15 de julho de 2026

Após três décadas, PT deixa de ter eleitorado concentrado no Sudeste

Do Estadão

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Com ‘nacionalização’, PT tem votação que é retrato fiel do eleitorado brasileiro

Partido, que comemora mais de 3 décadas de existência nesta semana, vive transformação geográfica e social, deixando de ter representação concentrada no Sudeste e expandindo-se para outras regiões, sobretudo o Nordeste

07 de fevereiro de 2011 | 11h 24

Daniel Bramatti, de O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO – Ao completar 31 anos, o PT passa pelo ápice de um lento e gradual processo de “despaulistização” (afastamento do eixo São Paulo) que vem desde a década de 80. Sua votação para a Câmara dos Deputados em 2010 espelhou de forma quase exata a distribuição do eleitorado brasileiro pelas diferentes regiões.

Dados eleitorais, pesquisas de opinião e estudos acadêmicos demonstram que essa descentralização geográfica coincidiu com uma marcha rumo ao centro e uma transformação de base social. Assim como o PT, nas últimas três décadas os simpatizantes do partido se tornaram mais moderados e se interiorizaram. Diferentemente do PT, eles ficaram mais pobres.

Em 1982, na primeira eleição para a Câmara que o partido disputou, nada menos que 89% de seus votos se concentravam na Região Sudeste. No Nordeste, Norte e Centro-Oeste estavam apenas 4%, 2% e 1% dos eleitores petistas, respectivamente. Essa distorção foi caindo a cada quatro anos até que, em 2010, o resultado foi de 42% no Sudeste, 26% no Nordeste, 17% no Sul, 8% no Centro-Oeste e 7% no Norte – com uma margem de erro máxima de dois pontos, esses porcentuais são um retrato fiel da distribuição dos eleitores pelo País.

Ainda que com certas limitações, as eleições legislativas retratam de forma mais precisa a fidelidade dos eleitores aos partidos, já que as disputas presidenciais são centradas em personalidades.

Efeito Lula. A descentralização geográfica do eleitorado petista, marcadamente paulista nos anos 80, é um fenômeno até certo ponto previsível, segundo o cientista político Jairo Nicolau, especializado na análise de dados eleitorais. Ele observa, porém, que a tendência se intensificou a partir da chegada de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência, em 2003.

Até 2002, a maioria absoluta dos eleitores petistas para a Câmara (52%) ainda se concentrava no Sudeste. Nas duas eleições seguintes, esse índice caiu para 46% e 42%, respectivamente. No Nordeste, a trajetória foi de crescimento: 18% em 2002, 24% em 2006 e 26% em 2010. No Norte, os índices foram de 4%, 6% e 8%.

Com Lula no poder, o fortalecimento do PT se deu nos Estados onde foi maior o impacto das políticas sociais do governo – das quais o carro-chefe é o programa Bolsa-Família.

Esse eleitorado dependente de benefícios oficiais, disperso e não organizado tem perfil muito diferente dos militantes que impulsionaram o partido em suas origens – sindicalistas, estudantes, intelectuais e religiosos da chamada ala “progressista” da Igreja Católica.

“Para compreender mudanças e continuidade na evolução do petismo, deve-se prestar especial atenção à expansão geográfica do partido”, afirmam os cientistas políticos David Samuels, da Universidade de Minnesota, e Cesar Zucco, da Universidade Princeton, no estudo As Raízes do Petismo, 1989-2010. “As regiões brasileiras têm grandes desigualdades socioeconômicas. Por isso, a expansão eleitoral de um partido para novas áreas pode causar mudanças no perfil de seus simpatizantes mesmo sem que ocorra um grande realinhamento socioeconômico.”

Jairo Nicolau observa que a expansão nacional do PT coincide com ação planejada dos líderes da legenda. “Após a vitória de Lula houve uma deliberação para organizar o partido nas cidades onde não conseguia entrar.” Essa interiorização, para o cientista político, foi acelerada pela distribuição de benesses oficiais, pela cooptação de outras legendas e pelo próprio carisma de Lula entre os eleitores mais pobres.

A trajetória do PT revela um comportamento diferenciado dos eleitores do Sul. Lá, a proporção dos votos petistas para a Câmara não caiu nem cresceu, como no Sudeste e no Nordeste, mas oscilou. O ápice (22%) ocorreu em 1998, no governo Fernando Henrique Cardoso, quando o petista Olívio Dutra foi eleito governador do RS.

“O Sul experimentou o PT primeiro e depois recuou”, observa Marcia Cavallari, diretora executiva do Ibope.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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14 Comentários
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  1. Artaud

    10 de fevereiro de 2014 8:38 pm

    Alerta aos homens bons.

    Chamada do jornal nacional (ou manchete da Folha, ou capa da veja, ou…): PT cresce e alastra-se pelo país!

  2. JB Costa

    10 de fevereiro de 2014 8:52 pm

    This comment has been deleted.

    1. Robson Lopes

      10 de fevereiro de 2014 9:32 pm

      Bloquear porque, você até
      Bloquear porque, você até usou de eufemismo para o que escreveram.

    2. Anarquista Lúcida

      10 de fevereiro de 2014 9:36 pm

      Adoro qdo vc desabafa, JB. Sinal q pode acontecer c/ todos

      Até com você, que normalmente é um lorde (sem desaire, estou falando só de delicadeza, rs, rs). 

