4 de junho de 2026

Sobre os crimes contra homossexuais e as dicas de comportamento da Folha

Enviado por Gunter Zibell
 
Do blog Vai Melhorar
 
 
No dia 09/02/2014,  a Folha de S. Paulo publicou uma nota divulgando quais são as medidas de segurança adotadas por pessoas gays que frequentam a rua Frei Caneca, em São Paulo.
 
“ESTRATÉGIAS DE SEGURANÇA
As táticas adotadas pelos frequentadores da rua Frei Caneca para evitar agressões:
Andar sempre em grupos: ter amigos por perto pode intimidar agressores
Evitar lugares abertos: ir a locais fechados sempre que possível para aumentar segurança
Não dar ‘pinta’: alguns trejeitos podem atrair a atenção de criminosos
Evitar andar de mãos dadas e beijar em locais públicos”
fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/151441-estrategias-de-seguranca.shtml
 
Isso denuncia como as pessoas homossexuais são tratadas quando a questão é a violência contra elas.
 

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Com isso não quero dizer que só homossexuais sofrem, não, gente. Mulheres sofrem isso, ainda mais que homossexuais, só olhar os índices de estupro e violência contra a mulher que verão, mas como a matéria fala sobre homens homossexuais, falarei sobre isso.
 
Quero além de tudo me ater à uma parte da matéria: “Não dar ‘pinta’: alguns trejeitos podem atrair a atenção de criminosos.” Isso denuncia algo muito grande, ainda que de forma sutil, que é a misoginia (não quero dizer que homens sofrem misoginia, estou dizendo que a repulsa ao feminino e a subalternização do feminino pode ser vista como misoginia) e como isso está atrelado em nossa sociedade e quando digo sociedade falo também na comunidade gay.
 
Quando a matéria diz que dar pinta atrai a atenção dos criminosos, faz com que apontemos quem são os criminosos e que eles sejam responsabilizados e culpabilizados pelos crimes que cometem.
 
Você pessoa afeminada que não corresponde às normas de gênero impostas à ti, você que não consegue corresponder ou se preocupa e/ou se nega à corresponder à um padrão de masculinidade seguro. Você não é culpado da violência que sofre, a violência que é lançada contra ti, contra o feminino, não é responsabilidade sua, não é sua culpa.             
 
De fato sua feminilidade, o fato de você ser afetado, afeta à sociedade e desperta os criminosos, aqueles que cometem crimes contra você, contra sua identidade, aqueles que segregam você e dizem que você não tem dignidade, essas pessoas são criminosas, elas sim são culpadas pela violência que geram, então vamos nomeá-las, vamos dizer quem elas são, vamos nos unir contra elas, pois se não enfrentarmos nossos criminosos voltaremos pro armário, voltaremos pro escondido e assim diremos que quem somos é digno de vergonha e culpa, porém te digo o contrário, não há nada de vergonhoso em ser afetado, não há nada de vergonhoso na sua feminilidade, vergonhoso é ser misógino, vergonhoso é ser homofóbico, vergonhoso é querer dizer que pra nos protegermos temos que deixar de existir em publico.
 
A feminilidade atraí criminosos, isso é um fato, criminosos esses que me cuidaram na infância. Criminosos foram meus tios que usavam de coação e chacota contra minha feminilidade ainda na infância, criminosa foram minhas tias que em brigas usavam-me de álibi para ofender minha mãe, por conta de minha feminilidade.
 
Criminosos foram meus primos que me xingavam e me impediam de brincar por conta de minha feminilidade, que me chamavam de frutinha, viadinho, boiola só para me fazerem sentir ainda mais excluído, me fazerem sentir subalternizado e saber que meu jeito não era bem vindo.
 
Criminosos foram as pessoas na rua que diziam que por eu ser afeminado eu jogava futebol de forma ruim, porém no vôlei eu era mais bem aceito por ser um jogo feminino. Criminosos foram as pessoas na escola que me excluiam por minha feminilidade na hora da interação social, mas juravam que na hora da prova eu era a melhor pessoa para passar cola.
 
Criminosos foram os meus professores que nunca interferiram quando alguém zombava de minha feminilidade, criminoso foi aquele menino na quinta série que me agrediu enquanto eu ia ao banheiro só por que eu não representava uma criança masculina, criminosos foram esses amigos de classe que me subalternizavam e para superar isso eu tinha que ser bom em falar de sexo hétero e só era respeitado enquanto eu estava pegando as menininhas.
 
Criminosos foram os diretores e professores que viam minha dificuldade e não falavam nada, criminosos foram minhas primas que zombavam do meu cabelo grande e diziam que eu parecia uma menina, como se parecer uma menina fosse algo horrível.
 
Criminosos foram aqueles meninos que paravam eu e minha namorada perguntando se éramos lésbicas. Criminosa foi a igreja quando me ingressei nela e tinha que corresponder as normas de gênero e sexualidade. Criminoso foi aquele pastor que dizia que eu interpretava o culto em libras de uma forma “meio estranha” e que era para eu parar de interpretar. Criminosos foram meus amigos da igreja que se afastaram de mim no dia que me assumi gay,
 
Criminoso foi meu amigo que no dia que me levou na casa da vó dele e pediu para eu maneirar nos trejeitos, criminoso foi aquele menino gay que falou para eu ter jeito de homem para não manchar a honra da classe, criminoso foram todos os meninos gays que disseram que eu não precisava dar pinta.
 
