11 de junho de 2026

A história da Companhia Matte Laranjeira

Por Motta Araujo

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EMPRESAS HISTÓRICAS – COMPANHIA MATTE LARANJEIRA – Chegou a ser um Estado dentro do país, com concessão de terras de 5.000.000 de hectares para explorar erva mate nativa. Teve origem numa recompensa que o Governo Imperial deu a Thomas Laranjeira por seu auxílio na Guerra do Paraguai. Teve sua primeira base em Concepción, no Paraguai e em 1882 um Decreto Imperial consolidou a concessão. A Companhia operava no Mato Grosso e Paraguai onde criou um porto especial para suas exportações de mate que iam também para a Argentina. Esse porto passa a ser a sede da empresa, conhecido como Porto Murtinho em homenagem a Joaquim Murtinho, que, já na República, era Ministro da Fazenda da Presidência Campos Salles. Os principais acionistas da Companhia eram o Banco Rio Branco, da família Correa da Costa, a família Murtinho e a família Mendes Gonçalves. A Companhia tinha ferrovia própria e a erva mate era puxada até a linha de trem por 800 carretas para cuja tração a empresa tinha 20.000 bois. Grande parte da mão de obra era indígena, especialmente guaranis e kaiwás.
 
De 1926 a 1929 a Companhia era tão rica que emprestou dinheiro ao Estado de Mato Grosso, as exportações para a Argentina cresceram muito, passou a ter também acionistas argentinos.
 
Em 1943, já no Estado Novo, Getuúio Vargas cancelou as concessões da Mate Laranjeira criando os Territórios do Iguaçu e de Ponta Porã e o Serviço de Navegação da Bacia do Prata para concorrer com os navios da Companhia.
 
A Companhia Matte Laranjeira foi uma típica empresa colonial de exploração de território, teve grande poder político no Mato Grosso e faz parte de todo o desenvolvimento daquela região, constituiu duas cidades que foram sua bases, Porto Murtinho e Guaíra, deixou sua marca na fase historica do desbravamento do Oeste brasileiro.
 
Até hoje existem empresas sucessoras do Mate Laranjeira explorando o mesmo ramo.

 

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8 Comentários
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  1. Pedro Penido dos Anjos

    21 de fevereiro de 2014 2:16 pm

    O Roberto Farias , no início

    O Roberto Farias , no início da década de 60, realizou “Selva Trágica”, que é um pequeno grande filme iinspirado nas historias que cercaram a companhia.

    Confiram:

    http://www.youtube.com/watch?v=NrPZO-c_tAU

     

    1. Motta Araujo

      21 de fevereiro de 2014 5:30 pm

      Excelente informação, não

      Excelente informação, não sabia desse filme, vou pesquisar através dele.

      Outro episodio de exploração territorial gerou a Guerra do Contestado em Santa Catarina, a partir de uma companhia de exploração de madeira subsidiaria da celebre Brazil Railway do grupo Farqhuar.

      1. Laércio Cardoso

        11 de fevereiro de 2016 11:38 pm

        Erva-mate

        Bem por aí pessoal, mas com algumas ressalvas… muito bom o filme Selva Trágia, que foi inspirado no liro de Hernani Donato com o mesmo nome em 1959…

        Também tem o documentário Caá – a força da erva, que complementa o Selva Trágica – https://www.youtube.com/watch?v=Dzp2ZPfbN_0

        Entretanto, quando a Companhia Mate Larangeira se tornou forte, a escravidão já havia sido abolida e, mesmo essa Cia tendo o maior controle das concessões de erva-mate na região do atual sul de Mato Grosso do Sul, não podemos afirmar que existia um monopólio… uma vez que no contrato de arrendamento era permitido que outros extrativistas que ali estavam também pudessem fazer daquele empreendimento o seu sustento…

  2. Sergio SS

    21 de fevereiro de 2014 2:26 pm

    Isto prova duas coisas:
    1.

    Isto prova duas coisas:

    1. Getúlio teve lampejos de grande estadista ao ter coragem de derrubar uma corporação gigante e exploradora visando o desenvolvimento regional de forma equilibrada; e

    2. Os reais motivos (ocupação de território, exploração de mão de obra) da atual situação dos conflitos indígenas na região.

     

  3. Frederico69

    21 de fevereiro de 2014 5:38 pm

    então

    tem um mate laranjeira em cascavel. bem na entrada da cidade. não sabia que tinha tanta história por trás.

  4. Flics

    21 de fevereiro de 2014 9:02 pm

    Uma grande empresa…

    … que explorava mão de obra escrava… 

    1. A.Araujo

      21 de fevereiro de 2014 10:47 pm

      Ao que consta não era

      Ao que consta não era escrava, os indios se ofereciam para trabalhar e recebiam pagamento, ninguem era laçado.

  5. Jivago Toldo

    30 de junho de 2017 2:12 am

    Correção na Matéria…

    O nome da Companhia Mate descrita no texto, está com um pequeno erro, inclusive no nome de Thomás.

    A Correta Gráfia é Thomás Larangeiras e o nome da empresa Companhia Mate Larangeira.

     

    De resto a história sobre a Cia, os desdobramentos, a criação da nossa querida Guaíra, mesmo com 

    a tragédia de Sete Quedas, é uma história que não pode ser esquecida… 

     

    Visitem nossa página http://www.memoriasguairenses.blogspot.com / http://www.facebook.com/memoriasguairenses 

     

    Um Abraço.

    Jivago Toldo.

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