4 de junho de 2026

A farsa da jovem bilionária brasileira (e sua empresa processada nos EUA), por João Paulo Pacifico

Ela foi para os EUA financiada pela Fundação Estudar, do bilionário Jorge Paulo Lemann (o mesmo da fraude das Americanas).
Reprodução

Luana Lopes Lara, jovem bilionária brasileira, comanda a Kalshi, empresa avaliada em mais de US$ 11 bilhões.Kalshi opera como casa de apostas disfarçada, desrespeitando leis estaduais e enfrentando processos em sete estados dos EUA.Empresa contratou Donald Trump Jr. e tem conselheiro ligado à CFTC, órgão regulador, gerando conflito de interesses.

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A farsa da jovem bilionária brasileira (e sua empresa processada nos EUA)

por João Paulo Pacifico

A jovem bilionária que a mídia celebrou por provar que a meritocracia funciona tem uma obscura história que pouco foi falada pela imprensa brasileira.  Mas que vem ganhando relevância lá fora.

Nesta semana, a brasileira Luana Lopes Lara ganhou destaque como pessoa mais jovem do mundo a construir a própria fortuna bilionária.

Os jornais repetiram a mesma narrativa encantada: a menina cresceu em Joinville, foi bailarina do Bolshoi, estudou no MIT, trabalhou no mercado financeiro e hoje, aos 29 anos, comanda a Kalshi, uma empresa avaliada em mais de 11 bilhões de dólares.

Uma história perfeita para os defensores da meritocracia.

Maaaas, quando você começa a investigar o que realmente é a Kalshi e como ela chegou lá, a narrativa desmonta rapidinho.

O que é a Kalshi?

A Kalshi é, na prática, uma BET disfarçada. Uma casa de apostas que finge não ser casa de apostas para driblar a legislação dos Estados Unidos.

As casas de apostas nos EUA seguem regras pesadas:

  • precisam de licença em cada um dos 50 estados;
  • pagam impostos altíssimos;
  • só podem aceitar apostadores acima de 21 anos.

A Kalshi se apresenta como um “mercado de contratos financeiros”, usa regulação federal (ao invés da estadual), paga muito menos impostos e aceita clientes a partir de 18 anos (ao invés de 21).

Na Kalshi é possível apostar em tudo

  • Esportes
  • Inflação
  • Temperaturas
  • Guerras

E até em quem vai ganhar a eleição presidencial.

Com isso, passou a competir deslealmente com BETs reguladas.

Não que as BETs sejam um exemplo de empresa… mas pelo menos seguem padrões mínimos, o que não acontece com a Kalshi.

Por conta disso, sete estados americanos, além de povos indígenas que operam cassinos legalizados, moveram ações contra a empresa da brasileira, acusando-a de praticar apostas ilegais mascaradas de contratos financeiros.

Mas a situação só piora.

Para se proteger da enxurrada de processos, a Kalshi tomou uma decisão “esperta”.

Em janeiro de 2025, contratou Donald Trump Jr., o filho mais velho do presidente Trump, como conselheiro estratégico.

Se reguladores estaduais tentam bloquear a operação, nada como ter a família mais poderosa (e mais interessada em dinheiro) dos EUA dentro da sua empresa.

E funcionou.

Pouco depois, Brian Quintenz conselheiro  da Kalshi foi indicado por Trump para comandar a CFTC, que é a agência federal responsável por fiscalizar a Kalshi (anteriormente ele já havia sido comissário dessa agência).

Conflito de interesses virou estratégia de negócios (chamaram o conselheiro para fiscalizar a empresa).

E ainda tem mais

Há acusações de usuários de que a empresa teria usado uma subsidiária para apostar contra seus próprios clientes, com mais informação, mais tecnologia e mais poder.

O cliente acreditava que estava apostando contra outra pessoa. Mas, do outro lado da mesa, podia estar a própria Kalshi com seus algoritmos.

O mito da jovem bilionária

Voltando para a “brilhante e meteórica” carreira da jovem que se tornou bilionária tendo nascido na classe média.

Em entrevista recente na Globonews, Luana defendeu a meritocracia e sonho americano.  Mas vamos aprofundar um pouco.

Ela foi para os EUA financiada pela Fundação Estudar, do bilionário Jorge Paulo Lemann (o mesmo da fraude das Americanas).  A empresa cresceu graças ao bilionário filho do Trump

Portanto, meritocracia financiada por bilionários.

E com uma empresa que dribla a legislação para fazer algo pior do que as BETs legalizadas.

Uma empresa que não contribui com nada positivo para a sociedade, mas que lucra com o vício.

Enquanto isso, a mídia celebra o feito da jovem heroína, genial e talentosa.

Na vida há valores muito maiores do que os financeiros, mas muita gente ainda não entendeu isso.

Me responda, qual o maior mérito dela? Driblar a lei dos EUA? Atrair bilionários e poderosos? Ou lucrar em cima do vício?

joão paulo pacifico

ps1. abrimos ontem a captação de equity para uma empresa de verdade, que causa impacto positivo (em poucas horas já atingimos o valor mínimo), caso tenha interesse (e não tenha esgotado a oferta), entre em https://gaiaimpacto.com.br/ (leia a documentação completa antes de tomar qq decisão).

Ps2. sou contra BETs, mesmo as reguladas. Elas só fazem mal para a nossa sociedade e deturpam os esportes.

João Paulo Pacifico – CEO Investimentos de Impacto do Grupo Gaia | @joao_pacifico

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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4 Comentários
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  1. Jicxjo

    12 de dezembro de 2025 10:52 am

    Parabéns pelo artigo desmascarando a Bettina 2.0. Não é que Bettina também seria um bom nome para essa santinha do pau oco?

  2. AMBAR

    12 de dezembro de 2025 6:09 pm

    Parece que a indignação do articulista reside na questão de : por quê que eu não pensei nisso antes para ficar bilionário também.

    1. Alex

      12 de dezembro de 2025 9:53 pm

      Parece que você esta do lado errado sendo mais um que se tivesse oportunidade iria tirar proveito das pessoas para enriquecer mesmo que em meios ardilosos. Parabéns nem todos (como vc) presam por valores materiais acima dos pessoais.

      1. AMBAR

        13 de dezembro de 2025 3:25 pm

        Foi você quem escreveu o artigo? Observe que se não foi você, quem escreveu se idetifica como um CEO de investimento de impactos do Grupo Gaia (veja no fim do artigo) Quem escreveu não foi um monsenhor católíco que unge os doentes ou cuida de pessoas carentes, não foi um iluminado espiritual que desdenha os bens materiais , trata-se do pensamento corrente de quem só pensa em meios de fazer dinheiro. Observe que quem escreveu o artigo não é diferente da pessoa que ele critica.

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