5 de junho de 2026

Moradores da periferia sofrem mais com o calor em comparação à população de áreas nobres de SP

Enquanto a temperatura de telhados, ruas e solos chegam a 45ºC em Paraisópolis, no Morumbi a média é de 30ºC
Favela de Paraisópolis, na cidade de São Paulo. Foto: Reprodução/Wikipedia

1- Imagens de satélite revelam contrastes de até 15 °C entre favelas e bairros em São Paulo, com temperaturas chegando a 45 °C em Paraisópolis.

2- Pesquisa do CEFAVELA destaca que áreas densamente ocupadas em favelas têm temperaturas extremas, enquanto locais com vegetação apresentam números mais baixos.

3- Soluções baseadas na natureza, como corredores verdes e telhados verdes, podem ajudar a reduzir as altas temperaturas urbanas, apontam os pesquisadores.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Imagens de satélite capturadas no último verão revelaram contrastes de até 15 °C entre favelas e bairros vizinhos em São Paulo. Os registros, que medem a temperatura de superfícies como telhados, ruas e solo, mostram que enquanto o Morumbi ficou em torno de 30 °C, a vizinha Paraisópolis chegou a marcar 45 °C. Em Heliópolis, uma das maiores favelas da capital, os termômetros ultrapassaram 44 °C nos dias mais quentes.

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Os dados fazem parte de uma pesquisa conduzida por Rohit Juneja, Flávia Feitosa e Victor Nascimento, do Centro de Estudos da Favela (CEFAVELA). Os resultados iniciais foram divulgados na plataforma Nexo Políticas Públicas e utilizam 19 imagens termais do satélite Landsat 8, referentes ao período entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025. Como medem a temperatura das superfícies, os valores registrados tendem a ser superiores aos da temperatura do ar.

Segundo o Censo 2022 do IBGE, São Paulo abriga cerca de 11,5 milhões de habitantes. Desse total, mais de 1,7 milhão vivem em 1.359 favelas, que ocupam apenas 4% da área do município, mas concentram mais de 15% da população. Nessas regiões, temperaturas de superfície acima de 40 °C são frequentes, como mostra um mapa interativo elaborado pelo CEFAVELA.

As diferenças internas entre as próprias favelas também chamam atenção. Em áreas densamente ocupadas e com pouca vegetação, os números são extremos. Já comunidades próximas a represas, córregos ou áreas verdes apresentam temperaturas mais baixas.

No Capão Redondo, na zona sudoeste, estão quatro das dez favelas mais quentes de São Paulo. O Jardim Capelinha/Nuno Rolando registrou 47,4 °C, seguido de Jardim D’Abril II (47,3 °C) e Basílio Teles (47,2 °C). Entre as menores temperaturas destacam-se o Jardim Apurá, próximo à represa Billings, com 23,7 °C, e o Alto da Riviera B/Jardim Guanguará, na área da represa Guarapiranga, com 23,6 °C.

“É relevante ampliar a sensibilização de que o calor não é apenas um fenômeno meteorológico, é também resultado das escolhas de planejamento do território, capazes de mitigá-lo ou intensificá-lo”, afirmam os autores.

Eles destacam que soluções baseadas na natureza, a exemplo de corredores verdes, parques, arborização, jardins de chuva, telhados verdes, hortas comunitárias e sistemas de drenagem sustentável, funcionam como um “ar-condicionado natural” nas cidades, ajudando a reduzir temperaturas e aumentar a resiliência urbana.

Para os pesquisadores, o desafio é também político. “O desafio não é apenas técnico, mas político. Incluir o calor como dimensão da inadequação habitacional significa reconhecer que a exclusão urbana também se mede em graus Celsius.”

O artigo “Exposição ao calor: a face invisível da moradia inadequada” está disponível em Nexo Políticas Públicas. O mapa interativo produzido pelo CEFAVELA pode ser acessado online.

*Com informações da Agência Fapesp.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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