O governo de Donald Trump estabeleceu um conjunto rigoroso de exigências para avalizar a permanência de Delcy Rodríguez na presidência da Venezuela. O ultimato de Washington ocorre na esteira da captura de Nicolás Maduro e sinaliza uma tutela direta sobre a transição política no país sul-americano. Para manter o cargo, Rodríguez deverá romper alianças estratégicas com Cuba e Irã, além de priorizar petroleiras dos Estados Unidos na exploração das reservas nacionais.
O desenho do pacto revelado pelo site Politico e confirmado por diplomatas latino-americanos na ONU ao ICL Notícias, prevê que Caracas interrompa imediatamente o fornecimento de petróleo a adversários dos EUA. A estratégia visa não apenas garantir o suprimento energético, mas frear tentativas de desdolarização do setor de combustíveis.
Segundo Stephen Miller, assessor de segurança interna da Casa Branca, o novo governo venezuelano já sinalizou submissão: as autoridades enviaram mensagens deixando “claro que irão cumprir os termos, demandas, condições e requisitos dos Estados Unidos”, afirmou durante entrevista à CNN.
Petróleo sob gestão americana
A reconstrução da infraestrutura petrolífera venezuelana, degradada por anos de subinvestimento e sanções, é a espinha dorsal do plano de Trump. O presidente americano sugeriu que Washington pode subsidiar os esforços de empresas como Exxon Mobil, Chevron e ConocoPhillips para retomar a produção em larga escala.
Em entrevista à NBC News, Trump estimou que o setor poderia estar em pleno funcionamento em menos de 18 meses, embora especialistas projetem um prazo de até uma década.
“Uma quantidade tremenda de dinheiro terá de ser gasta, e as empresas de petróleo vão gastar, e depois serão reembolsadas por nós ou por meio de receitas”, afirmou o republicano. Para Trump, uma Venezuela produtora é vital para “reduzir os preços do petróleo” no mercado global.
Apesar do otimismo da Casa Branca, as grandes companhias mantêm cautela. A Chevron, única gigante que ainda opera no país, afirmou estar focada na integridade de seus ativos, enquanto a ConocoPhillips classificou como “prematuro especular sobre quaisquer atividades comerciais”.
O isolamento da oposição e o adiamento de eleições
A estratégia americana para Caracas também promove um rearranjo nas forças políticas locais. A Casa Branca tem adotado um tom de distanciamento em relação a María Corina Machado, principal líder da oposição e vencedora do Nobel da Paz de 2025. Trump minimizou o papel de Machado, descrevendo-a como uma figura sem apoio suficiente para garantir a estabilidade doméstica.
A prioridade de Washington, no momento, seria evitar um vácuo de poder que resulte em crise migratória. Por isso, a realização de novas eleições não é vista como urgente. “Primeiro temos de consertar o país. Não dá para ter uma eleição. Não há como as pessoas sequer conseguirem votar”, declarou Trump.
Enquanto Delcy Rodríguez busca se equilibrar entre as exigências de Washington e a manutenção das instituições internas, Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, enfrentam o sistema judiciário americano. Ambos compareceram a um tribunal federal em Nova York nesta segunda-feira (5), onde Maduro se declarou inocente das acusações de tráfico de drogas e armas.
Reação diplomática e riscos regionais
O avanço da influência americana sobre a gestão de Caracas gera desconforto em vizinhos regionais. Na ONU, o Itamaraty manifestou preocupação com a soberania venezuelana, alertando que a transformação do país em um protetorado dos EUA não seria bem aceita pelo governo brasileiro.
A administração Trump, contudo, mantém o tom de advertência. O secretário de Estado, Marco Rubio, indicou que uma “quarentena” será aplicada a petroleiros sancionados até que o cumprimento integral do acordo seja verificado. Caso o governo interino de Rodríguez recue nas promessas, Trump já advertiu que os Estados Unidos estão preparados para uma ofensiva militar ainda mais agressiva.
Rui Ribeiro
6 de janeiro de 2026 11:14 amDe acordo com o Rato-Mór, Mohammad bin Salman, que mandou matar e esquartejar um jornalista, é inocente. Já o Nicolás Maduro, que enviou oxigênio para as vítimas de covid que morriam à míngua em Manaus, é criminoso.