Criminoso foram amigos de trabalho que me achavam afeminado demais para ter qualquer contato fora do trabalho, esses sim cometeram crimes. Crimes esses que fizeram com que eu vivesse uma vida tentando me esconder, tentando fingir que eu era normal, tentando parecer menos afeminado, esses atentados contra minha identidade fizeram com que eu sentisse vergonha de ser afeminado, esses crimes fazem com que cresçamos com vergonha, faz com que cresçamos reforçando uma masculinidade que não é nossa.
 
Isso tudo faz com que achemos que estamos errado, faz com que sintamos vergonha. Lembro até hoje que quando assumi minha sexualidade pedi para que amigos me dessem toques de quando eu estava sendo afeminado e quando eu estava tendo trejeitos, passava conversas inteiras me policiando para não dar pinta, passava sempre em alerta tentando parecer uma pessoa hétero, tentando sustentar uma masculinidade, todos esses atentados contra minha identidade me fizeram entrar em relações fingindo uma masculinidade que não era minha e pior, me faziam procurar relações com pessoas que não aceitavam a minha feminilidade, então nunca me sentia bem para expressar de fato quem eu era.
 
Quando alguém diz que não precisamos ser afeminados, quando alguém diz que não curte afeminados, quando somos subjulgados por nossa feminilidade, isso sim é um crime, esses sim são os verdadeiros criminosos, quando alguém acha que somos mais frágeis, mais sensíveis, mais manhosos, menos fortes por sermos afeminados essas pessoas estão cometendo crimes contra nossas identidades, estão dizendo que a nossa feminilidade nos faz subalternos, nos faz submissos e não nos faz fortes, essas são inverdades sobre nós, pois podemos ser quem nós quisermos ser, não será minha feminilidade que fará com que eu seja mais sensível, com que eu seja mais manhoso, com que seja menos forte, minha feminilidade não diz nada sobre isso, minha feminilidade é apenas uma expressão de quem eu sou e eu me orgulho dela, pois para aceitar minha feminilidade eu tive que enfrentar meus criminosos, para viver minha feminilidade eu tive que peitá-los e dizer quem de fato estava errado nessa história toda.
 
Não sinta vergonha da sua feminilidade, não sinta medo de expressar quem de fato você é, se você não conseguir saber quem é e expressar isso de forma sincera, os outros dificilmente saberão como te respeitar.
 
Não há nada de errado com nossa identidade, não há nada de errado com nossa feminilidade, não deixe com que esses criminosos continuem dizendo que estamos errados, não deixaremos que façam isso conosco, nossa feminilidade não nos faz alguém pior ou melhor, nossa feminilidade é uma expressão sincera de quem somos, não nos esconderemos, não nos privaremos, não nos envergonharemos.
 
Não se cale, pois nosso silencio não nos protegerá, nossa invisibilidade não nos protegerá.
 

Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

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12 Comentários
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  1. Gilberto .

    20 de fevereiro de 2014 2:13 pm

    Sempre em cima do muro
    No editorial de ontem, 19-02, a FSP se posiciona contraditoriamente à matéria comentado no post: Cidadãos não podem sofrer discriminação de nenhuma natureza em decorrência de suas escolhas privadas relativas à orientação sexual. Abaixo a íntegra do editorial:    

    O que a Folha pensa

    Em época de manifestações e ano de eleição, verifique os principais pontos de vista defendidos pela Folha

    DE SÃO PAULO

    Desde que circulou sua primeira edição, em 19 de fevereiro de 1921, a Folha não só acompanhou as inúmeras transformações ocorridas no Brasil e no mundo, mas também se viu transformada por elas. As opiniões que hoje expressa em seus editoriais são fruto de uma experiência acumulada nesses 93 anos.

    As últimas décadas, em especial, foram decisivas para assentar os princípios sobre os quais as posições do jornal são construídas.

    A história mostrou que o melhor arranjo institucional conhecido é aquele capaz de preservar liberdades tanto na política quanto na economia. Não há, portanto, como relativizar a democracia nem o Estado de Direito.

    Pelos mesmos motivos, é preciso estimular a livre-iniciativa e o desenvolvimento, no Brasil, de uma economia de mercado, sem deixar de reconhecer o papel do Estado na correção de desequilíbrios e redução das desigualdades.

    O apoio à união civil entre pessoas do mesmo sexo ou à descriminalização do uso de drogas, por exemplo, decorre da percepção de que as liberdades individuais se ampliaram nas sociedades contemporâneas, nas quais a própria religião se tornou assunto da esfera privada.

    No plano internacional, duas guerras mundiais e conflitos recentes no Oriente Médio evidenciam os riscos de políticas intervencionistas, bem como a importância da via diplomática e dos mecanismos multilaterais que ajudem a equilibrar o peso das nações.

    JURISPRUDÊNCIA

    Tais princípios gerais funcionam como pedra de toque para os editoriais que a Folhapublica diariamente. Cabe à editoria de Opinião, a cada novo assunto, elaborar argumentos coerentes com tais diretrizes, tentando traduzi-las para um público amplo.

    Exceto quando há mudança expressa de posição, o próprio histórico dos editoriais também serve de baliza. Opiniões já publicadas funcionam como “jurisprudência” do jornal.

    O fato de a Folha declarar sua opinião por meio dos editoriais não impede que os diversos colunistas (de colaboração periódica) e articulistas (esporádica) manifestem posição diferente.

    O pluralismo é uma das marcas da Folha não só nos textos de opinião, mas também nas reportagens –que procuram enfocar a informação sob vários ângulos e que tampouco são dirigidas pelos editoriais.