       

      1. JB Costa

        11 de fevereiro de 2014 12:55 am

        Apaguei, Analú. Estou em

        Apaguei, Analú. Estou em espaço de terceiros e devo respeito o dono do GGN e aos comentaristas. 

        Mas, confesso: minha vontade era de desabafar mesmo! Veja meu comentário acima. 

        Nada a ver com complexos ou coisa parecida. É a revolta com mesma toada de sempre; bolsa-família, bolsa-família, bolsa-família………….até o infinito. 

        Os caras assentam os traseiros aí nas universidades do sudeste e não vem aqui conhecer a realidade. Não que esta seja cor-de-rosa. Nada disso. Mas não é só bolsa-família. É que chamo preconceito culposo. 

        1. Anarquista Lúcida

          11 de fevereiro de 2014 4:55 pm

          Nao precisava ter apagado. Vc nao atacou ninguém daqui

          Nao ofendeu pessoalmente, fez um desabafo apenas. Usou sim um palavrao, mas nao foi dirigido a ninguém especificamente. E é normalmente super polido, até com quem nao merece. Vc tem crédito para uma explosao eventual, ninguém é de ferro. 

          Abs

    3. JB Costa

      10 de fevereiro de 2014 9:44 pm

      Peço desculpas a quem colocou

      Peço desculpas a quem colocou 5 estrelas no comentário acima(aliás, que estava acima) no qual usei palavrões como desabafo. Depois da cabeça já fria reconheço que este espaço não é meu e além disso devo respeito ao dono do blog e demais comentaristas. 

      Mas, droga!. será que toda análise política-econômica envolvendo o Nordeste SEMPRE se coloca o bolsa-família como o grande, quando não único, artífice do nosso crescimento? Da nossa razão de existir? Como vetor das nossas preferências políticas?

      Não temos indústria, comércio serviços, universidades, Não somos pioneiros e baluartes em muitas coisas,a exemplo de transplantes de alta complexidade. Agora mesmo o HEMOCE(Hospital de Sangue) acaba de efetuar o primeiro transplante de medula alogênico do Ceará. Não somos os maiores exportadores de frutas, Problemas, temos mil. Mas não somos só bolsa-família que o dignos pequisadores chamam de “benesses sociais”, uma espécie de eufemismo para não escrever “esmolas”.

      Sim, reconheço que houve uma elevação exponencial de votos para o PT. Mas em todos os segmentos e regiões. Fortaleza, por exemplo, é uma das capitais que mais votos vem dando a esse partido. 

      Por favor, senhores acadêmicos, vão com mais profundidade nas suas análises. 

      1. Walker Liberal

        10 de fevereiro de 2014 9:58 pm

        Envergonhado, diga-se, peco

        Envergonhado, diga-se, peco licenca aos leitores e ao dono do blog para tambem  me utilizar de chulismo para expressar ideias: Sr. JB Costa, depois de cagar na calca nao adianta apertar o cu.

         

        1. JB Costa

          11 de fevereiro de 2014 12:21 am

          Desço o nível, às vezes,

          Desço o nível, às vezes, Walker Liberal porque muitas vezes não sei refrear minhas revoltas. Tenho pelo menos a decência de expor minhas fraquezas e deslizes.  

          Agora de uma coisa tenho certeza: nunca fui tão baixo e imbecil ao ponto de escrever um contraponto do nível desse aí da tua lavra. Mais rasteiro que diferencial de sapo. 

          Não sou anônimo e assumo as responsabilidades de quem debate em público. Já esse Walter que ninguém sabe de onde nem para que veio, só aparece para trollar.

          PS: a coisa mais ridícula que há é o sujeito querer se passar por engraçado e ao final incidir na velha “vergonha alheia”. 

        2. Anarquista Lúcida

          11 de fevereiro de 2014 4:56 pm

          Isso sim é falar grosso e chulo. Argh!

  3. Avelino de Oliveira

    10 de fevereiro de 2014 9:24 pm

    Caro Nassif e demais
    Meus

    Caro Nassif e demais

    Meus deuses, tem hora que dá nó no estômago de ler esses relatórios:

    “Esse eleitorado dependente de benefícios oficiais” também poderia ser reescrito como, a concentração de rendas, o aumento da miséria, feito por um setor predador minoritário, fez com que o governo do PT, interrompesse essa economia selvagem, para uma nova proposta  de sociedade, contrária aos governos anteriories.

    Saudações

     

  4. lfmrodrigues

    10 de fevereiro de 2014 11:30 pm

    Este post foi para medir a

    Este post foi para medir a temperatur a do debate? Está quente. A noticia é de 2011.

  5. lfmrodrigues

    10 de fevereiro de 2014 11:30 pm

    Este post foi para medir a

    Este post foi para medir a temperatur a do debate? Está quente. A noticia é de 2011.

  6. Agarwaen

    12 de fevereiro de 2014 7:42 pm

    O PT é o partido com a menor

    O PT é o partido com a menor concentração regional de todos os partidos brasileiros (segundo dados da eleição de 2010). Ou seja, a distribuição de seus eleitores é a mais próxima da distribuição da população brasileira.

    A ordem, do partido mais nacional, ao partido mais regionalizado é:

    PT PP PDT PR DEM PSDB PRB PTB PMDB PSC PPS PCdoB PSB PV PTC PHS PSOL PMN PSL PTdoB 

     

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