5 de junho de 2026

Juiz Appio alega fraude no vídeo da champanhe, diz que pagou por 3 garrafas e move ação contra Moro

Appio diz que teve sua imagem "dolosamente aniquilada" e que considerada a trama uma "perseguição"

Juiz federal Eduardo Appio nega furto de champanhe em Blumenau e acusa vídeo usado no processo de ter sido editado.Senador Sergio Moro divulgou vídeo e chamou Appio de “ladrão aloprado”; juiz processará Moro por difamação.Appio pagou R$ 1.199 pelas garrafas, conforme comprovante; segurança confirma pagamento em depoimento à polícia.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O juiz federal Eduardo Appio afirmou à reportagem do GGN nesta quarta (16) que houve “fraude” na edição de um vídeo que mostra o suposto furto de uma garrafa de champanhe em um supermercado de Blumenau (SC) no dia 18 de outubro. O episódio rendeu o afastamento de suas funções e a abertura de um processo administrativo disciplinar (PAD) pelo TRF-4, o tribunal alinhado ao lavajatismo.

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Embora seja praxe que magistrados sob investigação tenham direito ao sigilo dos autos, Appio teve seu caso amplamente exposto na grande mídia. Nesta semana, o senador Sergio Moro, ex-juiz da Lava Jato, divulgou trecho do vídeo utilizado pela corregedoria para a abertura do PAD. Moro chamou Appio de “ladrão aloprado” e atacou a credibilidade do juiz que passou um pente-fino na Lava Jato e remeteu casos importantes (como o de Alberto Youssef e de Tony Garcia) ao Supremo Tribunal Federal.

Em resposta, Appio acionou advogados para processar Moro por difamação. Ele alegou à reportagem que teve sua imagem pública “dolosamente aniquilada” pela divulgação do caso das champanhe, dado o levantamento do segredo de justiça, e disse que considera a trama uma “perseguição” e “intimidação” por sua atuação na Lava Jato.

“Considero este vídeo dolosamente publicado pelo Senador Moro uma fraude sem precedentes e uma quebra de decoro. A intenção de Moro é me intimidar como testemunha de tudo que vi e apurei na 13ª Vara Federal de Curitiba”, disse Appio.

Segundo as informações divulgadas na grande mídia, o processo administrativo disciplinar contra Appio apura se o juiz feriu as regras da magistratura ao supostamente furtar, em ocasiões distintas, 3 garrafas de Moët Chandon que custavam, na promoção, R$ 399 cada.

Em sua defesa, Appio alegou que o vídeo usado no inquérito foi editado – não apresenta, por exemplo, cenas da passagem do juiz pelo caixa do supermercado. O juiz também diz que pagou R$ 1.199 no cartão de débito pelas três garrafas após ser abordado pela equipe de segurança, de acordo com comprovante anexado aos autos pelo estabelecimento comercial.

O GGN teve acesso ao depoimento em vídeo de um dos seguranças do supermercado Giassi e autor do boletim de ocorrência, Osmar Saraiva, que narra em detalhes como foi feita a apuração desde o início e que confirma o pagamento pelas três garrafas.

O vídeo editado não mostra este acordo para o pagamento, nem que Appio levou para casa, segundo ele afirmou ao GGN, a única garrafa que pegou em 18 de outubro. Ao contrário disso, a edição do vídeo mostra Appio deixando a garrafa em cima da mesa da sala de segurança e saindo sem efetuar qualquer pagamento.

O início da apuração

Segundo o testemunho do segurança, tudo começou quando o mercado detectou a falta de uma garrafa de campanhe ao realizar o inventário da loja. Ao analisar as imagens das câmeras de segurança, encontrou um suspeito em 20 de setembro, caracterizado como um homem com mais de 70 anos.

No dia 4 de outubro, o mesmo suspeito esteve presente no supermercado mais uma vez e, no mesmo dia, outra garrafa teria sido subtraída do inventário. Appio entrou na mira quando os seguranças apontaram para seu Jeep Compass branco como o veículo usado no mesmo dia dos dois furtos. O segurança admitiu em depoimento gravado que, apenas pelas câmeras, não é possível afirmar “cem por cento” que o mesmo suspeito levou a segunda garrafa.