    COPA E OLIMPÍADA
    O Brasil merece sediar esses grandes eventos esportivos, por sua projeção simbólica e pela oportunidade de expandir turismo e obras de infraestrutura. Mas a sociedade deve cobrar mais planejamento e maior transparência nos gastos. Na Copa do Mundo, o montante de recursos públicos investidos foi excessivo, e o legado deverá ficar aquém do desejável

    MANIFESTAÇÕES
    Os protestos de junho revelaram saudável inconformismo e sacudiram o sistema político do torpor em que se encontrava. Se o direito de manifestação deve ser protegido, nem por isso pode ser exercido sem nenhuma regra. Atos de violência contra pessoas ou contra o patrimônio público ou privado precisam ser coibidos pela polícia, que deve agir de modo a garantir a ordem pública e os direitos de todos com o mínimo de danos. Vândalos devem ser identificados e punidos, nos termos da lei; manifestantes não podem ser confundidos com bandidos

    MOBILIDADE URBANA
    O caos nos maiores centros urbanos não deixa dúvida: a prioridade deve ser dada ao transporte coletivo, em detrimento do individual. Medidas restritivas, como rodízio e pedágio urbano, são imprescindíveis, e ciclovias seguras precisam ser construídas. É fundamental, além disso, planejar o crescimento da cidade de forma mais compacta, demandando menos deslocamentos. A expansão do Metrô precisa ser mais célere, e os ônibus devem circular em corredores modernos, com faixa de ultrapassagem e pagamento de tarifa antes do embarque. Como tais iniciativas requerem investimentos de monta e como o sistema já é fortemente subsidiado, a demanda por uma tarifa zero, ao menos por ora, é irrealista

    DROGAS
    Desde a década de 1990, o jornal reconhece a ineficácia de políticas com foco na repressão e defende uma abordagem pela ótica da saúde pública. Preconiza, assim, a descriminalização do uso das drogas. A partir de 2011, considerando, por exemplo, que a produção e a venda dessas substâncias, se taxadas e controladas, poderiam gerar recursos para prevenção e tratamento, passou a ser favorável a uma legalização cautelosa e gradual. O ponto de partida seria a maconha, com limitações e campanhas educativas análogas às do álcool e do tabaco. Nada disso, no entanto, deveria ocorrer sem coordenação internacional. No plano doméstico, a iniciativa deve passar por mecanismos de consulta popular, como plebiscito e referendo

    SAÚDE
    O quadro é conhecido: carência de médicos em regiões afastadas, ausência de leitos nos hospitais e enormes filas para consultas e exames. Faltam recursos, mas o sistema não melhorará se não passar por uma reforma gerencial, o que inclui melhores condições de trabalho. A eficiência hospitalar, por exemplo, é muito baixa, e a má distribuição das verbas deixa o país com um número insuficiente de equipes de saúde da família. O modelo das organizações sociais, com a devida fiscalização, oferece ganhos em termos de agilidade de serviços e gestão de recursos humanos. É preciso, além disso, melhorar o ensino de medicina. Enquanto o país não forma o número de profissionais de que necessita, o recurso a médicos estrangeiros é aceitável, embora seja apenas paliativo

    BOLSA FAMÍLIA
    O Brasil ainda precisa de programas de transferência direta de renda, mas eles devem exigir contrapartida do beneficiário. O Bolsa Família, por exemplo, acerta ao cobrar que os filhos de 6 a 15 anos estejam matriculados em uma escola e que frequentem 85% das aulas; que gestantes façam exame pré-natal; e que as crianças menores de sete anos sejam levadas a postos de saúde para vacinação e acompanhamento nutricional. O programa, entretanto, peca pelas poucas portas de saída, ou seja, oportunidades criadas para que os beneficiários deixem de precisar da bolsa

    CRACOLÂNDIA
    Nenhuma ação terá sucesso se não integrar poder público nos três níveis, além de equilibrar repressão policial ao tráfico e medidas de cunho assistencial para o usuário. É necessário, além disso, haver um plano de médio prazo para restaurar ruas e edifícios degradados

    ABORTO
    Como regra geral, o jornal entende que o tema deve ser tratado à luz da saúde pública e dos direitos da gestante. Considera que o STF agiu bem ao admitir interrupção da gravidez de feto anencéfalo, mas entende que eventual ampliação dos casos em que o aborto não é considerado crime deveria ser objeto de plebiscito ou referendo. Independentemente disso, é preciso estimular políticas de planejamento familiar e ampliar a difusão das pílulas do dia seguinte, o que reduziria a incidência estatística do aborto

    ECONOMIA
    O país precisa crescer de forma equilibrada, tornando-se menos suscetível a turbulências internacionais e buscando assegurar a todos os brasileiros os benefícios do desenvolvimento. Ajustes necessários, ainda que pouco populares, devem ser feitos o quanto antes e de forma paulatina, a fim de que a população não seja submetida a choques. É crucial, além disso, que o ambiente de negócios funcione sob regras simples e previsíveis. Entre outras, as seguintes ações devem ser adotadas:

    Reduzir o gasto público como proporção do PIB

    Reduzir a dívida pública

    Perseguir inflação baixa e reduzir meta oficial no médio prazo

    Reduzir e reformar progressivamente a carga tributária, tornando o sistema mais simples, ágil e justo

    Aumentar a parcela do gasto público com investimentos na infraestrutura

    Direcionar a política industrial para inovação e tecnologia

    Aumentar eficiência do serviço público

    Reformar a Previdência, o que implica, entre outras medidas, aumentar a idade da aposentadoria conforme a população fique mais longeva

