10 de junho de 2026

Documentário expõe perseguição a cientistas no Brasil e negacionismo na produção científica

"Ciência na Mira" documentário aborda os efeitos mais amplos da hostilidadea pesquisadores, como ataques e ameaças e sofridos durante o governo Bolsonaro
Crédito: Divulgação

Documentário “Ciência na Mira” revela perseguição a quatro cientistas brasileiros durante governo Bolsonaro.
Pesquisadores sofreram ameaças, processos e exílio por estudos sobre Covid, agrotóxicos e direitos reprodutivos.
Hostilidade afetou políticas públicas; casos mostram persistência do negacionismo e insegurança no meio científico.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O programa TV GGN Justiça recebeu, na última sexta-feira (19), o premiado diretor de TV Rafael Figueiredo, para falar sobre o documentário “Ciência na Mira”, que relata a perseguição sofrida por cquatro cientistas brasileiros em meio ao avanço do negacionismo científico e da extrema direita no país.

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A obra reconstrói as trajetórias de quatro pesquisadores que se tornaram alvos de ataques, ameaças e campanhas de deslegitimação, sobretudo durante o governo Jair Bolsonaro, e mostra como esse ambiente afetou a ciência, as políticas públicas e a vida pessoal dos envolvidos.

O filme acompanha as histórias do médico e pesquisador Marcos Lacerda, da Fundação de Medicina Tropical de Manaus; da geógrafa Larissa Bombardi, da Universidade de São Paulo (USP); da antropóloga e professora Débora Diniz, da Universidade de Brasília (UnB); e do físico Ricardo Galvão, ex-diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e atual deputado federal.

Segundo o diretor, a proposta foi tratar a perseguição à ciência a partir de casos emblemáticos, pouco conhecidos em profundidade pelo grande público. “A gente resolveu tratar esse tema através de casos mais representativos, mais emblemáticos, que, por mais relevantes que sejam, por mais que a história, de alguma maneira, chegue no noticiário, não se tem tanta informação mais aprofundada. O grande público não conhece essas histórias”, explicou Figueiredo ao jornalista Luís Nassif.

Um dos personagens centrais é Marcos Lacerda, que coordenou uma das primeiras grandes pesquisas no Brasil sobre o uso de cloroquina e azitromicina no tratamento da Covid-19. Os estudos indicaram a ineficácia e os riscos do medicamento, em choque direto com a defesa política da cloroquina feita por líderes como Donald Trump, nos Estados Unidos, e Jair Bolsonaro, no Brasil.

A divulgação dos resultados desencadeou ataques nas redes sociais, processos, pressões institucionais e ameaças de morte. Em determinado momento, o pesquisador passou a andar escoltado e chegou a se afastar temporariamente da capital amazonense por questões de segurança.

Outro caso retratado é o da geógrafa Larissa Bombardi, autora de um atlas que mapeia o uso de agrotóxicos no Brasil e compara a legislação brasileira com a da União Europeia. O estudo revelou níveis muito mais permissivos no país e apontou casos de contaminação, inclusive em bebês.

Após o lançamento do atlas na Europa, redes de supermercados anunciaram que deixariam de comprar produtos brasileiros, o que intensificou reações do setor do agronegócio. Bombardi passou a receber ameaças e, temendo pela segurança da família, deixou o Brasil em 2021. Desde então, vive na Bélgica e não se sente segura para retornar.

Situação semelhante é vivida por Débora Diniz, referência internacional em bioética e direitos reprodutivos. A antropóloga ganhou projeção nacional ao participar de audiências públicas no Supremo Tribunal Federal sobre o direito ao aborto. A partir daí, passou a ser identificada por grupos de extrema direita como símbolo do movimento pró-aborto e tornou-se alvo de ameaças de morte, inclusive contra familiares e a universidade onde trabalhava.

Após orientação da Polícia Federal para adotar medidas de segurança, como o uso de colete à prova de balas, Diniz decidiu deixar o país, em 2018. Sete anos depois, ainda vive no exterior.

O quarto personagem é Ricardo Galvão, que chefiava o INPE quando o instituto divulgou dados apontando aumento do desmatamento na Amazônia. Os números foram publicamente questionados por Bolsonaro, que acusou o órgão de agir a serviço de ONGs.

Galvão reagiu, defendeu a integridade científica das pesquisas e acabou demitido. Em depoimento no documentário, ele relata pressões, tentativas de devassa administrativa e o temor de grampos telefônicos durante o período de conflito com o governo.

Além dos relatos pessoais, o documentário aborda os efeitos mais amplos da hostilidade à ciência. Para Galvão, o maior prejuízo foi na formulação de políticas públicas, quando evidências científicas passaram a ser descartadas por razões ideológicas ou econômicas. Ele cita debates recentes no Congresso em que parlamentares negaram, da tribuna, consensos científicos consolidados, como a relação entre bebidas açucaradas e doenças crônicas.

Apesar de reconhecer avanços institucionais com a retomada de políticas de fomento à ciência no atual governo, Rafael Figueiredo avalia que parte do problema persiste. “Temos alguns quadros que não se tinham os anos atrás e que o institucional não dá conta. Uma coisa é a emergência das redes sociais. A perseguição, no caso da Débora, por exemplo, arrefeceu porque ela saiu de cena, de certa forma, não mora aqui”, afirmou.

Segundo ele, o fato de pesquisadoras como Larissa Bombardi e Débora Diniz ainda não se sentirem seguras para voltar ao país mostra que os efeitos desse período continuam enraizados na sociedade.

O programa contou ainda com a participação de Ricardo Galvão. Assista:

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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1 Comentário
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  1. Rui Ribeiro

    21 de dezembro de 2025 5:32 pm

    Não é possível viajar no espaço sem viajar simultaneamente no tempo. Seria possível viajar no tempo sem, concomitantemente, viajar no espaço?

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