10 de junho de 2026

O sucesso do caos, por Francisco Celso Calmon

Não há mais como negar a verdade crua: Cláudio Castro é ideólogo da morte e do desprezo ao povo carioca.
Mulher se emociona ao fazer reconhecimento do corpo do filho, um dos mortos na chacina do Rio, no Instituto Médico Legal - Fernando Frazão/Agência Brasil

▸Rio de Janeiro mergulha no caos com megaoperação violenta do governo, resultando em mortes e medo na população.

▸Governador Cláudio Castro é acusado de priorizar interesses políticos em operação caótica, gerando críticas e revolta.

▸Crise expõe desigualdades sociais e impunidade de poderosos, apontando falhas estruturais e falta de segurança para a população.

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O sucesso do caos

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por Francisco Celso Calmon

 Essa é a única definição possível para o espetáculo de horror que se abateu sobre o Rio de Janeiro, orquestrado por um governo que perdeu completamente a sua direção.

Este governador é completamente transviado, guiando não por um compromisso com a vida e a ordem, mas por um desvio moral que o afasta do povo que jurou proteger.

Vivemos a maior tragédia sem resultados para a população. 

O saldo são vidas ceifadas sem direito de um julgamento justo e completo, uma cidade em luto e a mesma violência estrutural intocada. 

Nada foi resolvido, nada foi melhorado para o cidadão comum que só deseja paz e dignidade.

Está tão claro quanto a luz do dia que ele está tão desprestigiado que lança mão de uma operação caótica com objetivos não de segurança, mas políticos. É um ato desesperado de um homem público falido, tentando se reerguer sobre um palanque de cadáveres, acreditando que o sangue derramado nas favelas pode lavar sua imagem desgastada e o levar a ganhar as próximas eleições.

Não há mais como negar a verdade crua: Cláudio Castro é ideólogo da morte e do desprezo ao povo carioca. Sua doutrina é a da bala, seu projeto de poder é construído sobre o luto alheio e seu desdém pela população negra e pobre é a base de sua governança.

E o resultado dessa ideologia fatal está à vista de todos. Um dia após a megaoperação, o Rio está silencioso, fechado em casa, improdutivo e triste. 

O medo não foi derrotado. A cidade paralisada é o resultado de uma política que só sabe gerar pânico e destruição.

Esta é a engrenagem perversa que sustenta certos políticos. O caos é alimento ao fascismo. É histórico. Sempre foi. 

É da desordem e do terror que brotam os discursos autoritários, que se justificam as medidas de exceção e que se consolida um projeto de poder baseado na opressão.

E vale lembrar: a maior apreensão de fuzis no Rio de Janeiro não foram os 93 apreendidos na operação de ontem, mas sim os 117 fuzis apreendidos no depósito da casa do vizinho e amigo de Bolsonaro no condomínio Vivendas da Barra.

Os verdadeiros cabeças do crime, que operam com poder e influência, continuam intocáveis, sob as luzes de Ipanema e do Leblon e das luxuosas massões da Barra da Tijuca.

Francisco Celso Calmon, Analista de TI, administrador, advogado, autor dos livros Sequestro Moral – E o PT com isso?, Combates Pela Democracia, 60 anos do golpe: gerações em luta, Memórias e fantasias de um combatente; coautor em Resistência ao Golpe de 2016 e em Uma Sentença Anunciada – o Processo Lula. Coordenador do canal Pororoca e um dos organizadores da RBMVJ.

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Francisco Celso Calmon

Francisco Celso Calmon, Analista de TI, administrador, advogado, autor dos livros Sequestro Moral – E o PT com isso?, Combates Pela Democracia, 60 anos do golpe: gerações em luta, Memórias e fantasias de um combatente; coautor em Resistência ao Golpe de 2016 e em Uma Sentença Anunciada – o Processo Lula. Coordenador do canal Pororoca e um dos organizadores da RBMVJ.

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