    Conceder mais serviços públicos à iniciativa privada

    Fortalecer as agências reguladoras

    Acabar com a guerra fiscal entre os Estados

    EDUCAÇÃO
    Melhorar a qualidade do ensino é central para o futuro do país. A lista de deficiências é imensa e não passa apenas pela carência de recursos. A formação de muitos professores é ruim. Atrair mais talentos demanda incentivos, como valorização salarial, plano de carreira e bônus por desempenho. Exames de avaliação são ferramentas importantes para estabelecer metas e podem guiar os necessários programas de aprimoramento e reciclagem. É imperioso, além disso, formular um currículo nacional mínimo, que seja preciso e enxuto, sem experimentalismos. Iniciativas que fracassem na prática, como foi o caso da progressão continuada, devem ser modificadas o quanto antes

    CULTURA
    Por sua dimensão pública, mecanismos de incentivo à produção cultural são bem-vindos. Políticas específicas deveriam focalizar o circuito escolar e educacional, a preservação do patrimônio e o estímulo a setores que não encontrem sustentação no mercado. Defensor do respeito aos direitos autorais, o jornal é fortemente contrário ao dirigismo cultural, ao controle de conteúdo e à censura, estando de acordo com a classificação indicativa e a autorregulamentação. É a favor, portanto, da livre produção de biografias não autorizadas, com responsabilização posterior, como em qualquer caso envolvendo liberdade de expressão e de imprensa

    INTERNET
    As revelações de Edward Snowden a respeito das atividades de espionagem do governo norte-americano reforçaram os estímulos para que a comunidade internacional discuta a descentralização da gestão da internet. Ao lado dessa agenda, persiste a necessidade de garantir a concorrência no ambiente digital, cuja tendência ao monopólio tem-se tornado evidente. No plano nacional, é crucial assegurar a remuneração para os produtores de conteúdo e aprovar, o quanto antes, o Marco Civil da Internet -lei com a função de regular direitos e deveres no mundo virtual. Seus pontos mais importantes são a neutralidade de rede (princípio que impede a operadora de alterar a qualidade da conexão pra privilegiar ou prejudicar determinado site) e a regra sobre conteúdo postado por terceiros (os sites só devem ser responsabilizados se, após ordem judicial, não removerem material questionado)

    POLÍTICA
    O jornal defende mecanismos que aumentem a transparência e a fiscalização por parte da sociedade. Os exemplos recentes de maior impacto foram a Lei de Acesso à Informação e o fim do voto secreto no Congresso. No que respeita à necessidade de uma reforma, pressão contínua pela melhoria da cultura política tende a ser mais efetiva que propostas mágicas. No passado, o parlamentarismo foi apoiado, mas não está mais em pauta. Os pontos hoje endossados são, entre outros:

    Adoção de voto distrital misto com lista aberta (sistema existente na Alemanha, no qual o eleitor faz duas escolhas: a de uma legenda e a de um candidato individual, em distritos específicos)

    Cláusula de desempenho (mecanismo que outorga tempo de TV e fundo partidário apenas a siglas com representatividade significativa no Congresso)

    Voto facultativo

    Correção da distorção entre as bancadas na Câmara dos Deputados (atualmente, parlamentares de Estados menores representam menos eleitores que os de Estados maiores)

    Prestação de contas de campanha em tempo real, na internet

    Estabelecimento de teto em valores absolutos para doações de pessoas físicas e jurídicas, que devem ser admitidas

    SEGURANÇA PÚBLICA
    A polícia do Brasil precisa ser mais bem treinada e deveria contar com melhores condições de trabalho e melhores salários. No cumprimento de sua missão, a lógica do confronto sistemático deveria ser substituída pela da prevenção e da inteligência. Na outra face dessa moeda, o jornal entende que o endurecimento das penas não é a resposta mais adequada ao problema da criminalidade. É contra a adoção da pena de morte e da redução da maioridade penal, mas considera que deveria ser ampliado o prazo de internação possível do adolescente infrator e que, no caso dos adultos, a progressão de regime nas prisões deveria ser mais difícil em certos tipos de crime. Por outro lado, seria desejável uma ampliação do uso das penas alternativas. Em tese, com o amadurecimento legislativo, a pena de prisão deveria ser reservada apenas aos criminosos que empregassem violência ou grave ameaça na consecução de seus delitos

    UNIÃO HOMOSSEXUAL
    Casamento civil entre pessoas do mesmo sexo deve ser colocado em pé de igualdade com relações heterossexuais. Cidadãos não podem sofrer discriminação de nenhuma natureza em decorrência de suas escolhas privadas relativas à orientação sexual

    MERCOSUL
    O bloco permite maior integração regional e traz ganhos de escala para suas empresas, mas faz anos que tem sido um entrave ao comércio exterior brasileiro. Seu maior problema é funcionar como uma união aduaneira, em que todos os membros adotam uma tarifa comum nas transações com países de fora do grupo. Se isso em tese traria maior poder de barganha, na prática apenas paralisa negociações bilaterais que poderiam ser mais vantajosas. O ideal é que o bloco viesse a operar como zona de livre-comércio, com tarifa zero entre os países-membros

    COTAS
    Não deve haver reserva de vagas a partir de critérios raciais, seja na educação, seja no serviço público. São bem-vindas, porém, experiências baseadas em critérios sociais objetivos, como renda ou escola de origem

    ISRAEL-PALESTINA
    A fim de buscar a paz, é preciso abandonar políticas que acirrem o confronto, como os assentamentos de colonos judeus em território palestino ou os ataques dirigidos a Israel. De resto, embora difícil, a solução dos dois Estados com capital compartilhada deve ser perseguida. O Brasil deveria manter equidistância nesse conflito, até por contar com expressivas comunidades árabe e judaica

    CUBA
    O jornal considera injusto o embargo econômico imposto à ilha pelos EUA. Entende, ao mesmo tempo, que a diplomacia brasileira deveria criticar as violações aos direitos humanos cometidas pela ditadura dos irmãos Castro, assim como por qualquer ditadura

     

    1. Gunter Zibell - SP

      20 de fevereiro de 2014 2:38 pm

      Não acho ‘em cima do muro’

      A FSP foi dos primeiros, senão o primeiro grande jornal a ter uma coluna semanal, a GLS, lá pelos começos dos anos 1990.

