5 de junho de 2026

Trump projeta ampliar repressão à imigração em 2026

Estratégia avança apesar da queda na popularidade do presidente e do aumento das críticas às vésperas das eleições de meio de mandato
Reprodução X de Caroline Leavitti

Trump planeja endurecer políticas migratórias em 2026, ampliando fiscalização e orçamento para controle da imigração nos EUA.
ICE e Patrulha da Fronteira receberão US$ 170 bi até 2029 para contratar agentes e aumentar operações, incluindo em locais de trabalho.
Revogação de status legal amplia deportações; medidas geram protestos, impacto econômico e críticas por violações e uso excessivo da força.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prepara uma nova etapa de endurecimento das políticas migratórias para 2026, com a promessa de ampliar operações de fiscalização, intensificar batidas em locais de trabalho e reforçar de forma inédita o orçamento destinado ao controle da imigração. A estratégia avança apesar da queda na popularidade do presidente e do aumento das críticas às vésperas das eleições de meio de mandato.

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Desde o início da atual gestão, Trump autorizou o envio de agentes federais de imigração a grandes cidades, onde operações resultaram em ações em bairros residenciais e confrontos com moradores. Até agora, porém, as autoridades vinham evitando, em grande parte, fiscalizações em fazendas, fábricas e outros setores considerados estratégicos da economia, fortemente dependentes de mão de obra imigrante sem status legal.

Esse cenário tende a mudar. O Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) e a Patrulha da Fronteira devem receber cerca de US$ 170 bilhões em recursos adicionais até setembro de 2029, um aumento significativo em relação aos orçamentos anuais atuais, estimados em aproximadamente US$ 19 bilhões. O reforço foi aprovado em julho pelo Congresso, de maioria republicana, dentro de um amplo pacote de gastos.

Segundo integrantes do governo, os novos recursos permitirão a contratação de milhares de agentes, a abertura de centros adicionais de detenção, a ampliação do uso de cadeias locais e parcerias com empresas privadas para localizar imigrantes em situação irregular.

A intensificação das deportações ocorre em meio a sinais de desgaste político. Em Miami, uma das cidades mais afetadas pelas medidas migratórias, os eleitores escolheram recentemente a primeira prefeita democrata em quase três décadas, resultado que, segundo a prefeita eleita, reflete em parte a rejeição às ações do governo federal. Pesquisas e resultados eleitorais locais também apontam crescente desconforto com as táticas adotadas.

“Cada vez mais as pessoas deixam de ver isso apenas como um debate migratório e passam a enxergar violações de direitos, do devido processo legal e uma militarização inconstitucional de bairros”, avaliou o estrategista republicano Mike Madrid. De acordo com pesquisas, a aprovação de Trump na área de imigração caiu de 50% em março para 41% em meados de dezembro, justamente no tema central de sua agenda.

Entre os principais alvos de críticas estão o uso de agentes federais mascarados, a adoção de métodos considerados excessivos, como gás lacrimogêneo em áreas residenciais, e casos de detenção de cidadãos americanos.

Deportações

Além de reforçar a fiscalização, Trump revogou o status legal temporário de centenas de milhares de imigrantes haitianos, venezuelanos e afegãos, ampliando o número de pessoas sujeitas à deportação. O presidente prometeu remover até 1 milhão de imigrantes por ano, meta considerada difícil de ser alcançada em 2025. Desde janeiro, cerca de 622 mil pessoas já foram deportadas.

O chamado “czar da fronteira” da Casa Branca, Tom Homan, afirmou que o governo já realizou uma operação de deportação em escala histórica e que os números devem crescer de forma significativa com a contratação de novos agentes e a ampliação da capacidade de detenção. “Vocês verão esses números explodirem no próximo ano”, disse, acrescentando que as ações incluirão, com certeza, mais fiscalizações em locais de trabalho.

Para Sarah Pierce, diretora de política do grupo centrista Third Way, empresas americanas evitaram confrontar o governo no último ano, mas podem reagir caso as operações passem a atingir diretamente os empregadores. “Será interessante observar se as empresas finalmente se posicionarão contra esta administração”, avaliou.

Trump voltou à Casa Branca defendendo deportações em níveis recordes, argumentando que a medida seria necessária após anos de imigração ilegal elevada durante o governo de Joe Biden. Desde então, a presença de agentes federais em cidades provocou protestos e ações judiciais por discriminação racial e uso excessivo da força.

Em várias regiões, comércios fecharam temporariamente para evitar fiscalizações ou diante da queda no movimento. Pais mantiveram filhos fora da escola por medo de prisões, e alguns cidadãos americanos passaram a portar passaportes como precaução.

Apesar do discurso oficial de foco em criminosos, dados do próprio governo indicam que a proporção de detidos sem antecedentes criminais aumentou. Cerca de 41% das aproximadamente 54 mil pessoas presas pelo ICE até o fim de novembro não tinham histórico criminal além de infrações migratórias, índice superior aos 6% registrados antes da posse de Trump.

A administração também passou a atingir imigrantes em situação legal, com detenções durante entrevistas para obtenção do green card, cancelamentos de cerimônias de naturalização e revogação de milhares de vistos estudantis.

Empregadores

A ampliação das fiscalizações em locais de trabalho pode elevar de forma expressiva o número de prisões e gerar efeitos econômicos relevantes. Empresários, muitos deles eleitores republicanos, alertam que a substituição de trabalhadores detidos pode aumentar custos e dificultar o controle da inflação, tema central das eleições de novembro.

Embora o governo tenha inicialmente poupado alguns setores por determinação do próprio presidente, essa orientação foi posteriormente revertida. Defensores de uma linha mais dura afirmam que a pressão sobre empregadores é inevitável. “Em algum momento, essas empresas terão de ser responsabilizadas”, afirmou Jessica Vaughan, diretora do Centro de Estudos de Imigração. “Quando isso acontecer, os empregadores passarão a se adequar.”

*Com informações da Reuters.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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