025 2:56 pmERRATA CORRIGE ———— A recém formada República, encarnada no ditador Marechal Floriano Peixoto, não hesitara em pedir ação dos militares estadunidenses contra seus próprios cidadãos civis e militares. ———— 7 /// Trump ameaçou usar a força militar para obter o controle do canal de Panamá. Nem todos sabem mas essa iniciativa tem um motivo pessoal : forçar o governo do Panamá a cancelar impostos não pagos pela Trump Organization. Em 2017 uma investigação da Reuters-Nbc revelou que o Trump Hotel and Tower de Panamá City servia de cobertura para lavagem de dinheiro ligado ao narcotrafico.