O Brasil encerrou o ano de 2025 com o maior volume de denúncias de trabalho escravo e condições análogas à escravidão de sua história. Segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), obtidos pelo G1, foram registrados 4.515 relatos ao longo dos 12 meses, o que representa uma alta de 14% em comparação a 2024, quando o índice já havia atingido o patamar recorde de 3.959 casos.
A escalada reflete uma tendência de crescimento sustentado nos últimos cinco anos. Em 2021, o sistema contabilizava 1.918 denúncias, volume que saltou para 3.430 em 2023. Em pouco mais de uma década, o número de registros anuais mais que dobrou no país, evidenciando tanto a persistência da violação de direitos quanto o fortalecimento dos canais de fiscalização.
Concentração urbana e setores críticos
Embora o trabalho escravo seja historicamente associado ao meio rural, os dados mais recentes de resgates realizados pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) revelam uma mudança no perfil das ocorrências. Em 2024, 30% dos trabalhadores resgatados foram localizados em áreas urbanas. A construção de edifícios lidera o ranking de setores com maior número de resgatados (293), seguida de perto por atividades do agronegócio, como o cultivo de café (214) e de cebola (194).
As violações identificadas em 2025 incluem desde o trabalho escravo infantil até a submissão de adultos a jornadas exaustivas, servidão por dívida e condições degradantes de alojamento e alimentação. Janeiro de 2025 marcou o ápice mensal da série histórica do Disque 100, com 477 denúncias em apenas 31 dias.
Conscientização e canais de denúncia
Para autoridades do Ministério do Trabalho e Emprego, o aumento sucessivo nas estatísticas não decorre apenas de um possível avanço da criminalidade, mas também de uma maior conscientização da sociedade civil. O fortalecimento da confiança nos mecanismos de proteção e a facilidade de acesso aos canais digitais têm encorajado mais relatos.
Desde 1995, quando o Estado brasileiro reconheceu oficialmente a existência do trabalho escravo contemporâneo, cerca de 65,6 mil pessoas foram resgatadas em mais de 8,4 mil operações fiscais. As ações são coordenadas pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel, que atua em todo o território nacional.
Atualmente, o governo federal mantém dois canais principais para o recebimento de queixas: o Disque 100, que funciona 24 horas por dia, e o Sistema Ipê, plataforma online específica para casos de trabalho análogo à escravidão, onde é possível realizar denúncias de forma anônima.
Fauzi Achoa
9 de janeiro de 2026 1:11 pmAlguém foi preso por isso?
Alguém responde processo penal por isso?
Trabalho escravo no Brasil é apena contravenção as leis trabalhistas.
E vivam os escravocratas e fodam-se os escravisados.