Por Motta Araujo
Linhas Correntes e os primórdios da industrialização brasileira
A Companhia Brasileira de Linhas para Cozer se estabeleceu no Brasil em 1907, no tempo das costureiras. Toda roupa era praticamente feita por costureiras de bairro sob a marca Linhas Corrente. O grupo é subsidiario de um muito mais antigo, o J & P COATS, fundado em 1755 em Plasley, na Escócia. Este, já em 1869, depois da Guerra Civil, tinha fábrica em Newark, nos EUA. No mesmo período, também foi dominante no Canadá, Austrália e Índia. Eles tinham patentes únicas para produzir linhas de costura de alta qualidade e resistência.
A Companhia teve grande interação com os primordios da industrialização brasileira. Controlada pela sub holding Machine Cottons Ltda., a Coats se viu desafiada por um industrial brasileiro, Delmiro Gouveia, um pioneiro e visionario que construiu a primeira hidroelétrica nacional e instalou movida a Fabrica da Pedra movida à eletrecidade para concorrer com o monopolio britânico.
Com grandes dificuldades, Gouveia conseguiu entrar no mercado de linhas para coser no Nordeste, mas depois de sua morte, a firma não conseguiu se desenvolver e acabou sendo vendida a um grupo local, o Menezes & CIa., que também não pode levar a fpabrica adiante. Ela então foi vendida para a Machine Cottons em 1929, consolidando o grupo inglês no Brasil.
A fábrica de Linhas Corrente fixada no bairro do Ipiranga era e ainda é enorme, ocupa milhares de operários, e ainda se encontra sob controle desse mesmo grupo de 260 anos de existência. Ela mudou a razão social para Coats Corrente em 1995, adequando-se à logomarca mundial do grupo. É uma das mais antigas fábricas de São Paulo ainda em funcionamento. Faz parte da história industrial do País, dessas lendárias firmas do capitalismo inglês. A J & P Coats têm fabricas em 60 países e emprega 26 mil pessoas. Está no Brasil há 108 anos.
arara
20 de fevereiro de 2014 1:58 pmVale lembrar que Delmiro
Vale lembrar que Delmiro Gouveia foi misteriosamente assassinado em 1917.
Mariano S Silva
20 de fevereiro de 2014 2:59 pm…e as máquinas de sua
…e as máquinas de sua fábrica jogadas na cachoeira de Paulo Afonso…
Laci Reis
20 de fevereiro de 2014 2:27 pmCorrente
História mal contada, como tantas outras.
Delmiro Gouveia, com tamanha importãncia na Indústria no Brasil, é lembrado nos livros ditáticos com meia dúzia de linhas, que não dizem nada com nada.
Lembra muito a compra de esquis para gelo, em tempos tbém passados.
Motta Araujo
21 de fevereiro de 2014 2:35 amO post NÃO é sobre Delmiro
O post NÃO é sobre Delmiro Gouveia.
lucabi
20 de fevereiro de 2014 2:35 pmO filme
O filme Coronel Delmiro Gouveia conta que depois de comprada a fábrica todo maquinário foi destruído. Disputa de mercado, ao que consta.
Derli
20 de fevereiro de 2014 3:16 pmA História muito bem contada de Delmiro Gouveia
Um mínimo de pesquisa mostrará a visão e o empreendedorismo de Delmitro Gouveia.
Existem muitos livros sobre Delmiro Gouveia, mas se der muito trabalho é só usar o Google.
É uma pena que a nossa história oficial seja contada em meia dúzia de linhas (correntes, é claro).
Viva o PiG! Vivam os ingleses! Que mandam no PiG até hoje.
E ratificando o comentário de arara: foi assassinado, justamente na época em que vencia a concorrência de mercado com as linhas Correntes. Mistério.
D. Pedro Tecnológico
20 de fevereiro de 2014 3:41 pmA primeira hidrelétrica do Brasil?
Corrigindo (e complementando )
A primeira hidrelétrica no Brasil foi a de Ribeirão do Inferno, Damantina, MG, 1883.
A usina de Angiquinho, BA, 1913 do grande Delmiro, foi a primeira hidrelétrica do Nordeste.
Antes destes dois marcos, já acontecera muita coisa. Por ex:
1879, Rio, RJ – Thomas Edison cria a lampada elétrica (comercial) em NY e, no mesmo ano, D.Pedro inaugura a iluminação da estação D.Pedro II (Central do Brasil).
1881, Rio, RJ – Iluminação pública da Campo de Santana (Pça da República) e Praça do Paço (Pça. 15).
1883, Campos de Goytacazes, RJ, foi inaugurado um servço público de iluminação, termoelétrico (terceira do mundo a dispor de um sistema municipal de iluminação elétrica).
1883, Diamantina, MG – (um pouco depois da termelétrica acima), primeira usina hidrelétrica do país (particular).
1883, Niterói, RJ – Primeira linha de transporte elétrico (bonde), a linha do Fonseca, em Niterói
1887, P.Alegre, RS – Primeira capital estadual a dispor de iluminação pública termelétrica.
1889, Juiz de Fora,, MG – Marmelos, a primeira hidrelétrica de serviço público do país.
1892 – Rio, RJ – Primeira linha definitiva de bondes elétricos (Botafogo, Flamengo, Catete, Largo do Machado, Laranjeiras), lembrando que já havia antes bondes (*”taiobas”) puxados a burro.
Depois disso, tivemos eletrificações diversas no Paraná, São Paulo, R.G.do Sul, Pará, Amazonas, Bahia, etc.
Chegamos a ter uma das maiores hidrelétricas do mundo já em 1908 (Fontes Velha – Rib.Lajes, RJ);
Mas a eletricidade no Brasil só deslanchou mesmo com a Eletrobrás, planejada por Vargas e iniciada em 1963 (Jânio;Jango).
De resto, é interessante observar que desde D.Pedro I, os estrangeiros (primariamente ingleses) já investiam por aqui, comprando tudo com suas fartas libras. Inclusive os pioneiros empresários nacionais.
E até hoje, não mudou muito…
Rio Fontes, RJ, 1907, a maior do mundo à época