4 de junho de 2026

Cotação da prata dispara com escassez e demanda industrial

Preço quase triplicou em 2025; minério é insumo estratégico para parte importante da indústria de energia limpa
Foto de Scottsdale Mint na Unsplash

Preço da prata ultrapassou US$ 80/oz em 2025, quase triplicando em um ano e superando a alta de 70% do ouro.
Alta da prata é impulsionada por forte demanda, restrições na oferta e uso crescente em indústria, como painéis solares e veículos elétricos.
Produção limitada por queda no teor do minério e entraves regulatórios em México, Peru e China, com oferta abaixo da demanda global.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A prata registrou uma valorização ainda mais intensa que a do ouro em 2025, impulsionada pela combinação entre forte demanda de investidores, restrições na oferta global e uso crescente do metal em aplicações industriais.

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Dados da Bloomberg mostram que, no fim de dezembro, o preço da prata ultrapassou US$ 80 por onça troy, quase três vezes acima do valor registrado um ano antes, superando com folga a alta do ouro, que avançou mais de 70% no mesmo período.

Ambos os metais se beneficiaram da busca por proteção diante das políticas econômicas do governo Donald Trump, da inflação persistente e do enfraquecimento de moedas, mas a prata apresentou movimentos mais abruptos.

Contudo, a principal diferença está no perfil de mercado: a prata é um insumo estratégico para a indústria, sendo amplamente utilizada em painéis solares, veículos elétricos, baterias, circuitos eletrônicos e equipamentos médicos, o que torna o metal mais sensível tanto ao ciclo econômico quanto a choques de oferta.

O mercado de prata também é menor e menos líquido do que o de ouro, uma vez que a prata não dispõe de reservas institucionais capazes de estabilizar o mercado em momentos de estresse.

A alta foi intensificada por restrições na produção, causadas pela queda no teor dos minérios, falta de novos projetos e entraves regulatórios em grandes países produtores como México, Peru e China. A situação é agravada pelo fato de que grande parte da prata é extraída como subproduto de outros metais, limitando a resposta da oferta a preços elevados.

A demanda global por prata superou a produção das minas pelo quinto ano consecutivo, enquanto fundos negociados em bolsa (ETFs) lastreados em prata física atraíram volumes expressivos de investimento.

Analistas dizem que, se os preços permanecerem elevados, o custo do metal pode afetar a rentabilidade de setores industriais e acelerar a busca por materiais substitutos, sobretudo nas cadeias ligadas à transição energética.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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