4 de junho de 2026

PM diz que jovem algemado com mãos para trás deu tiro na própria cabeça

Do Estadão

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Jovem algemado com mão para trás deu tiro na própria cabeça, diz PM

por Bruno Paes Manso

O jovem José Guilherme Silva, de 20 anos, que aparece na foto acima, morreu no dia 14 de setembro do ano passado dentro de um camburão da Força Tática da PM de Limeira, no interior de São Paulo. Antes de entrar no carro, sob a acusação de ter participado de um assalto, ele tinha sido revistado pelos policiais “nos pés, tornozelos, cintura e genitália”, conforme eles próprios admitem. Os policiais não encontraram armas com ele. José Guilherme foi algemado com as mãos para trás. O pai do menino, José Alves, conseguiu chegar ao local a tempo de ver seu filho apanhando da polícia. Diante de mais ou menos 30 pessoas, ele entrou imobilizado e desarmado no camburão.

Segundo a versão dos policiais, poucos minutos depois, quando a viatura se dirigia à delegacia com o jovem dentro, José Guilherme teria sacado um revólver 38 de cano longo e atirado contra a própria cabeça. A bala, segundo os exames criminalísticos, percorreu uma trajetória de cima para baixo. O tiro foi dado a uma distância de cerca de 50 centímetros da cabeça.

No laudo, o perito escreveu provavelmente uma das maiores pérolas da história do instituto de criminalística, digna de entrar no roteiro de um CSI brasileiro – que certamente seria uma comédia. Depois de examinar o disparo na cabeça e ver que o preso estava algemados para trás, o perito justifica a possibilidade do suicídio nos seguintes termos:  ”isso envolve um estudo personalíssimo da habilidade do agente que encontra-se algemado. E é sabido nos meios policiais tanto sobre a habilidade de movimento de alguns detidos, bem como sua condição pessoal de burlar a revista”.

Passados cinco meses, apesar dos fortes indícios contra os policiais que participaram da ação, pais e irmãos do garoto ainda lutam para provar que seu filho foi executado dentro da viatura e para verem punidos os responsáveis pelo crime. Como os policiais permanecem na rua, o resultado da luta da família, por enquanto, foi apenas um: expor pai, mãe e cinco filhos (um deles gêmeo de Guilherme) ao risco de represálias. Quando foram conversar com um dos que participaram da detenção de José Guilherme, Maria de Lourdes Jesus Fagundes, e a mãe Claudia Regina, tiveram que ouvir: “antes um bandido morto do que um policial morto”.

Sem desanimar da luta fadada a inúmeras frustrações, as duas foram buscar ajuda da comissão municipal de direitos humanos de Limeira e da comissão estadual da Assembleia Legislativa, onde também funciona a Comissão da Verdade. É desanimador, passados mais de 40 anos da fase mais violenta da Ditadura Militar, sabermos que ainda se vive sob fortes suspeitas de que simulações de suicídios ainda são usadas para simular execuções.

Por último. Caro leitor que vai me atacar dizendo que estou “defendendo bandidos e atacando a polícia paulista”. Conte até dez e respire antes de começar a teclar. Perceba que talvez não seja esse o ponto da discussão. E saiba que há muitos policiais militares que compreendem que esse tipo de teatro nefasto está corroendo as estruturas da corporação, a ponto de fazê-la em breve desmoronar.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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19 Comentários
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  1. lclbotelho

    14 de fevereiro de 2014 1:29 pm

    Prezado Nassif
    A Lei da Selva

    Prezado Nassif

    A Lei da Selva , imposta por grupos de Policiais PM (policiais ? .Desde quando Soldados são Policiais ?), e em todo o Brasil , juntamente com o odioso “faturamento dos Quartéis ” (tão bem retratado no filme Tropas de Elite ) são o mederno cançer Social Brasileiro -Ovo da Serpente , em minha opinião de cidadão contribuinte Brasileiro (em todos os níveis :Federal , Estadual e Municipal).

  2. Wandré

    14 de fevereiro de 2014 1:29 pm

    Vídeo desmente policiais

    Este vídeo desmente a tese dos policiais:

    http://www.youtube.com/watch?v=qAT0Mx54tDo

  3. Alessandre de Argolo

    14 de fevereiro de 2014 2:02 pm

    Revoltante. São tantos os

    Revoltante. São tantos os casos grotescos que quase ninguém se indigna mais.

  4. Tambosi

    14 de fevereiro de 2014 2:28 pm

    Vacina

    Não é sintomático o último parágrafo? O articulista já se vacina contra o histerismo hidrófobo dos comentaristas dos grandes portais, que não vêem outro mundo além do preto e branco…

    Mas quem pariu Mateus que o embale, né…

  5. Francy Lisboa

    14 de fevereiro de 2014 3:11 pm

    O pior de tudo é gente achar

    O pior de tudo é gente achar bom que milícias atuem para promover a “segurança”. Nem adianta bota a culpa apenas nos Estado quando tendemos a mudar de calçado na simples presença de um elemnto suspeito. Mas e daí? Ninguém mexe com a gente, o povo, a sociedade, a culpa nuca é nossa, é sempre de quem elegemos. As vezs eu penso se o voto não seria nocivo ao sentimento de nação. Diz aí.