      E, como a maior parte da grande mídia (com a provável exceção de Veja em anos recentes) é notoriamente simpatizante a causas LGBT.

      O próprio conjunto de matérias sobre homofobia, recentemente publicado numa edição dominical (que também resultou em matéria para a TV Folha) são exemplo.

      O que aconteceu é que houve um grave erro de interpretação nessa matéria do dia 09-fev que foi bastante criticado por todo mundo. Ninguém falou que a FSP é homofóbica ou é dúbia, falou-se que uma determinada matéria era completamente equivocada.

      A Ombudsman relutou em reconhecer o equívoco, mas ‘passa’.

      E, de fato, houve editorial recente pedindo pela criminalização da homofobia (assim como também houve em ‘O Globo’)

      Se alguém deseja encontrar algum problema grave de abordagem ou contradições da grande mídia em relação a LGBTs deve focar apenas na Veja, pois a cobertura desta (Guzzo, Azevedo e Constantino) é sabidamente um desastre. Curiosamente similar aos discursos mais oficialistas…

      1. JB Costa

        20 de fevereiro de 2014 3:00 pm

        Que quer dizer “”curiosamente

        Que quer dizer “”curiosamente similar aos discursos  mais oficialistas”, Gunter? 

        Por lógico, se for o que estou deduzindo, os discursos de Guzzo, Reinaldo Azevedo e Rodrigo Constantino, são iguais ao do governo, ou seja, da presidenta Dilma, dos seus ministros, da assessoria do governo, do partido que lhe dá sustentação? É isso mesmo?

        Será que esse “trio ternura” é quem “inspira” as políticas de governo com relação aos interesses do público LGBTs?

        Ou será esse “oficialista” referente ao discurso dos que apoiam o governo?Nesse caso, qual seria a similaridade? 

        Uma coisa é a inação, a indecisão ou a inércia. Outra bem diferente é a AÇÃO ou a REAÇÃO. Ação dos que militam contra, seja no plano do real ou do simples discurso, inclusive desqualificando a priori qualquer tentativa de prover a cidadania sem restrições ao grupo LGBT. 
         

         

         

        1. Gunter Zibell - SP

          20 de fevereiro de 2014 3:59 pm

          Quer dizer que…

          …é isso mesmo.

          Reinaldo Azevedo e J R Guzzo foram os únicos jornalistas famosos que apoiaram as decisões do governo de cancelar o ‘Escola sem Homofobia’ e engavetar o PLC 122.

          Constantino tem aparecido apenas recentemente no assunto e fez um artigo elogiando a (felizmente afastada) hipótese de Bolsonaro assumir a CDHM.

          Em relação a direitos civis LGBTs essa parte da mídia, a “Veja” se aproxima a muito do que é definido pelo oficialismo. Apenas que a Veja foi menos envergonhada em reconhecer o avanço civilizatório do Casamento Igualitário. 

          Eu não posso fazer nada se há em um assunto uma aliança Veja/Governo. Eu penso que ambos erram. Por meu gosto ambos se aliariam para ficar do lado certo da História. Mas não é meu gosto que definirá nada… rsrs

          Não é que um influencie o outro, há segmentos políticos (partidos fundamentalistas) que influenciam ambos. Malafaia é tido como amigo de Azevedo, por exemplo. Mas também de Lindbergh.

          Um dos maiores obstáculos ao avanço no combate à homofobia no Brasil, a meu ver, me parece ser representado pelas concessões do PT/GF ao discurso conservador moral.

          Lamento que isso pegue mal para o governo, mas meu papel é falar o que eu penso, não defender o oficialismo.

          Cabe ao oficialismo definir se isso não traz também problemas eleitorais. Eu acho que traz. Tanto que este ano foram rapidinhos para evitar que a CDHM ficasse fora de controle.

          Muito embora pareça que a presidência ficará a cargo de alguém ligado ao ruralismo…

           

          1. JB Costa

            20 de fevereiro de 2014 8:28 pm

            Pensei muito antes de fazer

            Pensei muito antes de fazer essa tréplica face o risco de parecer mera renitência. Decidi arriscar, não para a defesa do que chamas de “oficialismo” porque acho um termo apenas de apelo retórico como qualquer outro adjetivo que se aponha o sufixo “ismo”, mas para opinar pela última vez acerca do que avalio esteja por trás das tuas constantes intervenções nas quais sempre sobra para o PT e o governo atual. Sem apelar, é claro, para a alusão ao monotemas, argumento já por demais batido e que te incomoda com razão.

            Reconheço e respeito profundamente o teu direito de colocar nas costas do PT e do governo parte da estagnação referente à legislação que alberga proteção a comunidade LGBTs. Faço essa ressalva para te poupar do trabalho de listar “n” referências aqui no próprio GGN na qual comprovas a pertinência da tua crítica. 

            O que rebato é o que na minha opinião já transcende de muito o esforço de um militante de uma causa específica para se transformar numa escalada de esforços cada vez mais intensos para negar um projeto político que circunstancialmente falhou, segundo a ótica desse movimento, ou não agiu conforme o esperado para um partido progressista.

