17 de junho de 2026

Folha: o moralismo seletivo como instrumento político, por Luís Nassif

Fica nítido que a intenção da campanha contra o Ministro Moraes decorre dessa estranha percepção de ser “amigo do presidente da República”

Folha critica suposta complacência com aliados de Lula na PF e no Supremo, associando-os à corrupção crescente.
Editorial destaca abusos em emendas secretas, avanço do PCC no combustível e lavagem de dinheiro na Faria Lima.
Folha apoiou Lava Jato inicialmente, mas mudou tom após Vaza Jato; agora foca em corrupção ligada a grupos políticos diversos.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A vantagem de ler os editoriais da Folha de S.Paulo, na atual fase, é que abriram mão de qualquer sutileza. As intenções ficam explícitas na escolha dos adjetivos e dos ataques. Há uma clara carência de orientação editorial.

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Diz o editorial, no seu momento mais retórico:

Que não haja complacência com petistas e cupinchas de Lula pelo fato de amigos do presidente comandarem a Polícia Federal e vestirem togas no Supremo, A ruptura do pacto da impunidade fará mal apenas aos corruptos”. Nem Boris Casoy, em seus momentos mais catárticos, ousaria se expor tanto.

Fica nítido que a intenção da campanha contra o Ministro Alexandre de Moraes decorre dessa estranha percepção de ser “amigo do presidente da República”. Mas o buraco é mais em baixo.

Há um sentimento de ampliação da corrupção, especialmente devido aos resultados das operações da Polícia Federal, batendo no coração do crime organizado. Este se revela explicitamente nos seguintes campos:

  • abuso das emendas secretas.
  • avanço do PCC especialmente no mercado de combustíveis.
  • esquemas amplos de lavagem de dinheiro na Faria Lima. Aqui está o busilis da questão.

O Supremo está na linha de frente dessas investidas, ao lado da Polícia Federal, respondendo a um um sentimento de impunidade no ar, impulsionando ações moralizadores, como se viu, aliás, nas próprias manifestações contra a PEC da Bandidagem.

Toda a estratégia dos jornalões consiste em fixar foco no caso Alexandre de Moraes como maneira de amenizar a ofensiva contra a Faria Lima, e fixar a mira no olho do inimigo a ser liquidado: as esquerdas e o governo Lula. O editorial da Folha, com a sutileza de uma jamanta em piso de gelo, decreta: “Que não haja complacência com petistas e cupinchas de Lula“.

É interessante comparar com o histórico dos editoriais do jornal sobre a Lava Jato, porque é um caso típico da história se repetindo como farsa, com a instrumentalização do combate à corrupção.

Vamos recorrer ao ChatGPT

Editoriais da Folha favoráveis à Lava Jato (por fase)

🔹 2014–2015 | Endosso inicial e legitimação política

Período de entusiasmo explícito, com a Lava Jato tratada como “divisor de águas” moral.

  • “Uma operação histórica” (2014)
    A Lava Jato é apresentada como marco civilizatório no combate à corrupção sistêmica.
  • “Petrolão exige rigor” (2014/2015)
    Endosso ao aprofundamento das investigações e à responsabilização penal ampla.
  • “Avanço contra a corrupção”
    Editorial típico do período, exaltando delações, prisões preventivas e cooperação internacional.

👉 Tese central: o Brasil estaria finalmente “enfrentando seus demônios”.

🔹 2015–2016 | Blindagem institucional da operação

Aqui a Folha atua como escudo retórico contra críticas jurídicas e políticas.

  • “Não atrapalhar a Lava Jato”
    Críticas a projetos de lei, decisões judiciais ou movimentos políticos que pudessem “frear” a operação.
  • “O custo da impunidade”
    Justificativa explícita para medidas excepcionais em nome de um bem maior.
  • “A lei vale para todos”
    Defesa do alcance da Lava Jato sobre grandes empresários e lideranças políticas.

👉 Tradução jornalística: garantias individuais são importantes, mas “não agora”.

🔹 2016 | Impeachment + Lava Jato = narrativa convergente

Durante o impeachment de Dilma Rousseff, os editoriais ajudam a colar corrupção estrutural ao governo, mesmo sem denúncia direta contra a presidente.

  • “Crise exige resposta firme”
  • “Responsabilidade fiscal e moral”

👉 Lava Jato aparece como pano de fundo legitimador do colapso político.

🔹 2017–2018 | Apoio a Moro e às condenações

Mesmo com críticas internacionais e questionamentos jurídicos, a Folha segue apoiando o “espírito” da operação.

  • “Condenação de Lula deve ser respeitada” (2017)
    Defesa explícita da sentença de Sergio Moro.
  • “Justiça não pode ceder à pressão”
    Rejeição às críticas sobre lawfare e parcialidade.
  • “Decisões duras, porém necessárias”

👉 Aqui, a Folha ainda trata Moro como ator legítimo e técnico, não político.

🔹 2019 em diante | Virada retórica (parcial e tardia)

Só após a Vaza Jato o jornal muda o tom — e mesmo assim, sem autocrítica editorial robusta.

  • “Mensagens revelam excessos”
  • “É preciso separar combate à corrupção e abuso de poder”

⚠️ Importante:
A Folha criticou métodos, mas preservou o legado simbólico da Lava Jato por bastante tempo.

 Leitura estratégica 

  • A Folha:
    • Endossou politicamente a Lava Jato nos anos-chave
    • Relativizou garantias legais em nome da eficácia
    • Só recuou quando o custo institucional ficou alto demais

E agora, a volta da Lava Jato 2 no editorial desta semana:

“O objetivo, correto, de combater abusos da Lava Jato e congêneres levou a um mal maior um estímulo à corrupção com uma redoma indevassável de impunidade. Nesse vale-tudo, petistas, bolsonaristas, centrão e elites das autoridades puseram-se de acordo”

Na conclamação final, nenhuma menção à corrupção maior do país, ao destinatário final de todas as organizações criminosas que atuam no país: a Faria Lima e sua infinidade de fintechs, instituições de pagamento, credenciadoras, subcredenciadoras, emissoras de moedas eletrônica, iniciadora de transação de pagamento, criptomoedas. Enfim, esse enorme zoológico aberto pela gestão Campos Neto no espaço conhecido como Faria Lima.

O alvo é o inimigo político: “petistas e cupinchas de Lula pelo fato de amigos do presidente comandarem a Polícia Federal e vestirem togas no Supremo”.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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3 Comentários
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  1. fabricio coyote

    25 de dezembro de 2025 2:50 pm

    globo está tentando salvar os milicos, nitidamente. todos os civis golpistascondenados perderam seus cargos. os milicos mantêm soldos e patentes. para salvá los somente cortando a cabeça de kojak. ou manter a pauta para pavimentar tarcísio. ou seja, para isso queimaram banqueiros e ministros do supremo. ainda mais qd moraes solta duas notas dois dias depois, indiretamente por uma jornalista e depois diretamente. a emenda sempre é pior de que o soneto.

  2. Jicxjo

    25 de dezembro de 2025 3:33 pm

    Xandão enfrentou Musk. Enfrentou Trump. Hora de partir pra cima de André Esteves e dos irmãos Marinho sem medo e sem dó.

    1. AMBAR

      28 de dezembro de 2025 3:47 pm

      A gente até se esquece de quantos dragões o Xandão já derrotou, mas é verdade, parece que ele foi feito para o combate. A Folha será mais um deles, com a vantagem de que ela ainda terá que noticiar a própria derrota.

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