O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizou na tarde desta terça-feira (11) um ato de protesto no espaço Agrizone da COP 30, uma área originalmente concebida pela Embrapa mas que, segundo a denúncia, está dominada por grandes corporações multinacionais. O objetivo da manifestação foi apontar o agronegócio como o principal vetor da crise ambiental no Brasil.
A Manifestação e as Acusações
Militantes do MST encenaram a “morte” de alimentos como a soja, o tomate e a laranja, pintados com caveiras, e usaram um pulverizador costal identificado como “glifosato”. Eles entoaram críticas diretas ao setor com bordões como: “Agrizone, tu não me engana, o verde desse dólar não salva nossa Amazônia.”
O MST destacou a forte presença de patrocinadores controversos na Agrizone, incluindo: produtoras de agrotóxicos, gigantes de alimentos e empresas nacionais do setor.
Divina Lopes, da coordenação nacional do MST, afirmou que o espaço foi “dominado pelo agronegócio, que busca ampliar seus lucros e construir sua imagem de “verde”, às custas da natureza e das comunidades.” Lopes também citou dados que indicam que 74% das emissões de gases de efeito estufa no Brasil são geradas pelo agronegócio e seu complexo industrial.
Histórico dos Patrocinadores e Implicações para a Saúde e o Meio Ambiente
O artigo detalha o histórico de algumas das empresas patrocinadoras:
- Bayer: Enfrenta cerca de 170 mil processos por contaminação associada a produtos, como o agrotóxico Roundup.
- Syngenta: É responsável por grande parte do mercado de profenofós, já encontrado na água potável de milhões de pessoas, conforme relatório da ONG Public Eye.
- Nestlé e PepsiCo: São criticadas pela qualidade de seus produtos. A Nestlé tem 54% de suas vendas classificadas com baixos índices de saudabilidade, e a PepsiCo teve resíduos de glifosato detectados em itens como o salgadinho Doritos, pesticida associado a diversas desordens de saúde.
Lopes concluiu reforçando que as empresas do agronegócio teriam “se apropriado do espaço, submetendo órgãos públicos como a Embrapa, universidades e agências de assistência técnica.” Para o MST, é impossível discutir a superação da crise ambiental junto ao seu principal vetor. “Se, de fato, queremos enfrentar as consequências da crise ambiental, precisamos considerar que o agronegócio é seu responsável em nosso país,” finalizou a militante.
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