Apesar de convocações de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a categoria de caminhoneiros afirmou que não adere a uma suposta paralisação nacional marcada para a próxima quinta-feira (4). Líderes criticam o uso político dos trabalhadores e afirmam que o foco da categoria é em pautas laborais, como o piso mínimo de frete e a aposentadoria especial. A informação é do ICL Notícias.
O movimento, que visa protestar contra a prisão de Bolsonaro e pedir sua anistia, é veementemente rechaçado pelas principais entidades representativas dos motoristas, em um momento de baixa adesão a atos pró-Bolsonaro, como visto no último domingo (30) em Brasília.
Rejeição ao ativismo político
Wallace Landim, presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) e conhecido como Chorão, manifestou-se por vídeo, divulgado nesta segunda-feira (1º), condenando a tentativa de instrumentalização da categoria.
“Quem estiver insatisfeito que vá para a rua fazer seu movimento. Mas usar o transporte rodoviário de cargas, usar o caminhoneiro que sofre tanto para levantar um movimento para defender político A ou político B eu não concordo e não vou compactuar“, declarou.
Carlos Alberto Litti Dahmer, diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), segue a mesma linha e também descredita a possibilidade de uma greve em defesa de Bolsonaro.
“Não dá para querer anistiar quem tentou transformar a democracia de um país através de um golpe“, afirmou Litti, que ainda mencionou o pedido de Pix para o movimento como outro ponto de discórdia.
A repercussão da convocação nas redes sociais tem sido amplamente negativa entre os próprios caminhoneiros. Vídeos circulam com motoristas refutando a paralisação e tecendo críticas ao ex-presidente e seus apoiadores.
Baixa adesão em Brasília
O rechaço dos caminhoneiros ocorre em um cenário de esvaziamento dos atos de apoio ao ex-presidente. No último domingo (30), uma manifestação em Brasília em defesa de Bolsonaro e da anistia a condenados pelos ataques de 8 de janeiro registrou baixa adesão.
O evento, que estava programado para ocorrer entre 14h e 17h em frente ao Museu Nacional da República, foi encerrado mais cedo, por volta das 16h, devido ao reduzido número de participantes: cerca de 130 pessoas.
Bolsonaro, que cumpre pena definitiva de 27 anos e três meses, teve sua prisão convertida em definitiva na última terça-feira (25) pelo Supremo Tribunal Federal (STF), após ser condenado por tentativa de golpe de Estado.
Doraci Alves Lopes
8 de dezembro de 2025 9:46 amParabéns pela matéria