            Bem, discordo disso. Acho que a partir de uma perspectiva da práxis política REAL, e não ideal, o governo e o PT não foram um desastre como apregoas. Mas paro por aqui. Temos posições firmadas e, acho, que neste estágio é quase impossível algum recuo.

            Minha crítica definitiva(no sentido de encerrar unilateralmente esse debate) resgata o que já escrevi antes acerca do excesso de otimismo de achar que uma eventual troca de governo vá criar uma melhor ambiência para prosperar as causas LGBTs. Mantidas as duas chapas oposicionistas, ambas, com certeza absoluta, repositárias da MAIORIA dos votos conservadores do eleitorado, máxime da classe média, como aludes, qualquer uma que vença terá, obrigatoriamente, que negociar com o núcleo religioso-fisiológico-empresarial do Congresso, de perfil talvez ainda mais conservador que o atual. 

            Será que esse novo governo, egresso de um pleito renhido e ungido com uma maioria não significativa, e tendo pela frente a perspectiva de uma oposição tinhosa, articulada e sólida em termos ideológicos(de esquerda), vai encampar algum tipo de agenda progressista e assim dar às costas a seu eleitorado, correndo o risco, inclusive, de um eventual isolamento a la Fernando Collor? 

            O que preconizo não é, em absoluto, que o LGBTs apoie Dilma, vote nos candidatos no PT, ou que esqueça seus contenciosos com o “oficialismo”. Tenho a audácia de sugerir apenas que arrefeça essa MILITÃNCIA  quase obsessiva de anular politicamente e moralmente um esquema político que mereceu, e continua merecendo reparos em todas as áreas, mas que se mostrou e tem perspectivas de continuar mostrando avanços nessa área específica. 

            Vocês estão fazendo do petismo-lulismo-dilmismo um inimigo a ser abatido a qualquer custo mesmo correndo o risco de “amanhã” recorrer ao “éramos felizes e não sabíamos”. Sensível e competente analista que és acerca das nuances políticas, incluindo a projeção de cenários, bem sabes que há todo uma empreitada que envolve todo o arco ideológico com o fito não só de mudar um governo, mas a próprio edifício político-ideológico que o sustenta. 

            No meu perceber, movimentos como o LGBTs e partidos da extrema esquerda como PSOL, PSTU e similares, ao fazerem o mesmo tipo de oposição do segmento conservador,  simplesmente penhoram seus futuros políticos arriscando apostas não justificadas nem pela lógica nem pelos fatos políticos quando encarados sob uma determinada práxis política. 

          2. Gunter Zibell - SP

            21 de fevereiro de 2014 12:18 am

            Acho que fez bem em treplicar, JB

            Porque podemos esclarecer alguns pontos.

            Eu não chamo só de estagnação não… Chamo mesmo de retrocesso e mais, intencional. Sou bem mais crítico do que transparece em alguns posts. 

            Tem razão, melhor que listar reerências é  pôr o blog pessoal… Tem muita coisa que nunca foi post aqui no LNO:

            http://www.jornalggn.com.br/user/46  

            “já transcende de muito o esforço de um militante de uma causa específica para se transformar numa escalada de esforços cada vez mais intensos para negar um projeto político que circunstancialmente falhou, segundo a ótica desse movimento, ou não agiu conforme o esperado para um partido progressista.”

            Aqui temos uns pontos. Se você usa ‘militante de uma causa específica’ voltou atrás na intenção de não acusar de monotema. Eu não sou militante de uma causa específica, mas essa em particular os outros colegas em geral não trazem. Então só estou cobrindo uma lacuna. Aqui só exponho o assunto, não é um lugar para aprender sobre esse assunto, até pela extrema resistência das pessoas. Porém de algum modo ainda é bom, ando refinando os raciocínios.

            Mas uma coisa ocorreu: ao pesquisar e me informar, como quem puxa um fio da meada, passei a perceber outros problemas de ‘um projeto político’. E não apenas sob a ótica de um movimento.

            E eu não ligo para a palavra ‘progressista’. Essa palavra ficou muito desgastada, como ‘democracia’ e ‘liberdade de expressão’. 

            “Acho que a partir de uma perspectiva da práxis política REAL, e não ideal, o governo e o PT não foram um desastre como apregoas.”

            Tiremos essa confusão. Eu falo sempre que para direitos civis LGBT o governo atual é um desastre. Que para direitos humanos em geral é uma decepção. E de vez em quando falo que não há um plano de desenvolvimento econômico.

            Sobre outros assuntos simplesmente não falo. Então não se pode dizer que eu apregoo o governo como um desastre. 

            “Minha crítica definitiva … resgata o que já escrevi antes acerca do excesso de otimismo de achar que uma eventual troca de governo vá criar uma melhor ambiência para prosperar as causas LGBTs.”

            Também nunca falei com esse otimismo. O que eu digo é que há chances de uma coligação capitaneada pelo PSB não cometa o erro de negociar DHs por apoio parlamentar (eu não vejo problemas em obter tal apoio com emendas, cargos, etc.) Há uma esperança de que uma coligação que possa ser apoiada tanto por PSDB, mídia, classes médias e PT (supondo que o PT mesmo que vá para a oposição não seja destrutivo) dependerá menos de partidos fisiológicos. Também há a possibilidade de novas forças perceberem caminhos melhores:

            https://jornalggn.com.br/blog/gunter-zibell-sp/como-superar-o-uso-do-obscurantismo-na-politica

            Mas são esperanças, não excesso de otimismo. Apenas digo que pior que está não fica (de tão ruim que está – no assunto), mas se o novo eventual governo alternativo for tão ruim quanto, minhas críticas serão exatamete as mesmas. Não sou partidário, apenas repudio INTENSAMENTE um processo político que foi estimulado nos últimos anos. E não o repudio apenas no Brasil, mas no exterior também.