  6. janes salete

    14 de fevereiro de 2014 3:31 pm

    Ai, jesuzinho!  Eles

    Ai, jesuzinho!  Eles “conseguem” o IMPOSSÍVEL. Dá medo, não dá gente? Se o milico não vai com tua cara, ou se ele está sendo comandado por um “pé de poco”, salve-se quem puder. Isso me deixa muito triste, muito triste. Defiinitivamente, a oab só existe para cobrar mensalidades e dar entrevistas pra mídia..

  7. PauloBR

    14 de fevereiro de 2014 3:57 pm

    Esse perito é advogado?

    O perito é só médico legista ou também é advogado? Se for, devia tentar carreira, com chance de chegar ao STF.

  8. Roberto

    14 de fevereiro de 2014 4:06 pm

    Antigamente as viaturas não
    Antigamente as viaturas não tinham separação entre guarnição e detido. De dentro da viatura o policial jogava uma câmara de pneus sobre o prisioneiro e o mesmo morria a caminho do hospital, tem o esquema da caneta dentro do ferimento. Esse rapaz com certeza foi levado de quebrada e executado desta forma, vc pode encostar o cano no corpo que não dá como queima roupa. Lamentável!

  9. Lucas Gomes

    14 de fevereiro de 2014 4:54 pm

    quando a morte é ocasionada

    quando a morte é ocasionada por um manifestante que incomoda o governo a comoção é nacional, fomenta as mais diversas análises, trás a tona tentativas de golpe de estado, a esquerda governista toda se escandaliza, se alia com a grande imprensa para falar do perigo que representa a extrema-esquerda manipulada pela direita, alguns até chegam a propor uma lei anti-terrorista.

    a polícia militar, aquilo que a grande maioria dos partidos de “centrão” aceitam como herança “necessária” da ditadura, quando mata mais um rapaz pobre, merece apenas algumas notas de lamento, talvez uma crítica ao candidato tucano. E ainda tem gente que tem coragem de falar dos tempos terríveis da ditadura… claro, era quando a própria burguesia era perseguida. Hoje que ela está tranquila os pobres podem continuar morrendo na mão dos militares que ninguém liga, é o cotidiano, indignar-se contra isso é dar armas para a direita.

  10. allegro82

    14 de fevereiro de 2014 5:47 pm

    Isso que é banalização do mal

    Isso que é banalização do mal

  11. BRAGA-BH

    14 de fevereiro de 2014 5:49 pm

    Polícia civil X polícia militar

    Já disse aqui em posts anteriores que a separação das duas polícias no Brasil é um verdadeiro engodo, um engano (se não for de má fé mesmo). A unificação das polícias tendo como base o treinamento de polícia civil é a pedra chave, a mola mestra para se mudar este caos que são nossas polícias militares. Este ainda é um dos maiores resquícios ods tempos de ditadura onde as polícias podiam prender, torturar e matar e ninguém podia falar nada! Transparencia na polícia hoje é apenas um sonho haja visto que existem inclusive tribunais militares para julgamento dos seus. O espírito de corpo ainda reina nesta corporação

    1. drigoeira

      15 de fevereiro de 2014 3:15 am

      Respondo…

      Respondo como já fiz em posts anteriores.

      Não adianta nada juntar as polícias se o treinamento continuar  o mesmo. Mudam-se os cachorros, mantém o dono.

  12. Hélio Jorge Cordeiro

    14 de fevereiro de 2014 5:59 pm

    ” Eu juro, sargento, que o Zé

    ” Eu juro, sargento, que o Zé Tronquinho gritou antes de eu atirar: Pernas, pra quê, te quero!” – Recruta Z

  13. Djijo

    14 de fevereiro de 2014 6:02 pm

    hipóteses:

    Queima de arquivo?

    Tráfico de órgãos?

    1. Zé Mané

      14 de fevereiro de 2014 7:42 pm

      Tradição.

      Tradição.

  14. Vander

    14 de fevereiro de 2014 6:54 pm

    Isto acontece também porque

    Isto acontece também porque não temos um Ministro da Justiça que tenha a coragem de exigir uma apuração extracorporativa de casos como esse de claro abuso, acobertamento e conivência com assassinatos. Mesmo supondo a possibilidade da pessoa algemada com as mãos para trás ser um mágico, o simples fato do tiro ter partido “do alto, a uma distancia de 50 cm”, já inviabiliza qualquer possibilidade de suicídio e prova o cinismo e a falácia de PMs covardes e dos defensores da tortura e da morte sumária sem julgamento!

  15. Gilson AS

    14 de fevereiro de 2014 8:11 pm

    É apenas mais um preto.
    E

    É apenas mais um preto.

    E vida que segue !

  16. lclbotelho

    14 de fevereiro de 2014 8:20 pm

    Prezado Nassif
    Todos sabemos

    Prezado Nassif

    Todos sabemos que as bandas podres da PM ainda vão gerar graves instabilidades constitucionais , ao imporem um Estado de Sítio e patronato subliminar do crime , nas ruas .A Juíza Acyoly , em Niterói , foi assasinada por um bando de PMs terroristas , exatamente porque não aceitava o dominío destas quadrilhas organizadasde PMs bandidos dentro da corporação e nas guardas municipais .Que o digam  os batalhôes siameses  12 BPm de Niteroi e aquele de São Gonçalo !.

  17. Zanchetta

    15 de fevereiro de 2014 12:36 am

    Qué isso, gente! Vai me dizer

    Qué isso, gente! Vai me dizer que ninguém nunca viu como o Houdini se suicidava mais algemado que isso???

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