Em 18 de outubro, dia do terceiro e último furto registrado pelo supermercado, Appio é filmado fazendo compras no Giassi carregando uma sacola retornável. Ele pega uma garrafa de Moët Chandon, coloca na sacola, passa direto pelo caixa (o que não é exibido no vídeo editado) e segue para o estacionamento, quando é abordado por dois seguranças que levam o juiz até uma sala reservada.

Na sala, Appio se identifica, apresenta um comprovante de pagamento de dois itens do mercado, mas não o da champanhe. Ele pede para fazer o acerto desta, mas os seguranças exigem o pagamento das três garrafas – o que é feito para evitar que a Polícia Militar fosse acionada, segundo o depoimento de Saraiva à 1ª Delegacia de Polícia Civil de Blumenau.

Impactos na Lava Jato

Para Appio, o que não pode acontecer é que este episódio atrapalhe o trabalho do STF, que autorizou novas diligências no antigo gabinete de Moro em Curitiba, onde foi encontrado uma “caixa amarela” com gravações ligadas ao caso Tony Garcia. O ex-deputado afirma ter sido “espião” de Moro muito antes da Lava Jato começar. Em suas declarações públicas, Moro agora tenta usar o caso das champanhes para retirar o crédito das ações que correm no STF por iniciativa de Appio.

Em ofício enviado à Polícia Federal no último dia 13, Appio alegou que sofre “tentativa de coação” por ser “testemunha chave” para casos que podem render punições aos lavajatistas e requer abertura de inquérito policial contra Moro, que o ofendeu na internet.

“Após 31 anos de serviço publico honesto e imaculado, agora sofro, na condição de testemunha chave, agressão digital orquestrada com a finalidade de me coagir e interferir nos tramites dos inquéritos sigilosos”, pontuou.

Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

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17 Comentários
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  1. Fauzi

    16 de dezembro de 2025 3:41 pm

    Será que eu li corretamente?
    O que eu entendi da leitura do texto é que o Dr Apio furtou em ocasiões diferentes 3 garrafas, porém, quando do terceiro furto foi pego em flagrante e concordou em pagar pelas três garrafas, o quê motivou que o supermercado-vitima tenha-se dado por quitado para não prosseguir com a queixa-crime. O que não evita que o Tribunal instale processo de avaliação ética do magistrado.

    1. Milton

      17 de dezembro de 2025 8:12 am

      Também entendi assim. E, se esta é a verdade, não há como escapar: houve furto e posteriormente o pagamento. Mas furto houve e apenas sanado junto ao fornecedor pelo pagamento. É, no mínimo, escandaloso que um juiz furte, seja pego e tudo é sanado pelo pagamento, posterior e forçado ante a confirmação visual do furto. Ao magistrado cabe, sem dúvida alguma, a defesa, esclarecimentos ao distinto público e, se for o caso, a dura repressão ao eventual uso de fraude por parte do denunciante, aliás envolvido em uso e abuso de irregularidades no ofício de juiz. Aguardemos a ampla elucidação de tudo e punição de culpados.

    2. Jossimar

      17 de dezembro de 2025 11:50 am

      Também entendi assim. Se for este o caso, o fato é que o Appio FURTOU as garrafas. Outro FATO INCONTESTÁVEL é que Moro é um ladrão mafioso. Essa não é a primeira vez que arma casos contra desafetos ou pessoas que não concordam com ele. Com certeza aprendeu isso com a CIA ou FBI, órgãos estrangeiros para os quais presta serviços.

  2. Fábio de Oliveira Ribeiro

    16 de dezembro de 2025 4:01 pm

    Sujo Moro está desesperado. Essa é a única coisa que podemos concluir ao pensar sobre esse episódio. Ele parece acreditar que pode trocar sua impunidade pela preservação da carreira de Appio. Se esse for o caso, me parece que Sujo Moro repete aqui o mesmo erro de avaliação que cometeu quando foi para cima do hacker de Araraquara. Ele era um juiz medíocre, mas como estrategista Moro é uma nulidade.