            “qualquer uma que vença terá, obrigatoriamente, que negociar com o núcleo religioso-fisiológico-empresarial do Congresso, de perfil talvez ainda mais conservador que o atual.”

            Como expliquei acima, contando com apoio de mídia e classe média essa necessidade poderá ser menor. E negociações podem ser com outras coisas, como FHC fazia antigamente. Não precisa ser com direitos civis e barragem de leis para evolução. E uma outra coisa, as oposições talvez não atribuam uma importância excessiva ao poder da bancada fundamentalista. Quem faz isso é o PT. E acho essa estória mal contada na verdade, o que é origem dos diagnósticos diferentes.

            “Tenho a audácia de sugerir apenas que arrefeça essa MILITÃNCIA quase obsessiva de anular politicamente e moralmente um esquema político que mereceu, e continua merecendo reparos em todas as áreas…”

            Desculpa, mas por quê? (Sei que talvez não responda, pois disse no início que seria sua última intervenção.) Oras, eu busco a evolução das sociedades brasileira e universal. Estou convicto do que eu falo, por que deveria deixar de dizer o que acho certo?

            Se pensarmos que evolução só se obtém com conhecimento e verdade, tudo o que é equivocado deve ser dito. Inclusive que essa estratégia (que julgo) equivocada do governo lhe dá tempo de TV, mas não votos.

            Mesmo eu não sendo mais fã do projeto de governo, posso estar ajudando-o ao mostrar os gargalos junto à opinião pública. Assim ainda há tempo de correções.

            “Vocês estão fazendo do petismo-lulismo-dilmismo um inimigo a ser abatido a qualquer custo mesmo correndo o risco de “amanhã” recorrer ao “éramos felizes e não sabíamos”.”

            Eu falo apenas por mim, não represento nenhum plural. Nem de LGBTs. Não tenho ideia se a maioria dos LGBTs têm o grau de conscientização que eu imagino ter. Sei apenas que é muito raro ler em blogs elogios ao governo e/ou PT.

            Seria muito bom se institutos de pesquisa fizessem a segmentação de LGBTs e seus parentes, mas isso já vi nos EUA e Reino Unido, para o Brasil não.

            Mas eu pessoalmente não vejo risco nenhum. Isso é uma variante do ‘Eu tenho medo’ de 2002, como então usada pelo governo (ou seus apoiadores.)

            “Sensível e competente analista que és acerca das nuances políticas, incluindo a projeção de cenários, bem sabes que há todo uma empreitada que envolve todo o arco ideológico com o fito não só de mudar um governo, mas a próprio edifício político-ideológico que o sustenta.”

            Muito gentil, obrigado. Só que se você elogia a capacidade de prever cenários e desdobramentos, não seria o caso de, coerentemente, dar-me crédito neste assunto? Mas é o contrário o que ocorre: você critica o que não combina com seu diagnóstico, isso é seletivo. 

            Vamos pensar… Por que algumas pessoas acham que eu falo coisas certas em vários assuntos (por exemplo, pesquisas de 2010?) e que me equivoco apenas no assunto ‘relações PT – LGBTs’? Não tem muita lógica, não?

            Não será possível que eu esteja acertando nisso também? Bom, ocorre que quando comecei a criticar o governo nisso, faz três anos, alguns até achavam exóticas as minhas posições. Só que fiquei na minha, apenas mantive os textos gravados e datados.

            Eu lamento, e lamento porque preferiria que a realidade fosse diferente, mas desde então nunca ninguém me desmentiu no assunto. Mais recentemente tivemos personalidades do governo reconhecendo as ‘negociações’ e também recentemente vimos blogueiros progressistas finalmente abordando o assunto. Do mesmo modo que eu com 2 ou 3 anos de atraso. 

            “No meu perceber, movimentos como o LGBTs e partidos da extrema esquerda como PSOL, PSTU e similares, ao fazerem o mesmo tipo de oposição do segmento conservador,  simplesmente penhoram seus futuros políticos arriscando apostas não justificadas nem pela lógica nem pelos fatos políticos quando encarados sob uma determinada práxis política.”

            Eu não posso falar por extrema esquerda, pois nem esquerda sou. 

            Mas entendo que movimento LGBT (que é um inconsciente coletivo em que partes se comunicam colaborativamente, mas que não é ong, sindicato nem partido, ainda que com maior presença nos partidos que aceitam suas demandas) é algo que não precisa de ‘futuro político’. Não vejo como questão esquerda/direita porque LGBTs também não são ‘classe social’ nem grupo sócio-econômico.

            LGBTs são apenas frações de todos os demais grupos sócio-econômico-políticos. Que são discriminados por todos, mas não na mesma proporção.

            E, no momento, quem mais reluta em avançar na pauta LGBT é o governo mesmo, para honrar acordos políticos que até prejudicam sua imagem. Não há grande resistência a direitos civis LGBTs nas oposições, mídias, comunidades acadêmica e artística. Nem nas religiões : apenas o neopentecostalismo é contrário ao PLC 122 e ao combate à homofobia, faz anos que setores influentes da ICAR não se manifestam sobre isso (de vez em quando aparece algum padre renitente, mas ainda assim é pouco visível.)

            Não há justificativa nem ética nem eleitoral para o que ocorre, um governo deixando-se guiar por Bolsonaro, Feliciano, Malafaia, Malta, Azevedo, Guzzo, Constantino, Olavo de Carvalho e Joelma.

            Ou você conhece mais alguém famoso ou importante que é contra a criminalização da homofobia e contra o combate à homofobia?

