Enquanto as nações do Norte Global direcionam os debates sobre inteligência artificial (IA) no potencial desemprego, automação e dilemas éticos, as economias emergentes têm adotado uma visão mais estratégica e pragmática.
Embora reconheçam os riscos existentes no uso de IAs, estes países veem na tecnologia uma alavanca fundamental para a soberania e o crescimento inclusivo.
A tese é reforçada pelo economista vencedor do Nobel, Michael Spence, em análise publicada no Project Syndicate, que destaca o otimismo do Sul Global com a tecnologia do que o visto nos mercados desenvolvidos, que focam suas preocupações na perda de empregos e na ruptura do mercado de trabalho
Foco na Adaptação
A preocupação com uma nova “divisão digital” — onde apenas EUA e China teriam o capital e a infraestrutura para construir modelos de IA de ponta — é real. No entanto, Spence aponta para uma estratégia acessível para o Sul Global, incluindo o Brasil.
“O desenvolvimento de modelos não é o único jogo. A revolução da IA também envolve a consulta, adaptação, ajuste fino e implantação de ferramentas existentes para resolver problemas específicos do contexto e acelerar o aprendizado.”
Este caminho tem custos de entrada menores, e é facilitado pelo aumento da oferta de modelos de código aberto. Entretanto, esta estratégia obrigatoriamente exige uma infraestrutura básica: conectividade móvel estável, energia elétrica confiável e, crucialmente, uma estrutura regulatória que permita a mobilidade segura dos dados gerados pelos cidadãos e empresas.
Casos de sucesso
Quando a inteligência artificial é bem aplicada, torna-se uma ferramenta de política pública poderosa e com baixo custo. Um exemplo disso envolve a migração de pagamentos para sistemas digitais (como o Pix no Brasil, ou a Unified Payments Interface da Índia) gera volumes de dados.
A avaliação de crédito por IA, baseada nesses dados, pode finalmente solucionar o problema da exclusão financeira, provendo microcrédito e financiamento sustentável para pequenos negócios e populações sem histórico bancário tradicional.
O argumento central é que a IA pode cortar o tempo de treinamento e aumentar a produtividade em diversos setores, da saúde ao atendimento ao cliente, atuando como um “mentor” digital.
Em um contexto editorial focado na Geopolítica e na busca por um Projeto Nacional de Desenvolvimento, esta visão se alinha à necessidade de o Brasil e o Sul Global pararem de buscar apenas a liderança na criação de tecnologia de ponta (a “corrida do ouro”) e focar, estrategicamente, em usar a tecnologia disponível como um meio efetivo para atingir objetivos concretos de desenvolvimento e combate à desigualdade.
Rui Ribeiro
13 de novembro de 2025 5:57 amCrescimento com desemprego estrutural. Em vez disso, poderia ser crescimento com redução da jornada de trabalho em vez de desemprego. Será um crescimento para benefício de um punhado de sanguessugas sociais e com piora dss condições de vida para a maioria esmagadora da população