4 de junho de 2026

Condenar o antissemitismo sem reservas, recusar a impunidade política, por Mohammed Hadjab

Condenar o antissemitismo não significa silenciar diante das responsabilidades políticas que alimentam o caos moral e a confusão atuais.
Homem que imobilizou um dos terroristas era de origem síria. Seu nome é Ahmed al Ahmed.

Atentado antissemita em Bondi Beach, Sydney, é condenado como ataque inaceitável contra a humanidade. Condenação do antissemitismo deve ser firme, sem justificar violência por opiniões políticas das vítimas. Políticas de Netanyahu são criticadas por alimentar conflito e banalizar o ódio, aumentando riscos para todos.

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Condenar o antissemitismo sem reservas, recusar a impunidade política.

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por Mohammed Hadjab

O atentado antissemita ocorrido na Austrália, na praia de Bondi (Bondi Beach), em Sydney, deve ser condenado com a máxima firmeza. Nada, absolutamente nada, justifica que um ser humano seja atacado por sua identidade real ou suposta. O antissemitismo é um veneno antigo e criminoso, que já levou a humanidade aos seus abismos mais sombrios. Qualquer ataque contra judeus, enquanto judeus, é um ataque contra a própria humanidade.

Essa condenação é total e incondicional, independentemente das opiniões políticas reais ou supostas das vítimas. Mesmo que algumas delas sejam apoiadoras incondicionais da política do atual governo israelense, isso jamais pode servir de pretexto para a violência sofrida. O direito, a justiça e a ética exigem uma linha clara: ideias, por mais chocantes que sejam, jamais se combatem com atentados ou assassinatos.

Condenar o antissemitismo, no entanto, não significa silenciar diante das graves responsabilidades políticas que alimentam o caos moral e a confusão atuais. A política conduzida por Benjamin Netanyahu — marcada pela violência em massa, pela desumanização sistemática do povo palestino e pelo que numerosas vozes já qualificam como um genocídio planejado — constitui um desastre histórico. Ela não protege os judeus, não garante a segurança dos israelenses e tampouco honra a memória dos crimes do passado. Pelo contrário, coloca todos em perigo.

Ao instrumentalizar o sofrimento histórico do povo judeu para justificar o injustificável e ao tentar assimilar qualquer crítica ao Estado de Israel ao antissemitismo, esse governo contribui paradoxalmente para a banalização do ódio antijudaico no mundo. Ele confunde deliberadamente os referenciais morais, alimenta amálgamas perigosos e cria um terreno fértil para os extremismos mais violentos. Isso não absolve, em hipótese alguma, os criminosos antissemitas — mas revela uma responsabilidade política esmagadora.

É, portanto, possível e necessário sustentar duas posições ao mesmo tempo:

Condenar sem ambiguidades toda forma de antissemitismo, em qualquer lugar e circunstância;

Apontar com clareza os dirigentes que, por meio de suas políticas criminosas e cínicas, colocam em risco a coexistência, a justiça e até mesmo a segurança dos povos que afirmam defender.

A luta contra o antissemitismo jamais será credível se servir de escudo para políticas de massacre. E a defesa dos direitos do povo palestino jamais será legítima se tolerar o ódio contra judeus. A humanidade só avança quando rejeita esses falsos dilemas e escolhe, de forma coerente, o direito, a dignidade e a vida.

Mohammed Hadjab, analista em geopolítica e Relações Internacionais

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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