10 de junho de 2026

Escolhas, por Wilson Ramos Filho – Xixo

O trabalho jornalístico é sempre resultado de escolhas feitas pelos jornalistas. Portanto, sujeito a tendências, preferências, ideologia.
Reprodução internet

Final de 2025 foi marcado por mau-jornalismo com fontes anônimas e recuo sem autocrítica de veículos de mídia.
ICL e Brasil 247 repercutiram acusações graves sem provas; ICL recuou, 247 manteve publicações de ambos os lados.
Texto denuncia jornalismo parcial que beneficia corrupção e fascismo, destacando pressão e interesses de banqueiros.

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Escolhas

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por Wilson Ramos Filho, Xixo

O final do ano foi marcado pelo lamentável exemplo de mau-jornalismo onde fontes anônimas são mencionadas como justificativa para a canalhice de jornalistas e dos veículos de comunicação onde trabalham. Quando deu errado, assistimos a um recuo vergonhoso, desacompanhado da necessária autocrítica.

Não causa estranheza as escolhas dos jornalistas que se submetem à indignidade de vender sua força de trabalho a empresas da mídia hereditária que flerta com o fascismo. Eles escolheram sujar suas biografias trabalhando em empresas golpistas que assumiram posições de direita e extrema-direita em todas as eleições presidenciais nas últimas décadas.

Todavia, mesmo tempo em que assistíamos a mais este episódio de degradação da mídia corporativa, causou certa estranheza na esquerda quando o ICL e o Brasil 247 pareciam embarcar na mal-construída versão plantada por não mais que três ou quatro jornalistas, todas mulheres, com gravíssimas acusações desacompanhadas de provas ou de resquícios destas. O ICL, depois de dois ou três dias, recuou, percebendo que havia embarcado em uma canoa furada que interessava apenas a alguns banqueiros e aos interessados em anistia aos golpistas. Já o 247 seguiu repercutindo, sem opinar, matérias que corroboravam as mentiras plantadas nos grandes veículos de comunicação, embora também publicasse e repercutisse matérias críticas ao jornalismo lavajatista em curso. Optou por publicar e repercutir textos com os dois lados da política. A vida é feita de escolhas.

Neste episódio todos fizemos escolhas. Escolhi me posicionar contra o mau-jornalismo, como também o fizeram a Revista Fórum, o Jornal GGN e o BFC, entre tantos outros veículos de esquerda.

Recebi, no WhatsApp parte de um texto com autoria atribuída a Luciano Martins Costa, a quem não conheço. Mas, concordo com boa parte das afirmações nele contidas e com sua conclusão de “o ano de 2025 se encerra com um dos episódios mais vergonhosos da imprensa nacional”, reproduzo-o abaixo para que reflitamos a respeito da reedição daquele jornalismo lavajateiro, desta vez contra ministros do STF:

« O trabalho jornalístico é sempre resultado de escolhas feitas pelos jornalistas. Portanto, sujeito a tendências, preferências, ideologia.

  • Mesmo num lance de gol, mil vezes apresentado na TV e nas redes sociais, sempre haverá quem veja a mão do atacante tocar na bola antes do arremate.
  • No caso que agitou o final de 2025, a jornalista fez uma escolha a priori, o que é muito diferente de ser apresentada a um leque de opções e publicar aquela que melhor aproximaria sua reportagem dessa verdade subjetiva. Escolheu aquela capaz de colocar sob suspeita o principal protagonista do confronto entre democracia e fascismo – ela escolheu beneficiar a corrupção e o fascismo, usando como recurso quebrar a credibilidade desse protagonista.
  • Pressionada, alega ter ouvido 6, 5, 4 e no final 1 informante. E quem é ele? – um banqueiro que tem interesse em impedir a liquidação do banco Master.
  • Acabo de conversar com um personagem importante, situado na PGR. Uma fonte que conheço há décadas, em quem confio.
    O que ele diz: que o Judiciário ainda está muito agitado por conta da batalha contra o golpismo. No topo da magistratura, bichos de grande porte gostariam que A. de Moraes colocasse logo um final no caso, que tivesse o cuidado de não criar jurisprudência que viesse a afetar as sinecuras, o nepotismo, as máfias que juntam magistrados com empresários, investidores e coronéis da política.
  • A jornalista não tem a menor ideia do vespeiro que cutucou. Estava apenas cumprindo a encomenda.
  • O problema: A. de Moraes não moveu um músculo, não tomou nenhuma medida que pudesse ser manipulada no Jornal Nacional e voltada contra ele.
  • O banqueiro que é citado como fonte sentiu o perigo: ele já passou um tempinho na cadeia, não quer repetir a experiência, e levantou a bandeira branca.
  • Portanto, dois cenários são possíveis: deixa-se baixar a poeira pra evitar mais prejuízos que afetem os donos dos cordéis que moveram a jornalista, ou se parte para o confronto, com uma CPI ruidosa, uma batalha de fake news, um ataque frontal ao STF.
  • Neste terreno pantanoso em que opiniões de amadores são tomadas como teses de doutorado, não há o que colher, a não ser a percepção de que o ano de 2025 se encerra com um dos episódios mais vergonhosos da imprensa nacional. »

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Xixo, 02 de janeiro de 2026

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1 Comentário
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  1. Maria Bernadete

    2 de janeiro de 2026 11:48 am

    Texto excelente. Palmas para o autor.

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