Um estudo divulgado nesta quarta-feira (5) pela Fundação Friedrich Ebert (FES) lança luz sobre as percepções e aspirações da juventude da América Latina e Caribe sobre política e democracia. Realizada com mais de 22 mil jovens, incluindo 2.024 no Brasil, o recorte nacional da pesquisa aponta um desencanto com a classe política, uma simpatia maior pelas ideologias de centro e direita, embora aspirem transformações sociais e tenham esperança em um futuro melhor.
Os resultados do levantamento nacional mostram uma geração marcada por contrastes, expressando alta satisfação pessoal em meio a um cenário de insatisfação com a economia e a situação do país. Apesar dos desafios, 88% dos entrevistados brasileiros manifestam crença em um futuro melhor.
O estudo aponta a pobreza, o desemprego e a insegurança (61%) como os principais problemas para a juventude, seguidos por violência de gênero, drogas e corrupção. As mulheres jovens demonstram maior preocupação com a desigualdade, com 65% priorizando saúde, educação e combate à pobreza. Embora a maioria ainda enxergue o Estado como o principal garantidor de direitos, a pesquisa registra uma crescente visão crítica e de desconfiança em relação às instituições públicas.

No campo democrático, 66% dos jovens defendem a democracia como a melhor forma de governo. Contudo, 58% concordam que um líder forte é mais eficaz na resolução de problemas do que partidos e instituições, e 49% admitem a possibilidade de a democracia operar sem partidos políticos. Tal flexibilidade no entendimento democrático convive com uma rejeição geral a governos militares e à ideia de que o autoritarismo possa ser preferível.
A crise de confiança se manifesta nas instituições políticas: 57% não confiam nos partidos, 45% na Presidência e 42% no Legislativo. Em contraste, universidades, igrejas e meios de comunicação gozam de maior credibilidade. Apesar da desconfiança, 25% dos jovens demonstram interesse por política, com um potencial de engajamento latente, indicado por 19% que expressam o desejo de se envolver em alguma causa.
As redes sociais se consolidaram como o principal canal de informação e expressão política, sendo a fonte primária para 57% dos jovens, com 93% consumindo notícias diariamente. O engajamento, todavia, é predominantemente reativo, pautado por interações como curtidas e compartilhamentos, com baixa produção de conteúdo original. Causas como meio ambiente, direitos das juventudes, antirracismo e feminismo são as que mais despertam interesse.
Em termos ideológicos, o centro político atrai 44% dos jovens, enquanto 38% se identificam com a direita (sendo 17% com a extrema direita) e 18% com a esquerda. As mulheres tendem a se posicionar mais à esquerda e a apoiar agendas progressistas, enquanto os homens se alinham mais a valores conservadores.

O estudo da FES conclui que, apesar das contradições, a juventude brasileira permanece como um elemento de esperança, diversidade e renovação democrática, reafirmando seu papel na busca por um país mais justo.
A Friedrich-Ebert-Stiftung (FES) é uma fundação política alemã, de caráter político-cultural e considerada de utilidade pública. Ela é a fundação política mais antiga da Alemanha, tendo sido estabelecida em 1925 para dar continuidade ao legado político de Friedrich Ebert, o primeiro presidente alemão eleito democraticamente.
Acesse o estudo completo sobre a juventude brasileira abaixo:
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