4 de junho de 2026

Trump e Netanyahu insistem em esvaziar Gaza

Líderes voltam a defender deslocamento de palestinos, ignoram violações humanitárias e misturam guerra, política e autopromoção
Israel MFA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, se encontraram na noite desta segunda-feira (7) para um jantar privado na Casa Branca. Foi o terceiro encontro em menos de três meses, e serviu para reforçar um alinhamento que mergulha em interesses pessoais, eleitorais e ideológicos.

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Sem qualquer aceno à comunidade internacional ou ao direito humanitário, os dois voltaram a defender o deslocamento da população palestina da Faixa de Gaza. Também trataram da guerra na Ucrânia, do Irã, de uma possível indicação ao Nobel da Paz para Trump e, nos bastidores, do fortalecimento de Netanyahu no poder, apesar das graves acusações de corrupção que enfrenta.

Insistência na retirada de palestinos de Gaza

Logo no início do encontro, Trump e Netanyahu confirmaram que estão buscando países dispostos a receber palestinos que vivem na Faixa de Gaza. “Se as pessoas quiserem ficar, podem ficar, mas se quiserem sair, devem poder sair”, disse Netanyahu, apresentando a iniciativa como uma solução “humanitária”, ainda que não tenha especificado quais seriam esses países ou as condições oferecidas.

A proposta de esvaziar Gaza já havia sido defendida em ocasiões anteriores. Trump, em fevereiro, sugeriu transformar o território devastado por bombardeios em uma “riviera do Oriente Médio”, com resorts e infraestrutura turística. Netanyahu, por sua vez, declarou publicamente em maio que pretende “dominar toda a Faixa de Gaza”. A retórica disfarça uma política que flerta perigosamente com práticas de limpeza étnica.

Cessar-fogo entre Israel e Hamas ainda em negociação

Enquanto o mundo aguarda um cessar-fogo entre Israel e Hamas, os dois líderes demonstraram pouco compromisso com a resolução imediata do conflito. Netanyahu evitou comentar o assunto, e Trump limitou-se a dizer que acredita que um acordo possa ser fechado “ainda nesta semana”. “Acho que estamos perto de um entendimento”, afirmou.

A proposta liderada pelos EUA inclui trégua nos bombardeios, libertação de reféns e troca de prisioneiros, além da retirada parcial das tropas israelenses. O Hamas sinalizou adesão ao plano, mas, até o momento, nenhum avanço concreto foi anunciado.

O encontro serviu para reafirmar a disposição de Israel em manter a ofensiva e remodelar Gaza a seu gosto.

Trump volta a prometer armas à Ucrânia

Apesar de ter suspendido o envio de armamento à Ucrânia recentemente, Trump afirmou durante o jantar que os EUA precisam reforçar o apoio militar ao país. “Temos que fazer isso. Eles precisam ser capazes de se defender”, disse o presidente.

Pouco depois da declaração, o Pentágono anunciou um novo pacote de envio de armas ao Exército ucraniano, reacendendo o compromisso dos EUA na guerra contra a Rússia e demonstrando que mesmo decisões de alto impacto bélico podem ser tratadas de forma improvisada, ou oportunista, por Trump.

Acordo nuclear e alívio de sanções ao Irã

O Irã também entrou na pauta. Trump disse que os EUA vão retomar negociações sobre o acordo nuclear e que espera suspender as sanções “em algum momento”. Netanyahu, por outro lado, usou o jantar para agradecer pessoalmente os bombardeios norte-americanos a instalações nucleares iranianas no mês passado, que resultaram em um frágil cessar-fogo entre Teerã e Tel Aviv.

Indicação ao Nobel da Paz

Um dos momentos enfáticos do jantar foi a entrega, por parte de Netanyahu, de uma carta com a indicação de Trump ao Prêmio Nobel da Paz. O primeiro-ministro alegou que a nomeação foi motivada pelos “esforços” do presidente norte-americano em promover a paz no Oriente Médio. Segundo as regras do Nobel, a indicação pode ser feita por autoridades políticas e acadêmicas de todo o mundo.

Apoio político direto a Netanyahu

Nos bastidores, o jantar também teve um objetivo velado: manter Netanyahu no poder. Trump tem se empenhado em blindar o aliado, mesmo diante de denúncias graves de corrupção e abusos. Em junho, criticou os promotores israelenses responsáveis pelo julgamento do primeiro-ministro, alegando que o processo enfraquece o país em sua luta contra Hamas e Irã.

