4 de junho de 2026

Cargill: negócios, expansão e muita discrição

EMPRESAS HISTORICAS – CARGILL – Centenária firma de grãos com sede em Minneapolis nos EUA, nascida em 1865 no rescaldo da Guerra Civil. É uma firma de família, privada, não tem ações em bolsa, se fosse de capital aberto seria a 9ª empresa dos EUA, maior que a Ford Motor Co. Em 2012 faturou 140 bilhões de dólares, tem 1.000 fábricas e terminais em 66 paises, controlada pelas familias Cargill e MacMillan que são interligadas. A família é discretíssima, poucas fotos existem, a fortuna familiar é estimada em 30 bilhões de dólares.

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Cargill fornece 22% da carne consumida nos EUA, sua grande fonte de abastecimento é a Argentina.

A Cargill não é só uma trading de grãos, processa todos os tipos de produtos agrícolas, produz óleos vegetais, alimentos de muitos tipos, adubos (comprou a Provimi), é a exclusiva fornecedora de ovos para a MacDonold, tem portos, navios, barcaças, terminais, silos.

Sua história é bem complicada com muitos inimigos, acusada de ser aproveitadora de guerra na Primeira Guerra Mundial quando abastecia as tropas inglesas cobrando caro.

A Bolsa de Chicago recusou sua filiação em 1934, por forte resitência de outros traders,  com forte apoio do governo a Bolsa foi obrigada a aceitá-la como trader, continuando a Cargill a ter como inimigos os outros membros.

Suspensa  da Bolsa em 1938 sob acusação de manipulação de preços, cinco anos depois avisaram que aceitariam sua volta, mas a Cargill, orgulhosa e arrogante, se recusou. So voltou à Bolsa em 1962.

A Cargill é reconhecida pelo seu excepcional serviço particular de inteligência para acompanhar as safras de produtos agrícolas em todo o mundo, considerado melhor que do próprio Departamento de Agricultura dos EUA. É essa massa de informações que permite à Cargill se antecipar às flutuações e fazer seu jogo de preços.

Como toda grande firma passou por muitas crises, a maior foi a quebra da Russia em 1998, sua grande cliente de grãos, que começou a comprar em 1976 em quantidades cada vez maiores, a Cargill vendia à prazo.

A Russia deu calote por dois anos causando grande impacto às finanças da Cargill, que já tinha sofrido antes com a crise de  grandes países da Ásia, seus compradores fortes, como Indonésia, Coréia do Sul e Tailândia.

Brasil e Índia são dois grandes mercados em expansão, no Brasil a Cargill tem até banco próprio para gerir seu caixa, responde por boa parte da exportação da safra de soja, é a maior do Quinteto dos Grãos mas aparece menos que as outras quatro, é política da firma ser o menos visível possível por boas razões.

No  seu século e meio de vida teve muitos inimigos e agora é alvo preferencial de ongs tipo Greenpeace que a acusam de todo tipo de crime ambiental com ou sem razão.

Uma grande empresa audaciosa, misteriosa, ambiciosa ao extremo, responde por boa parte da alimentação do planeta, é uma das maiores empresas do Brasil e muita gente nunca ouviu falar dela.

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

2 Comentários
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  1. Pedro Penido dos Anjos

    22 de fevereiro de 2014 12:55 pm

    Informações preciosas.

    Informações preciosas.

    1. Dulce (Madame X)

      23 de fevereiro de 2014 10:47 am

      …e aterradoras

      …e aterradoras também.

      Alimentam uma parte do mundo, que pode pagar seus preços….e matam de fome a parte que “não lhes interessa”.

      A globalização deu em uma GRANDE MER%A. Perdemos a capacidade de resolver os problemas de abastecimento e produção na própria vizinhança…com adaptações regionais.E caimos NÃO MÃOS de CINCO EMPRESAS MUNDIAIS.

      Estamos “FU… e mau pagos.”

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