21 de maio de 2026

Bandido bom é bandido rico, por Virgínia Pignot

A PF deflagrou a Operação Colossus, em setembro de 2022, para apurar lavagem de dinheiro, evasão de divisas e associação criminosa
Reprodução PF

▸ Operação Colossus desmascara esquema de lavagem de dinheiro com criptomoedas envolvendo R$ 18 bilhões e suspeitas de ligação com o PCC.

▸ Investigação revela cumplicidade de bancos e mudanças na regulação que facilitaram transações suspeitas, incluindo a responsabilidade de Roberto Campos Neto.

▸ Jornalista denuncia sistema de cumplicidade cruzada entre mercado financeiro e crime organizado, criticando a postura da imprensa brasileira.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

Bandido bom é bandido rico

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

por Virgínia Pignot

Preâmbulo

Operações da Polícia Federal, junto com o Ministério Público, a Polícia Civil, e a Polícia Militar investigaram a denúncia que instituições financeiras e um banco estariam servindo de braço armado para possível lavagem de dinheiro por organização criminosa. Qual foi o resultado das Operações? Vamos ao início da história antes de chegar ao resultado rico de provas mas desapontador quanto ao desfecho, e vamos questionar no final portas giratórias de cargos e cumplicidades cruzadas, inclusive com a imprensa financeira brasileira, que acabam protegendo bandidos ligados ao crime organizado e ao mercado financeiro. No caso, o artigo do Estadão que revelou os fatos omitiu de citar o nome de um dos suspeitos envolvidos, Roberto Campos Neto, responsável na época dos fatos da área de câmbio do Santander.

No início, movimentações bancárias suspeitas

Movimentações bancárias suspeitas ligadas à negociação de criptoativos deram origem a um relatório da Inteligência financeira e às investigações. O esquema envolveu envio de valores superiores a R$ 18 bilhões para o exterior, para Singapura, Hong Kong, Estados Unidos. Os cabeças do golpe se valiam de documentação falsa para ocultar a origem nacional dos recursos. A PF deflagrou a Operação Colossus, em setembro de 2022, para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e associação criminosa relacionada a operações com criptomoedas no período de 2017 a 2021. Sessenta e oito empresas de fachada foram contabilizadas. Minha fonte para escrever este artigo foi essencialmente o jornalismo independente do GGN.

Suspeita que seria dinheiro do PCC

Um dos operadores, chamado de “Rei do Cripto”, foi preso ao desembarcar em Dubai com R$ 13 bilhões sem registro fiscal. A suspeita é que seria dinheiro movimentado pelo PCC. A Colossus se desmembrou nas operações Aluir, em agosto de 2024, e Sibila, em setembro de 2025. Cinco instituições financeiras estão implicadas, e um banco, o Santander: o Master, Genial, Travelex, Banco de Câmbio S/A, Haitong Banco de Investimento do Brasil S/A, e para completar, o Banco Santander. O esquema foi denunciado por quatro outros bancos e por uma corretora de valores, que recusaram de participar do golpe.

Cumplicidade dos bancos. Jabutis na regulação abortaram a operação?!

A investigação da PF começou em janeiro 2020. A Operação Colossus concluiu que houve “cegueira deliberada” por parte dos bancos, quer dizer, as transações criminosas ocorreram com a cumplicidade dos bancos envolvidos. Porém, o Congresso modificou em 2021 a lei 14.286, a lei do câmbio. Uma das medidas ampliou os poderes do Banco Central para regular o mercado de câmbio, incluindo a autorização para instituições autorizadas a remeter recursos para o exterior. Mas isso, me parece, não tira a responsabilidade dos bancos envolvidos de assinalar ao COAF transações suspeitas. Para completar, a resolução 277 do dia 31-12-2022, de Campos Neto que já tinha saído do Santander no mesmo ano para assumir a direção do Banco Central. Por ela, a responsabilidade de definir a finalidade da operaçao passou a ser apenas do cliente. O jornalista Luís Nassif ironiza: assim, se uma organização criminosa diz estar enviando dinheiro para uma organização caritativa, o banco acredita sem verificação?

Nassif denuncia o sistema de cumplicidade cruzada

Como uma investigação séria, com elementos de prova pode “dar em pizza”, e deixar os envolvidos, remetedores de dinheiro “sujo”, ilegal ao exterior e seus cúmplices em instituições financeiras passarem ilesos? Nassif incrimina o sistema de porta giratória e cumplicidades cruzadas que acabam facilitando a vida do crime organizado. Ele evoca um membro do Supremo “extremamente evangélico”, que mal entrou na instituição, passou a vender cursos para grupos ou empresas, como a FIESP, que ele deverá eventualmente investigar. Dallagnol e outros membros da Lava Jato também deram palestras para empresas investigadas na operação cujos responsáveis envolvidos na denúncia saíram ilesos das investigações. Roberto Campos Neto foi trabalhar numa fintech depois de ter criado ou apoiado medidas que deixaram essas empresas financeiras com pouca regulação e impostos, durante o governo bolsonaro.

A imprensa é mais amiga do mercado e do crime organizado que do povo?

Tão pródiga ao alardear denúncias frágeis ou mentirosas para incriminar membros do PT sem outras provas que a palavra de um delator sob tortura psicológica, a atacar responsáveis de movimentos sociais, representantes dos trabalhadores sem terra, cotistas, Mais Médicos…, a imprensa brasileira facilitou a ascenção da extrema direita bolsonarista. Ela tem uma dívida com o povo.  Neste momento de luta pela redemocratização, depois que o país escapou a mais um golpe autoritário, com um congresso recheado de membros eleitos pelo crime organizado,  a imprensa está devendo ao país outra mensagem que sua omissão a denunciar os crimes do mercado financeiro em conluio neste caso com o crime organizado veiculam: “bandido bom é bandido rico.”

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para dicasdepautaggn@gmail.com. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: https://www.catarse.me/JORNALGGN

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados