Sugerido por Lair Amaro
Da Rede Brasil Atual
Para Stédile, protestos são justos e vão continuar, mas a competição faz parte da cultura brasileira e é ‘bobeira politizar certos períodos’
São Paulo – Um dos coordenadores nacionais do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile afirma não ser contra a Copa do Mundo no Brasil, por mais razão que tenham os protestos contra os gastos para a organização do torneio e pela presença da Federação Internacional de Futebol (Fifa). “Acho que é um erro político colocar todos os erros (do país) na reforma dos estádios. Oito bilhões (de reais) representam duas semanas de juros que o país paga para os bancos.” A estimativa oficial mais recente dá conta que o valor com obras em estádio chegará a R$ 8,9 bilhões.
Para ele, é importante fazer mobilizações o quanto antes. O pior momento seria justamente durante a competição, que vai de 12 de junho a 13 de julho. “O povo quer ver a Copa do Mundo. A Copa faz parte da nossa cultura, e acho que seria um erro da moçada achar que isso (protestos) vai granjear apoio popular.”
Mas, segundo Stédile, não significa que é um momento de trégua. “Acho que Copa é que nem carnaval. Alguém vai marcar mobilização durante o carnaval? É besteira politizar certos períodos”, afirma.
Ao mesmo tempo, o coordenador do MST lembra que a entidade integra uma plenária com mais de 100 entidades. “Aqueles problemas estruturais (moradia, transporte, educação) estão latentes, e a juventude vai voltar a se manifestar. A juventude é um termômetro, é como se ela medisse a febre antes dos outros. Mas ela não tem um programa de mudanças. Quem tem de apresentar esse programa são os movimentos sociais organizados.” Ele lembrou que as centrais sindicais já organizam uma manifestação para 9 de abril.
André LB
7 de fevereiro de 2014 12:57 pmVenho dizendo e repito: vai
Venho dizendo e repito: vai chegar o momento em que só os black blocs vão apoiar os black blocs, dada a insanidade desse movimento. O máximo que eles vão conseguir é deslegitimar, pela violência, um belo momento de nossa história, em que muita gente começou a ir pra rua exigir mudanças.
Suspires
7 de fevereiro de 2014 9:55 pmQuiçá seja exatamente isso
Quiçá seja exatamente isso que querem.
Leo V
7 de fevereiro de 2014 1:02 pmBastante suspeita essa
Bastante suspeita essa mat´peria da redebrasilatual.
Só com trechos de fala, sem contexto, pra sustentar a manchete claramente pré-concebida.
Pois na entrevista abaixo a visão do Stedile é bem diferente dessa que a redebrasilatual tenta passar: http://www.brasildefato.com.br/node/27337
Destaco o trecho:
“Mobilizações massivas sempre ajudam a fazer debate político na sociedade. A direita brasileira não tem nem base social, nem discurso, nem proposta para mobilizar milhões. Porque seria mobilizar contra os interesses do povo. As mobilizações, mais do que bem-vindas, são necessárias, para seguirmos mudando o país, para termos mais o Estado a serviço do povo. Mais recursos para a educação, saúde. Os que têm medo do povo é porque já estão longe de seus interesses. Nenhuma mudança social ocorreu, na história da humanidade, sem que tenha havido mobilização popular. Nenhuma mudança acontece pela “vontade generosa” de algum governante ou guru. Em relação ao calendário, torço para que as mobilizações de rua comecem logo, pois no período da realização da Copa vai confundir a cabeça do povo, que quer ver a Copa, e pode reduzir as mobilizações como se fossem apenas protesto pelo dinheiro gasto nas obras. O dinheiro que foi gasto nos estádios, em torno de 8 bilhões, claro que poderiam ser melhor aplicados, porém, eles representam apenas duas semanas do volume de recursos que o governo passa para os bancos. Então, a cada duas semanas temos uma Copa do tesouro nacional para os bancos. E esses são os nossos inimigos principais, que precisamos denunciá-los e derrotá-los, dentro e fora do governo.”
O MST foi o principal movimento social do Brasil nas últimas décadas. Agora, surge como principal ator social a juventude. Qual sua opinião sobre os movimentos de juventude da atualidade?
As mobilizações da juventude, em qualquer sociedade, são sempre uma espécie de termômetro, que indicam a temperatura de indignação de toda a sociedade. E aqui não foi diferente. Apesar dos avanços que houve nos últimos dez anos em relação ao neoliberalismo, porém, os trabalhadores enfrentam ainda graves problemas, que afetam também a juventude. E a juventude foi para a rua dizer em nome de todos nós que precisamos de mudanças sociais. Mudanças no regime político, que não representa a ninguém. Mudanças na política econômica. E mais. Estado e poder público atendendo às necessidades do povo, na saúde, educação e transporte públicos de qualidade.
Como o MST está pensando em dialogar ou se articular com essa juventude?
Em todas as mobilizações, nós procuramos participar com nossa militância, apesar de que nossa base social está longe das capitais. Seguimos incentivando a que juventude se organize, se mobilize. E ao mesmo tempo, contribuímos na construção de plenárias estaduais e nacionais de todos os movimentos sociais, que envolvem todos os setores, desde o movimento sindical até as pastorais, para discutirmos os rumos do país e a necessidade de uma reforma política.
Você acha que as manifestações de junho protagonizadas por esses jovens foram uma surpresa pela proporção e impacto que tomaram?
Foram surpresa pela forma e rapidez como aconteceram. Mas todos os militantes sociais sabiam que os problemas que o povo está enfrentando nas grandes cidades estavam aumentando e latentes. A situação dos transportes públicos é um caso; perde-se horas no trânsito e é caro. Enquanto o governo isenta IPI e incentiva o transporte individual, que as multinacionais automobilísticas agradecem. O atendimento da saúde pública é uma vergonha. E isso pelo menos destravou o Programa Mais Médicos, que é uma coisa boa. E na educação, temos graves problemas, desde elevada taxa de analfabetismo, que atinge 18 milhões de trabalhadores adultos, até o fato de 88% da juventude em idade universitária não conseguir entrar na universidade. Por outro lado, a política institucional no Brasil foi sequestrada pelos financiadores de campanha, que transformam os eleitos em reféns do capital. E o povo, a juventude, não se sente mais representado nos parlamentares, no sistema político. Então, dia mais, dia menos, esses problemas apareceriam. E apareceram no melhor lugar possível: nas ruas! Que é o melhor lugar da juventude praticar a democracia.
Qual o saldo das mobilizações de junho para a luta política no país?
Em termos de conquistas reais, foi ainda pequeno, porque barraram apenas o aumento das tarifas. Mas o saldo político é fantástico. Recolocou a política nas ruas. Recolocou o debate das mudanças necessárias. E colocou na pauta a reforma política e a necessidade da convocação de uma Assembleia Constituinte. E o processo está ainda em curso, tende a aumentar.
No balanço de 2013, os movimentos levantaram alguns retrocessos na política econômica nacional. A que se deveu esse retrocesso?
A política econômica do governo federal é um dos palcos centrais da luta de classes da sociedade brasileira. Pois é através dela que as classes dividem a riqueza produzida todos os dias pelos trabalhadores. E há uma pressão permanente dos bancos e das grandes empresas, para abocanharem os recursos públicos, na forma de juros. Na forma de empréstimos favorecidos no BNDES, na forma de emendas parlamentares, na forma de isenção de impostos. E, dos lados dos trabalhadores, precisamos disputar para que esses recursos, que são públicos, que são de todo o povo, sejam priorizados nos investimentos da educação, da saúde, da reforma agrária e dos transportes públicos nas grandes cidades. E nessa luta, acho que em 2013, a classe trabalhadora saiu perdendo. Os bancos abocanharam 280 bilhões de reais do tesouro em juros. O Banco Central, dominado pelos bancos, aumentou a taxa de juros. O cidadão comum, o comércio e a indústria pagam taxas de juros que variam de 40% a 144% ao ano. Isso é uma afronta. E o governo ficou administrando, sem coragem e força para brecar o poder econômico, porque parte do governo está impregnada por esses interesses.
A direita e a esquerda estão apostando que as mobilizações voltarão no período da Copa do Mundo. Há risco de as mobilizações, que são um sinal de desejo de mudança, contribuírem com as forças conservadoras? Isso pode ser usado no jogo eleitoral?
Mobilizações massivas sempre ajudam a fazer debate político na sociedade. A direita brasileira não tem nem base social, nem discurso, nem proposta para mobilizar milhões. Porque seria mobilizar contra os interesses do povo. As mobilizações, mais do que bem-vindas, são necessárias, para seguirmos mudando o país, para termos mais o Estado a serviço do povo. Mais recursos para a educação, saúde. Os que têm medo do povo é porque já estão longe de seus interesses. Nenhuma mudança social ocorreu, na história da humanidade, sem que tenha havido mobilização popular. Nenhuma mudança acontece pela “vontade generosa” de algum governante ou guru. Em relação ao calendário, torço para que as mobilizações de rua comecem logo, pois no período da realização da Copa vai confundir a cabeça do povo, que quer ver a Copa, e pode reduzir as mobilizações como se fossem apenas protesto pelo dinheiro gasto nas obras. O dinheiro que foi gasto nos estádios, em torno de 8 bilhões, claro que poderiam ser melhor aplicados, porém, eles representam apenas duas semanas do volume de recursos que o governo passa para os bancos. Então, a cada duas semanas temos uma Copa do tesouro nacional para os bancos. E esses são os nossos inimigos principais, que precisamos denunciá-los e derrotá-los, dentro e fora do governo.
O que esperar das eleições de 2014?
Pessoalmente, acho que não teremos grandes mudanças. Nem nos eleitos, nem nas propostas que os eleitos defendem. Então, as verdadeiras mudanças não dependem mais do calendário eleitoral, vão depender da capacidade da classe trabalhadora desconstruir um programa unitário de medidas que a sociedade precisa para poder resolver os problemas do quotidiano do povo.
O MST e outros movimentos sociais pretendem lançar alguma bandeira política e construir mobilizações neste ano?
Já está posta na rua, desde o segundo semestre do ano passado. Nós participamos de uma ampla frente popular, desde a CNBB, OAB, ABI, CUT e movimentos populares, para juntos lutarmos por uma reforma política. Uma reforma política que mude as regras do jogo, devolva ao povo o direito de escolher seus verdadeiros representantes, altere a correlação de forças na sociedade e abra portas para que ocorram as outras reformas necessárias: a reforma urbana, a reforma agrária, a reforma educacional garantindo 10% do PIB para educação, a ampliação dos recursos para saúde, e o controle dos juros e do superávit primário.
Em quais outras reivindicações você apostaria como as principais para 2014?
Esse é o salto político que nós, os movimentos populares, vamos precisar dar. Mais do que pautas específicas de reivindicações, que cada setor social vai continuar lutando para atender as necessidades de sua base, agora é fundamental construirmos uma unidade programática em torno dos temas políticos. Unidade para fazer um grande mutirão nacional e fazermos trabalho de base para discutir com o povo quais mudanças políticas queremos. E a partir desse debate, organizar um Plebiscito Popular na semana de sete de setembro, para que o povo vote na possibilidade ou não da convocação de uma Assembleia Constituinte, eleita de forma soberana, sob outras regras, e exclusiva, para fazer a reforma política do país. Tenho esperanças de que poderemos mobilizar milhões de brasileiros nessa missão, e com isso aglutinar forças para pressionar os Três Poderes da República para convocar a Assembleia Constituinte em 2015.
Julião
7 de fevereiro de 2014 9:27 pmQuase nenhuma pessoa leu o texto inteiro
Caro Leo V, agradeço a vc ter colocado o texto no seu totum, pois parece que os vários comentaristas do blog não o leram!
Stédile é um cara inteligente e bem articulado, com idéias claras e avançadas. Como pertence ao MST ganhou um ranço dos moradores das grandes cidades, principalmente, pois pelos jornais (PIGs) são apenas considerados “invasores de terras”.
Participar de problemas e das manifestações das grandes cidades fica um pouco distante dos membros e sedes do MST, porem, ele, Stédile, acredita que o MST deveria aproximar-se das manifestações para tentar dar um possível rumo político e ideológico que estas carecem. Achei ótimo a apresentação total do texto!
josé adailton
7 de fevereiro de 2014 2:52 pmComigo, não!
Isso mesmo cambada, fiquem quietos durante o jogo de abertura da copa. Eu vou,
já comprei meu ingresso.
Lucas Gomes
7 de fevereiro de 2014 3:39 pmah, então o burocrata mor do
ah, então o burocrata mor do MST é contra a Copa. Uau, por essa ninguém esperava. Será que a CUT apoia os protestos contra a Copa? hmmm, mistério.
Julião
7 de fevereiro de 2014 9:30 pmVocê leu o texto
Caro Lucas, vc leu o texto, por inteiro, do Stédile? É melhor fazê-lo anter de comentar!
agincourt
7 de fevereiro de 2014 4:36 pmAté tu?!
“João Pedro Stédile afirma não ser contra a Copa do Mundo no Brasil, por mais razão que tenham os protestos contra os gastos para a organização do torneio”
Digamos que é meio assim uma contradição dialética…
Na hora do pega pra capar, tudo se resolve numa síntese futebolística: Globo, Caiado e Stédile, é tudo um só coração.
…
“Acho que é um erro político colocar todos os erros (do país) na reforma dos estádios.”
Não é um erro.
Mas é uma metonímia bastante expressiva.
…
“Oito bilhões (de reais) representam duas semanas de juros que o país paga para os bancos.”
O boleiro Stédile tá defendendo o calote da dívida?
Haja contradição…
…
“O povo quer ver a Copa do Mundo. A Copa faz parte da nossa cultura, e acho que seria um erro da moçada achar que isso (protestos) vai granjear apoio popular.”
Quando até o marxista Stédile se expressa nesses termos, só nos resta constatar a insofismável vitória ideológica daquele papo furado de cultura brasileira.
A expressão, consagrada pela ditadura, “ideologias exóticas ao povo brasileiro” não comungaria da mesmíssima raiz ideologicossemiótica?
Não me espantaria se , depois dessa, Stédile puxasse uma romaria até Aparecida pela vitória da pátria de chuteiras.
…
“O povo quer ver a Copa do Mundo.”
Taticamente o momento é oportuno.
Parece que Stédile não se lembra das Olimpíadas de 1968.
…
“É besteira politizar certos períodos”
E é canalhice ideológica despolitizar a Copa do Mundo e as Olimpíadas.
…
“Quem tem de apresentar esse programa são os movimentos sociais organizados.”
MST? UNE? Centrais sindicais?
Sei…
…
“Ele lembrou que as centrais sindicais já organizam uma manifestação para 9 de abril.’
Manifestação contra o quê?
Não seria mais apropriado antecipá-la para 1 de abril?
José Carlos Lima
7 de fevereiro de 2014 4:53 pmEduardo Coutinho presente
O cineasta Eduardo Coutinho e o futebol em sua obra
http://www.josecarloslima.blogspot.com.br/2014/02/caim-f-e-abel-f.html
Taques
8 de fevereiro de 2014 1:50 pm“Acho que é um erro político
“Acho que é um erro político colocar todos os erros (do país) na reforma dos estádios. Oito bilhões (de reais) representam duas semanas de juros que o país paga para os bancos.”
Eis a “régua” deste grande patriota!
Se algum companheiro for pego numa maracutaia, sei lá… de alguns milhões de reais, pode até se defender da seguinte forma: “Poxa, o que roubei durante a minha vida inteira do governo, ele paga em alguns minutos para os bancos. Me deixem em paz!!!