  3. João Ferreira Bastos

    16 de dezembro de 2025 4:21 pm

    O moro, mais uma vez coloca o trf4 de joelhos e cumplice de crime

    Já passou da hora de expulsar todos os desembargadores do trf4

  4. Joao

    16 de dezembro de 2025 4:24 pm

    O moro, usa o video da festa da cueca para mais uma vez, usar o TRF4 como cumplices de seus crimes

    Já passou da hora de prender moro e toda sua quadrilha e expulsar os desembargadores do trf4

  5. Paulo Dantas

    16 de dezembro de 2025 6:52 pm

    Aguardemos a investigação.

    Mas, mercados no Paraná não tem cestinha ou carrinhos para o cliente precisar guardar os itens em sacolas !?

    1. Carlos

      17 de janeiro de 2026 11:01 am

      O comentário mais razoável pelo que pude analisar. Realmente, compras em supermercados são colocadas em cestos ou carrinhos. Em sacolas, só depois que passam pelos caixas. É simples!

  6. NELSON VIANA DOS SANTOS

    17 de dezembro de 2025 8:33 am

    O que se passa na cabeça de um juiz federal, de um ser humano, que recebe um salário invejável, para fazer o que o Dr. Apio fez? Algum transtorno ou a simples e conhecida falta de caráter?

    1. emerson57

      17 de dezembro de 2025 1:04 pm

      Quando eu descobrir o que se passa na sua cabeça, prometo responder essa sua pergunta.

    2. Arthur Arruda

      17 de dezembro de 2025 1:31 pm

      Isso loucura no Brasil tem outro nome: impunidade

    3. marcio ga

      17 de dezembro de 2025 3:07 pm

      Áppio é cleptomaníaco. O desejo de posse é maior do que a razão. O prazer do doente em surrupiar o alheio deve ser muito grande. Ele cometeu um pequeno pecado, porém mortal para a sua biografia de juiz, que pune que não obedece às leis e normas civilizadas. Lamentável! E, não adianta botar na conta do Sergio Moro essa curruptela.

  7. AMBAR

    17 de dezembro de 2025 4:55 pm

    Essa notícia saiu ontem no RT, já está, portanto além de nossas fronteiras. Digo aqui o que disse lá. Se o Appio queria comemorar a prisão do mito e outras vitórias mais , conseguidas pelo Xandão, poderia encomendar um Moët Shandon pela Amazon que vende até com taça comemorativa, numa embalagem exclusiva. Verdade ou não, tendo pago ou não, sendo o cara do filme do supermercado ou não, essa pecha vai contaminar a sua biografia. Lamentável! O judiciário do Paraná periga. Sendo Appio ajuizado deverá sair do Paraná e colocar-se em anonimato, será bom para ele e para as investigações contra o Moro, que não furta garrafas de champagne em supermercado: ele prefere os bilhões da Petrobrás.

  8. Elber

    18 de dezembro de 2025 6:25 pm

    Não pode chefiar um Juízo quem não tem juízo! O cargo se foi!! Se Appio provar que não tem juízo, aposentar-se-á por invalidez, proventos integrais; se não, haverá a compulsória, com proventos proporcionais.

    Inobstante, um bom advogado poderá arguir doença adquirida pelas condições e ambiente de trabalho; que teria sido no TRF4 que o ora sindicado adoeceu, adquirido lá a cleptomania, aprendido a roubar; ou, como disse à imprensa o auto arquétipo Sérgio Moro: fora lá em que se tornou um ladrão aloprado!

  9. Elber

    18 de dezembro de 2025 6:37 pm

    Concordo. Essa também é a minha leitura.

    1. AMBAR

      19 de dezembro de 2025 7:29 pm

      São essas as opções do Appio, mas abrigar-se no anonimato será, sem dúvida, a mais importante. Ele deverá constituir advogados para defende-lo, conseguirá aposentar-se proporcionalmente (é mais vantajoso) ou por invalidez, e ainda montar uma banca em direito previdenciário se quiser continuar trabalhando. Sérgio Moro é muito eficiente na prática de destruir pessoas e por isso que o Appio deverá colocar-se a uma distância segura.

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