A prata registrou uma valorização ainda mais intensa que a do ouro em 2025, impulsionada pela combinação entre forte demanda de investidores, restrições na oferta global e uso crescente do metal em aplicações industriais.
Dados da Bloomberg mostram que, no fim de dezembro, o preço da prata ultrapassou US$ 80 por onça troy, quase três vezes acima do valor registrado um ano antes, superando com folga a alta do ouro, que avançou mais de 70% no mesmo período.
Ambos os metais se beneficiaram da busca por proteção diante das políticas econômicas do governo Donald Trump, da inflação persistente e do enfraquecimento de moedas, mas a prata apresentou movimentos mais abruptos.
Contudo, a principal diferença está no perfil de mercado: a prata é um insumo estratégico para a indústria, sendo amplamente utilizada em painéis solares, veículos elétricos, baterias, circuitos eletrônicos e equipamentos médicos, o que torna o metal mais sensível tanto ao ciclo econômico quanto a choques de oferta.
O mercado de prata também é menor e menos líquido do que o de ouro, uma vez que a prata não dispõe de reservas institucionais capazes de estabilizar o mercado em momentos de estresse.
A alta foi intensificada por restrições na produção, causadas pela queda no teor dos minérios, falta de novos projetos e entraves regulatórios em grandes países produtores como México, Peru e China. A situação é agravada pelo fato de que grande parte da prata é extraída como subproduto de outros metais, limitando a resposta da oferta a preços elevados.
A demanda global por prata superou a produção das minas pelo quinto ano consecutivo, enquanto fundos negociados em bolsa (ETFs) lastreados em prata física atraíram volumes expressivos de investimento.
Analistas dizem que, se os preços permanecerem elevados, o custo do metal pode afetar a rentabilidade de setores industriais e acelerar a busca por materiais substitutos, sobretudo nas cadeias ligadas à transição energética.
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