
A inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) reverteu a deflação de -0,11% vista em agosto e encerrou setembro em 0,48%, segundo divulgação do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Com isso, o indicador passa a acumular alta de 3,64% no ano e, nos últimos 12 meses, o total ficou em 5,17%. Em setembro de 2024, a variação havia sido de 0,44%.
A expansão foi diretamente afetada pelo grupo Habitação, responsável pela maior variação (2,97%) e maior impacto (0,45 p.p.) no índice desse mês, chegando ao seu maior resultado desde o mês de fevereiro. Em agosto, o percentual foi de 0,90%
A principal influência veio da energia elétrica residencial, que saiu de -4,21% no mês anterior para 10,31% em setembro, registrando o maior impacto individual (0,41 p.p.) na taxa de setembro, por conta do fim do Bônus de Itaipu, que concedeu descontos nas faturas de agosto, além da manutenção da bandeira tarifária vermelha patamar 2.
No ano, a energia elétrica residencial acumula uma alta de 16,42%, destacando-se como o principal impacto individual (0,63 p.p.) no indicador. Em 12 meses, o resultado é de 10,64%, representando um impacto de 0,44 p.p. neste tipo de comparação.
Para Roberto Simioni, economista-chefe da Blue3 Investimentos, o IPCA de setembro pela ótica da política monetária ainda é insuficiente para justificar cortes na taxa básica de juros em 2025.
“O resultado do IPCA de setembro de 2025 revela uma inflação pontual e concentrada em itens administrados, especialmente energia elétrica, enquanto os núcleos e a difusão indicam contenção das pressões subjacentes. (…) Esse cenário, ainda que não suficiente para justificar cortes imediatos na taxa Selic, fortalece a estratégia de cautela do Banco Central e abre espaço para revisões baixistas nas expectativas de inflação ao longo dos próximos trimestres”.
Outros avanços
Segundo o IBGE, outro destaque pelo lado das altas ficou com o grupo Despesas pessoais (0,51%), com impacto de 0,05 p.p. A variação foi afetada pelo item pacote turístico, que subiu 2,87%, e cinema, teatro e concerto, com alta de 2,75%, após a queda de 4,02% em agosto, em razão da semana do cinema.
Já o grupo Transportes registrou alta de 0,01%, com impacto nulo (0,00 p.p.), após a queda de 0,27% em agosto. Neste caso, a variação reflete a alta nos combustíveis (0,87%), que, no mês anterior, haviam caído em média 0,89%.
À exceção do gás veicular (-1,24%), os demais combustíveis apresentaram variações positivas em setembro: etanol (2,25%), gasolina (0,75%) e óleo diesel (0,38%). No lado das quedas, destacam-se o seguro voluntário de veículos (-5,98%) e a passagem aérea (-2,83%).
Alimentação em queda
Na outra ponta, o grupo Alimentação e bebidas (-0,26%) registrou queda pelo quarto mês consecutivo, com impacto de -0,06 p.p. A variação de setembro foi influenciada pela alimentação no domicílio, que caiu 0,41%, após redução de 0,83% de agosto, com destaque para as quedas do tomate (-11,52%), da cebola (-10,16%), do alho (-8,70%), da batata-inglesa (-8,55%) e do arroz (-2,14%). No lado das altas sobressaem as frutas (2,40%) e o óleo de soja (3,57%).
A alimentação fora do domicílio caiu de agosto (0,50%) para setembro (0,11%). Em igual período, o subitem lanche saiu de 0,83% para 0,53%, e a refeição foi de 0,35% para -0,16%.
Comunicação (-0,17%) e Artigos de residência (-0,40%) também tiveram deflação, ambos com impactos de -0,01 p.p. Os demais grupos registraram variações e impactos positivos: Educação (0,07% e 0,01 p.p.), Saúde e cuidados pessoais (0,17% e 0,02 p.p.), Vestuário (0,63% e 0,03 p.p.).
Quanto aos índices regionais, São Luís apresentou a maior variação (1,02%) impulsionada pela alta da energia elétrica residencial (27,30%) e do café moído (4,31%). A menor variação (0,17%) foi registrada em Salvador, por conta das quedas no tomate (-20,08%) e no seguro voluntário de veículos (-6,36%).
TWA
19 de outubro de 2025 11:57 amCadê as usinas a fio d’água da Dilma que não geram quase nada, uma em descomissionamento por falência estrutural no MT e a falta de linhas de transmissão de energia solar/eólica do NE para o SE !?