11 de junho de 2026

O fim do antilulismo automático, por Luís Nassif

Aparentemente, caiu a ficha do que significaria para o país — e para a mídia hegemônica — uma eventual vitória do bolsonarismo.
Reuters - Reprodução

A cobertura da operação Master pela Globo foi enviesada, focando STF e Lula em vez do Centrão e DF.
O vazamento da conversa entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro mudou a narrativa e alertou para o risco bolsonarista.
O Globo passou a destacar dados relevantes da pesquisa Quaest, mostrando maior distância entre Lula e Bolsonaro.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

Os movimentos da mídia são curiosos. De um lado, as preferências políticas. De outro, os movimentos conduzidos por vazamentos direcionados. E, no meio, a necessidade de equilibrar posições — de disfarçar as preferências políticas por trás de uma suposta isenção jornalística.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

A manipulação das narrativas começa na seleção dos fatos que merecem manchete de primeira página ou título de matéria. Com frequência, a cobertura se torna prisioneira de fontes privilegiadas, que entregam informações exclusivas — ou vazamentos de inquéritos — de modo a direcionar a pauta. O efeito-manada e o jornalismo-sela — a imprensa encilhada pela fonte, montada e conduzida por ela — são personagens recorrentes.

Faço essa introdução para uma análise do jornalismo da Globo, em especial do jornal O Globo e da GloboNews (confesso que não tenho assistido ao Jornal Nacional e ao Fantástico).

Quando começou a operação Master, uma parceria entre peritos lavajatistas e jornalistas lavajatistas de O Globo e da GloboNews enviesou totalmente a cobertura. O que era um escândalo do Centrão e do governo do Distrito Federal transformou-se em escândalo do Supremo Tribunal Federal e em tentativa de jogar Lula e o PT para o centro do caso. Caminhou-se para um ensaio de Lava Jato 2, cujo ápice foi o PowerPoint de Andréia Sadi. Via-se, com clareza, uma perda de rumo da direção — tanto do jornal quanto da GloboNews.

O desgaste foi imediato. As críticas explodiram em todos os canais digitais. E a marcha foi interrompida pelo vazamento da conversa entre Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro, divulgada por um jornal alternativo, o The Intercept.

Esse foi o ponto de virada que alertou os jornais: manter o antilulismo irracional significaria fortalecer as organizações que se escondem por trás do bolsonarismo.

Pode ter sido um clarão ocasional ou uma tomada de posição racional. Mas quem acompanha O Globo percebeu uma mudança radical no tratamento das matérias políticas. Um exemplo: a Quaest solta uma pesquisa. A nota relevante é o aumento da distância entre Lula e Flávio Bolsonaro. O eixo Estadão-Veja preferiu destacar a visão negativa em relação a Lula, empatada com a positiva. Já O Globo foi pródigo em praticar jornalismo e conferir à pesquisa os destaques efetivamente relevantes: o aumento da diferença entre Lula e Bolsonarinho e a diminuição da rejeição a Lula entre os evangélicos. Na própria GloboNews, a ala da direita não poupa críticas a Flávio Bolsonaro.

Aparentemente, caiu a ficha do que significaria para o país — e para a mídia hegemônica — uma eventual vitória do bolsonarismo. De um lado, o desmonte de qualquer veleidade de transformar o país em uma Nação. De outro, o tiroteio direto contra a mídia convencional, em favor das redes mais ligadas aos evangélicos.

Muita água ainda vai rolar, há muita narrativa no ar e muito amadorismo na edição dos jornais. Mas, ao menos nestes últimos dias, ficou a impressão de uma retomada da racionalidade.

LEIA TAMBÉM:

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados