10 de junho de 2026

EUA usa reunião da OEA para escancarar interesse no óleo venezuelano

Representante do país diz que ação buscava impedir controle de reservas por “potências consideradas adversárias no Hemisfério Ocidental”
Reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA) para discutir ação dos EUA na Venezuela. Foto: Juan Manuel Herrera/OAS

EUA justificam operação na Venezuela para impedir controle de reservas petrolíferas por potências adversárias no Hemisfério Ocidental.
Representante dos EUA na OEA defende ação como operação direcionada, sem intenção de invasão ou ocupação territorial.
Petróleo venezuelano é destacado como ativo estratégico na disputa geopolítica e energética entre grandes potências.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Impedir que as reservas petrolíferas da Venezuela ficassem sob o controle de “potências consideradas adversárias no Hemisfério Ocidental”. Esta foi a principal justificativa apresentada pelos Estados Unidos para a operação realizada na Venezuela — que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro —durante a mais recente reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA).

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Ao discursar no Conselho Permanente da OEA, representante permanente dos EUA na OEA, Leandro Rizzuto afirmou que os Estados Unidos não poderiam “continuar permitindo que a maior reserva de petróleo do mundo esteja nas mãos de adversários”, em referência indireta à presença e à influência de países como China, Rússia, Irã e Cuba na Venezuela.

A declaração desloca o debate da esfera estritamente jurídica — como as acusações de narcotráfico contra Maduro — para um plano mais amplo, no qual energia, geopolítica e segurança hemisférica se entrelaçam.

Ao assumir publicamente o petróleo como elemento central da equação, Washington reforça que a crise venezuelana é tratada como uma questão estratégica, e não apenas institucional ou humanitária.

A defesa da operação e a rejeição do termo “invasão”

O representante norte-americano insistiu que a ação não configurou invasão, mas uma operação “direcionada”, com o objetivo de retirar um indivíduo acusado de crimes e levá-lo à Justiça dos Estados Unidos. Segundo ele, não há intenção de ocupação territorial nem de interferência permanente na soberania venezuelana.

Porém, tal leitura encontrou resistência entre diversos países membros da OEA. Para críticos da ação, a captura de um chefe de Estado em exercício, sem mandato multilateral ou autorização de organismos internacionais, representa uma violação clara do direito internacional e dos princípios de soberania.

Durante a reunião, delegações de países latino-americanos manifestaram preocupação com o precedente aberto pela ação norte-americana. O discurso brasileiro, por exemplo, criticou o uso da força e alertou para o risco de se normalizar uma lógica na qual o poder militar se sobrepõe às normas internacionais.

O debate expôs divisões dentro do organismo regional: de um lado, os EUA sustentando que agiram em defesa da segurança hemisférica; de outro, países que veem na operação uma reedição de práticas intervencionistas históricas na América Latina.

O peso estratégico do petróleo venezuelano

A centralidade do petróleo no discurso americano reforça o papel da Venezuela no tabuleiro energético global. Embora a produção venezuelana tenha encolhido nos últimos anos, o país segue detentor das maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, o que o transforma em ativo estratégico em um contexto de disputas entre grandes potências.

Ao levar esse argumento à OEA, Washington sinaliza que a crise venezuelana é parte de uma disputa maior pela configuração da influência no Hemisfério Ocidental, especialmente em um cenário de crescente competição geopolítica.

Veja abaixo a íntegra da última reunião da OEA.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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1 Comentário
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  1. Rui Ribeiro

    7 de janeiro de 2026 8:12 am

    Não há prova de qualquer ato de narcoterrorismo praticado pelo Nicolás Maduro. Em vez disso, é fato público que ele enviou oxigênio para a população que morria à mingua em Manaus, vítima da covid, enquanto o Bolsonaro debochava dos moribundos.

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