4 de junho de 2026

Linhas Correntes e os primórdios da industrialização brasileira

Por Motta Araujo

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Linhas Correntes e os primórdios da industrialização brasileira

A Companhia Brasileira de Linhas para Cozer se estabeleceu no Brasil em 1907, no tempo das costureiras. Toda roupa era praticamente feita por costureiras de bairro sob a marca Linhas Corrente. O grupo é subsidiario de um muito mais antigo, o J & P COATS, fundado em 1755 em Plasley, na Escócia. Este, já em 1869, depois da Guerra Civil, tinha fábrica em Newark, nos EUA. No mesmo período, também foi dominante no Canadá, Austrália e Índia. Eles tinham patentes únicas para produzir linhas de costura de alta qualidade e resistência.

A Companhia teve grande interação com os primordios da industrialização brasileira. Controlada pela sub holding Machine Cottons Ltda., a Coats se viu desafiada por um industrial brasileiro, Delmiro Gouveia, um pioneiro e visionario que construiu a primeira hidroelétrica nacional e instalou movida a Fabrica da Pedra movida à eletrecidade para concorrer com o monopolio britânico.

Com grandes dificuldades, Gouveia conseguiu entrar no mercado de linhas para coser no Nordeste, mas depois de sua morte, a firma não conseguiu se desenvolver e acabou sendo vendida a um grupo local, o Menezes & CIa., que também não pode levar a fpabrica adiante. Ela então foi vendida para a Machine Cottons em 1929, consolidando o grupo inglês no Brasil.

A fábrica de Linhas Corrente fixada no bairro do Ipiranga era e ainda é enorme, ocupa milhares de operários, e ainda se encontra sob controle desse mesmo grupo de 260 anos de existência. Ela mudou a razão social para Coats Corrente em 1995, adequando-se à logomarca mundial do grupo. É uma das mais antigas fábricas de São Paulo ainda em funcionamento. Faz parte da história industrial do País,  dessas lendárias firmas do capitalismo inglês. A J & P Coats têm fabricas em 60 países e emprega 26 mil pessoas. Está no Brasil há 108 anos.

Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

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7 Comentários
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  1. arara

    20 de fevereiro de 2014 1:58 pm

    Vale lembrar que Delmiro

    Vale lembrar que Delmiro Gouveia foi misteriosamente assassinado em 1917.

    1. Mariano S Silva

      20 de fevereiro de 2014 2:59 pm

      …e as máquinas de sua

      …e as máquinas de sua fábrica jogadas na cachoeira de Paulo Afonso…

  2. Laci Reis

    20 de fevereiro de 2014 2:27 pm

    Corrente

    História mal contada, como tantas outras.

    Delmiro Gouveia, com tamanha importãncia na Indústria no Brasil, é lembrado nos livros ditáticos com meia dúzia de linhas, que não dizem nada com nada.

    Lembra muito a compra de esquis para gelo, em tempos tbém passados.

    1. Motta Araujo

      21 de fevereiro de 2014 2:35 am

      O post NÃO é sobre Delmiro

      O post NÃO é sobre Delmiro Gouveia.

  3. lucabi

    20 de fevereiro de 2014 2:35 pm

    O filme

    O filme Coronel Delmiro Gouveia conta que depois de comprada a fábrica todo maquinário foi destruído. Disputa de mercado, ao que consta.

     

  4. Derli

    20 de fevereiro de 2014 3:16 pm

    A História muito bem contada de Delmiro Gouveia

    Um mínimo de pesquisa mostrará a visão e o empreendedorismo de Delmitro Gouveia.

    Existem muitos livros sobre Delmiro Gouveia, mas se der muito trabalho é só usar o Google.

    É uma pena que a nossa história oficial seja contada em meia dúzia de linhas (correntes, é claro).

    Viva o PiG! Vivam os ingleses! Que mandam no PiG até hoje.

    E ratificando o comentário de arara: foi assassinado, justamente na época em que vencia a concorrência de mercado com as linhas Correntes. Mistério.

  5. D. Pedro Tecnológico

    20 de fevereiro de 2014 3:41 pm

    A primeira hidrelétrica do Brasil?

    Corrigindo (e complementando )

    A primeira hidrelétrica no Brasil foi a de Ribeirão do Inferno, Damantina, MG, 1883.

    A usina de Angiquinho, BA, 1913 do grande Delmiro, foi a primeira hidrelétrica do Nordeste.

    Antes destes dois marcos, já acontecera muita coisa. Por ex:

    1879, Rio, RJ – Thomas Edison cria  a lampada elétrica (comercial) em NY e, no mesmo ano,  D.Pedro inaugura a iluminação da estação D.Pedro II (Central do Brasil).

    1881, Rio, RJ – Iluminação pública da Campo de Santana (Pça da República) e Praça do Paço (Pça. 15).

    1883, Campos de Goytacazes, RJ, foi inaugurado um servço público de iluminação, termoelétrico (terceira do mundo a dispor de um sistema municipal de iluminação elétrica).

    1883, Diamantina, MG – (um pouco depois da termelétrica acima), primeira usina hidrelétrica do país (particular).

    1883, Niterói, RJ – Primeira linha de transporte elétrico (bonde), a linha do Fonseca, em Niterói

    1887, P.Alegre, RS – Primeira capital estadual a dispor de iluminação pública termelétrica.

    1889, Juiz de Fora,, MG – Marmelos, a primeira hidrelétrica de serviço público do país.

    1892 – Rio, RJ – Primeira linha definitiva de bondes elétricos (Botafogo, Flamengo, Catete, Largo do Machado, Laranjeiras), lembrando que já havia antes bondes (*”taiobas”) puxados a burro.

    Depois disso, tivemos eletrificações diversas no Paraná, São Paulo, R.G.do Sul, Pará, Amazonas, Bahia, etc.

    Chegamos a ter uma das maiores hidrelétricas do mundo já em 1908 (Fontes Velha – Rib.Lajes, RJ);

    Mas a eletricidade no Brasil só deslanchou mesmo com a Eletrobrás, planejada por Vargas e iniciada em 1963 (Jânio;Jango).

    De resto, é interessante observar que desde D.Pedro I, os estrangeiros (primariamente ingleses) já investiam por aqui, comprando tudo com suas fartas libras. Inclusive os pioneiros empresários nacionais.

    E até hoje, não mudou muito…

     

     

     

     

     

     

     

    Rio Fontes, RJ, 1907, a maior do mundo à época

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