Aliados da linha-dura do governo israelense afirmam que o fortalecimento de Netanyahu é essencial para avançar com a normalização de relações com países como Arábia Saudita, Síria e Líbano — um “novo Oriente Médio” sob controle israelense, com respaldo americano.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

5 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    8 de julho de 2025 12:45 pm

    Os judeus é que devem desocupar o território expropriado dos Palestinos.

  2. Frederico Firmo

    8 de julho de 2025 3:15 pm

    Esta conversa entre Trump e Netanhyahu apenas demonstra que a conversação de paz é e sempre foi fake. Bibi parece estar usando o exército como uma tropa de choque para desocupação de área. Vai ganhando tempo com ações como a que fez contra o Irã. Na Cisjordânia a desocupação/ocupação vai aumentando assentamentos e destruindo qualquer futuro. Para Trump e Bibi é um grande empreendimento imobiliário em andamento. O sonho do resort mediterraneo parece excitar muitos grupos.

    “Projeto “Riviera Trump” em Gaza teve apoio de instituto de Tony Blair, diz FT
    Plano compartilhado com equipe de Trump previa pagar saída de 500 mil palestinos e criar polo comercial bilionário no enclave”

    Em meio a catástrofe humanitária , empresários planejam seus lucros. Devem acelerar a destruição. O ataque a Tehran foi apenas uma manobra diversionista para tirar o foco enquanto a destruição de Gaza continua. Netanhyahu sequer pensa em paz, apenas nos seus interesses enquanto tem suporte das figuras mais loucas que um dia chegaram em Israel. Em breve veremos alguma nação, com governantes bem pagos, abrindo as portas para palestinos forçados.

  3. Fábio de Oliveira Ribeiro

    8 de julho de 2025 4:32 pm

    Israel comete crimes de guerra, desafia as leis internacionais e desdenha todas as decisões proferidas em favor dos palestinos pela Corte Internacional de Justiça. Fazer guerra para conquistar territorios é expressamente proibido pela Carta da ONU; genocídio e limpeza étnica são crimes gravíssimos. Esse Estado maldito deveria ser expulso da ONU, os líderes dele já deveriam estar enjaulados. O Brasil precisa romper com Israel, congelar bens de israelenses no país e interromper todas as transações comerciais entre os dois países.

  4. JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO

    9 de julho de 2025 8:16 am

    O flagelo dos palestinos, começou quando um grupo de judeus europeus criaram o movimento sionista e e projetaram a criação de um estado nacional judeu nas terras milenarmente habitadas pelos palestinos descendentes dos povos cananneus. Até o início do século vinte, os habitantes da Palestina, eram seguidores de diversas religiões e viviam pacificamente sem conflitos graves por motivos religiosos, que só começaram a surgir com a invasão dos sionistas europeus, que contavam com apoio, a princípio, dos paises colonialistas e posteriormente do apoio do nascente imperialismo dos EUA, além do significativo apoio finaceiro da comunidade de judeus endinheirados. É importante ressaltar, que a atual população dos palestinos islamitas, são descendentes dos antigos judeus que habitavam a Judéia do período romano, e que se converteram ao islamismo. Portanto, quando os nazi sionistas os trucidam, na prática, estão, do ponto de vista étnico, eliminando os verdareiros judeus. Assim, para que exista paz na região torna-se necessdário o fim do regime sionista.

  5. AMBAR

    9 de julho de 2025 11:34 am

    Trump e Netanyahu confirmaram que estão buscando países dispostos a receber palestinos que vivem na Faixa de Gaza. “Se as pessoas quiserem ficar, podem ficar, mas se quiserem sair, devem poder sair” -(palestinos sairem de onde, para ficar onde?)
    Indicação ao Nobel da Paz – a nomeação foi motivada pelos “esforços” do presidente norte-americano em promover a paz no Oriente Médio.
    Meus olhos incrédulos e meus sentidos saturados se recusam a entender o que esses dois cadelos tramam contra o mundo.
    Só pode ser piada.
    Por que o próprio Netanyahu não se candidata ao premio Nobel da Paz, já que a erradicação pura e simples de uma população e a aterrorização de outras são “medidas para pacificar o oriente médio? Prêmio pra eles, só o IgNobel.

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