            Então é tudo um teatrinho. Quem penhora seu futuro político é quem faz o discurso mais atrasado que a própria sociedade.

             

      2. Gilberto .

        20 de fevereiro de 2014 3:06 pm

        Simpatizante?

        Gunter,

        Não penso que a Folha “simpatize” com ninguém, a não ser com ela própria. O que não chega a ser uma característica diferente do hedonismo editorial verificado em toda a mídia predominante. Falar dos outros, de fato, preocupada em falar de si.

        Deste conflito, pretensa imparcialidade x hedonismo, resulta a contradição editorial. Ou seja: Quero mesmo é vender o meu peixe, mas devo parecer justo, imparcial e moderno.  

        Daí minha hesitação em contar com apoios deste tipo…

        1. Gunter Zibell - SP

          20 de fevereiro de 2014 4:30 pm

          Você tem suas razões para hesitar

          Mas eu também já expus muitas e muitas vezes porque acho que em questões LGBT a mídia e até mesmo parte da oposição (à esquerda – PSol, centro – PSV/PPS/PV, direita – PSDB) tem melhor abordagem.

          Pelo menos nesse episódio não vejo contradição sistemática da Folha SP, vejo um erro pontual, o que é muito diferente.

          Eu acho que há segmentos da esquerda, em particular do PT, que hesitam também em perceber que houve um erro de avaliação política no assunto. Recorrer a fundamentalismo religioso para ter tempo de TV me parece um desastre anunciado, mas quemquiser que ache diferente.

          Isso pode, eventualmente, vir a ser problema para o PT, mas não é para mídia, direita, oposição, LGBTs. (Nem para Papa Francisco parece ser…)

          Para mim, sinceramente, não é mesmo problema. Eu já não tenho mesmo nenhuma ilusão em relação a PT e/ou esquerda em geral. Se algum dia já fui simpático ou indiferente, os anos recentes me ensinaram a olhar com extrema desconfiança esses setores.

          http://www.jornalggn.com.br/blog/gunter-zibell-sp/midia-ocidental-lgbts-e-uma-questao-para-as-esquerdas

          Lamento, mas hoje creio que quem precisa rever/repensar seu discurso (e não apenas em relação a LGBTs) são setores da esquerda, PT em particular (isto é, sério que esse partido é de esquerda?)

          Quem ‘mudou de lado’ nos últimos anos foi o PT, se quiser que conserte sua imagem. (Mas sei que há também LGBTs ainda apoiando o PT, faz parte.) Se não quiser que continue alinhado ao conservadorismo, não é problema meu, como já disse.

          E, ultimamente, quando alguém do governo fala qualquer coisa sobre LGBTs eu já fico muito de pé atrás. 

          Olha só essa deputada da BA:

          http://www.boainformacao.com.br/2014/02/a-globo-apelou-mostrou-o-gay-como-uma-florzinha-dispara-deputada-do-pt/

          Na boa, nessas picuinhas PT x Mídia e PT x STF, ando muito pouco inclinado em apoiar PT. 

          A fila andou de 2010 para 2014. 

           

           

           

  2. Orlando

    20 de fevereiro de 2014 3:00 pm

    Essa coisa de “gangue”, ou

    Essa coisa de “gangue”, ou turma, é tão velha quanto a humanidade, isto é, andar em grupos é sempre mais seguro. 

    Nas décadas de 1950 e 1960, no  Brasil, com feitio dos jovens dos EUA, havia turmas de garotos que, não raro, eram hostilizadas por garotos de outras turmas e, para “marcar seu território”, havia embates com muita porrada para todos. Eram garotos e todos homens.

    Os gays em questão, em turmas, como homens, igualmente, não devem levar desaforo para casa e, sim, partir para a porrada, também. Dessa forma serão mais respeitados e as perseguições diminuirão. Não obstante a postura homonormativa, eles são homens e devem e, sobretudo, podem, como homens, se fazer respeitar, também, na porrada.

    Muitas mulheres, nas grandes cidades, foram aprender defesa pessoal para se defender de assédios e ameaças de estupro, ou afins. Por que os homens, gays ou heteros, não podem fazer o mesmo?

    Ao invés de se (auto)vitimizar o pessoal LGBT deveria  atuar em todos os sentidos. Algo semelhante foi feito pelos negros americanos nas décadas de 1960 e 1970. E eu não falo dos Panteras Negras.

    1. Ed Döer

      20 de fevereiro de 2014 3:15 pm

      Esse fenômeno da busca por

      Esse fenômeno da busca por instrução em defesa pessoal também estaria acontecendo na Índia atualmente, em função dos casos recentes de estupro noticiados no país.

      1. Orlando

        20 de fevereiro de 2014 3:28 pm

        O pessoal LGBT é “herdeiro”,

        O pessoal LGBT é “herdeiro”, no Brasil, de Madame satã…..

  3. Antonio C.

    20 de fevereiro de 2014 3:44 pm

    Comentário.

    Pessoalmente não tenho medo de bandido, mas sim, de gente de bem. E o Gunter os chama de “criminosos”. De fato, tem momentos em que a sutileza não adianta.

    Sobre as “dicas”, a que presta é andar em grupo. Mas só vale em alguns casos, como aqueles em que os homofóbicos andam em grupo (nesse caso, homofobia é claramente homossexualidade reprimida e projetada).

    Por outro lado, aprender uma arte marcial e saber partir pra briga é tão importante quanto a luta política. Como o pessoal anda meio fóbico sobre isso, esclareço: você não vai sair batendo em todo mundo, vai aprender a se defender. Ou não deveria?

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