Há 50 anos, o jornalista brasileiro Vladimir Herzog, diretor de jornalismo da TV Cultura e professor da USP, foi preso sem ordem judicial pelo DOI-CODI, órgão de repressão do regime, e torturado até a morte.
A versão oficial inicial informou suicídio, mas depois foi confirmado que Herzog morreu devido a lesões e maus-tratos sofridos durante o interrogatório.
Sua morte causou grande comoção pública e repercussão, especialmente porque Herzog não era um dirigente partidário, mas um jornalista que fazia seu trabalho. Por conta disso, a morte de Herzog foi um marco na luta pela redemocratização no Brasil e permanece um símbolo da resistência contra a repressão e a defesa da liberdade de imprensa.
A exposição da violência do regime contra ele gerou uma importante reação da sociedade civil, incluindo manifestações e ações de líderes religiosos, que contribuíram para enfraquecer a ditadura nos anos seguintes.
A repercussão do caso evidenciou a divisão dentro do próprio regime e fortaleceu as forças que defendiam a abertura política, como destacou a diretora do documentário “Herzog – O Crime que Abalou a Ditadura”, ao apontar a disputa entre a linha dura do Exército e os setores que desejavam a transição para a democracia.
Em 31 de outubro de 1975, cerca de 8 mil pessoas se reuniram para um culto ecumênico na Catedral da Sé em São Paulo, em memória a Herzog, o que se tornou uma das maiores manifestações civis contra a ditadura até então. Esse ato foi um ponto alto na mobilização popular, sinalizando a crescente indignação contra a repressão e a exigência de justiça.
O caso Herzog mobilizou famílias de outras vítimas da ditadura, artistas, jornalistas, religiosos e movimentos sociais, ampliando a pressão pelo fim do regime militar e pela concessão da anistia, que daria perdão aos crimes políticos e políticos e abriria caminho para a retomada da democracia.
O impacto do crime e a denúncia pública do engano do suicídio oficial ajudaram a relançar a luta pela revisão da Lei da Anistia e pela responsabilização dos agentes do Estado, embora o processo judicial e político tenha se estendido por décadas.
Ato na Catedral da Sé
Os eventos públicos em referência aos 50 anos da morte de Herzog incluíram um ato inter-religioso na Catedral da Sé, em São Paulo, realizado em 25 de outubro de 2025. O evento foi organizado pela Comissão Arns, Instituto Vladimir Herzog e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP).
Participaram artistas, familiares, autoridades, parlamentares, ministros, além de figuras públicas e representantes religiosos como Dom Odilo Pedro Scherer, a reverenda Anita Wright (filha do pastor Jaime Wright) e o rabino Ruben Sternschein. Houve apresentações do Coro Luther King e exibição de vídeos, incluindo uma leitura da carta da mãe de Vladimir Herzog, Zora Herzog, feita pela atriz Fernanda Montenegro.
Esse ato foi uma reedição do protesto histórico de 1975, quando cerca de 8 mil pessoas se reuniram no mesmo local, desafiando a repressão da ditadura e transformando o evento em um símbolo da resistência civil e marco da redemocratização do Brasil. O encontro também homenageou todas as famílias que perderam parentes para a violência do regime, ressaltando a importância da memória e da luta por justiça diante da impunidade persistente.
Além dessa cerimônia principal, outras atividades e homenagens foram organizadas em diversas instituições para recordar o legado de Vladimir Herzog e reafirmar o compromisso com a defesa dos direitos humanos e da liberdade de imprensa.
Deixe um comentário